Se não fosse imoral não queríamos! Mas o primeiro romance de André Fontes, «Saturnália», é imoralíssimo e é também o primeiro romance millennial da literatura portuguesa.
O romance? Somos nós, é o nosso retrato: bem-vindos a esta Saturnália moderna, carregada de erotismo, boémia e angústias de uma nova geração num mundo igualmente novo. Precária em erário mas abundante em avidez.
Author: Manuel S. Fonseca
Enigmas e haikus

Por pudor ou liberdade, Herberto Helder diz na capa que são poemas mudados para português. O livro chama-se, uma imagem felicíssima, “O Bebedor Nocturno”. Nele se reunem poemas mexicanos e canções indonésias, enigmas maias e haikus japoneses. Em todos perpassa a língua portuguesa naquela forma única que ganha quando Herberto a escreve ou diz. É um livro que paira num lugar inlocalizável: está acima da cultura, da literatura, da academia, situando-se na nómada curva da alegria.
Volto a lê-lo, em meias-horas de volúpia silenciosa, tão diferente e tão igual ao riso com que, no primeiro ano da década de 70, entre Luanda e a barra do Kwanza, o lia aos gritos na areia a ferver das praias do km 36 ou, Jesus Cristo sobre as ondas, no kayak a deslizar sozinho pelas águas quase rasas dos mangais.
Por exemplo, tão bonito este enigma asteca:
– Uma coisa que vai pelos vales fora, batendo as palmas das mãos como uma
mulher que faz tortilhas?
– A borboleta voando.
Ou então este haiku:
Libélula vermelha.
Tira-lhe as asas:
Um pimentão.
Foi o que, corrigindo a natureza, escreveu Kikaku. Mas logo o sábio Bashô lhe corrigiu a correcção:
Pimentão vermelho.
Põe-lhe umas asas:
Libélula.
E é Busson que, pela mão, põe a minha felicidade de leitor na sua verdadeira casa:
Ah, o passado.
O tempo onde se acumularam
os dias lentos.
O mais belo conto de Herberto Helder
Faço-vos um desafio.
Comprem “Os Passos em Volta”, de Herberto Helder. É um livro de contos. Incursão rara do poeta na prosa narrativa. O mais próximo que ele terá estado de um romance.
Já compraram? Óptimo, leiam agora, de “Os Passos em Volta”,
um conto, o mais belo de todos os contos, leiam “Polícia”. Conta-o um português, clandestino, em Bruxelas, na iminência de ser, porventura, expulso.
E agora, que já compraram “Os Passos em Volta” e já leram “Polícia” , podem ler, embora não precisem, a piedosa e devota prosa que se segue.

Eu era então muito novo. Aprendi a soletrar o amor nos onze parágrafos das cinco páginas de um conto chamado “Polícia”. O amor ficou-me para sempre assim, a mulher nua deitada sobre um cobertor, gotas de chuva a deslizar nos vidros da janela.
Em frases curtas, que uma pequena e amável ironia acelera, o conto descreve Bruxelas, o papel ambíguo de um protector petit Monsieur Leclercq, antigo colaboracionista e funcionário do partido comunista, a penúria do protagonista que alguns biscates mal iludem.
É um clandestino que fala. Tem uma voz serena, objectiva. Confia, percebe-se, no movimento que os tempos verbais dão às frases: “Eu desejava trabalho, apenas isso.” Ou então: “… o maior amigo do meu protector, um flamengo que amava a cerveja forte, pertencera à Resistência.” Desejar, amar e pertencer são os dínamos de frases humildes, manuais dir-se-ia. As frases vão por onde os verbos as mandam.
É um português e deambula pela cidade, perto da estação, entre as luzes das ruas e o ruído dos comboios de mercadorias. Talvez porque ter dinheiro no bolso seja tão acidental, o narrador clandestino poupa nos adjectivos. Escassez na vida que repercute na luminosa escassez da prosa. Ainda assim, divertido ou inocente, autoriza-se (uma vez apenas, no primeiro longo parágrafo de 42 linhas) um aceno contido de transcendência: “Às vezes eu fazia com estes elementos estrangeiros um lirismo vagabundo e puro.”
Eu era então muito novo e ao ler “Polícia” apaixonei-me pela ideia difusa de cidade, os vagos trabalhos temporários, beber cerveja, dançar num bar da Chaussée d’Anvers. Mas apaixonei-me sobretudo pela absoluta consciência de si deste clandestino a quem le petit Monsieur Leclercq aconselha a fugir para a França, Alemanha, meter-se num barco que saia de Antuérpia.
Congenitamente idealista, “Polícia” é um conto em que os contornos da cidade, a espessura dos vultos que passam, das abundantes prostitutas, só ganham concreção dentro da linguagem e da solidão do herói clandestino. Quase ouço o narrador responder-me: “Também me sentia absurdamente entusiasmado com a solidão.” Talvez le petit Monsieur Leclercq não saiba, mas se o clandestino partir, a cidade desaparece. E não, não me parece que Monsieur Leclercq o saiba: antigo colaboracionista e funcionário do partido comunista, o monismo idealista é-lhe estranho.
Eu era então muito novo e nunca tinha lido uma tão incondescendente consciência de si. Mais abismado fiquei ao ver, no segundo parágrafo, o herói clandestino criar uma segunda consciência, desencantado comentário de si mesmo. É uma manhã de Dezembro e chove, diz ele, para logo a seguir e pela primeira vez surgir, entre parêntesis, a segunda camada de consciência de si, filosófica, quase sempre interrogativa. Uma segunda consciência que é, porventura, mais o resultado de uma elegante discrição, quase timidez, do que um artificio literário. Leio e pergunto-me se o herói clandestino não terá criado esta segunda vaga da consciência de si como pretexto para introduzir Annemarie. É Dezembro e chove, diz ele, para logo derivar, auto-comentando-se “(eu falaria depois a Annemarie da chuva lenta, patética)”. E deixa-a ali, suspensa, misteriosa, para só voltar a sentar-se ao lado dela, ou ela ao lado dele, 24 linhas depois.
Chove neste conto, “gotas de água a toda a volta”, e surge Annemarie, francesa de Lyon, tão clandestina como o narrador português: “Annemarie sentou-se a meu lado. Vi logo que ela não podia estar mais só.” São duas absolutas consciências de si, irredutíveis, sentadas ao balcão de um bar de Bruxelas, em frente a dois “belos copos de cerveja fria”. Bebem na solidão um do outro.
Eu era então muito novo e pareceu-me perigoso e subversivo este clandestino encontro de consciências num chuvoso fim de tarde estrangeiro. Seria absurdo que a polícia não os perseguisse. A polícia, esse desejável escrutínio da ilegalidade, é a única forma de os dois clandestinos terem a certeza que arriscam a liberdade. A única certeza.
“Polícia” começa numa deliquescente manhã de Dezembro, em Bruxelas. Termina na noite desse dia, a mesma fria névoa lá fora e “um calor inconcebível” nesse quarto onde duas solidões falam “longamente da chuva, do amor e das leis.”
Em dois demorados parágrafos iniciais e nove mais curtos, poéticos, parágrafos finais, “Polícia” é um lapidadíssimo diamante narrativo. O ritmo do fraseado, a precisão lexical, o discreto brilho metonímico, a frugal sugestão imagética estão invencivelmente acima da tantas vezes pastosa narrativa portuguesa. É só literatura, dir-me-ão aqueles que razoavelmente pensam ser a literatura coisa pouca. Que interessa? Eu era então muito novo e “Annemarie puxou-me para dentro e amámo-nos sobre o cobertor até de manhã.”
Neste meu comentário, reporto-me à versão original do conto, publicada pela Portugália Editora, em Março de 1963, a 1ª edição do livro. A que eu tenho e cuja capa está fotografada lá em cima.

How are you this morning, Mr. Mitchum?
O meu anti-herói favorito também canta. Vamos já ouvi-lo. Primeiro, como se fosse preciso, apresento-o, até por tê-lo conhecido em Tróia, aquela península ali mesmo à frente de Setúbal – como o Setúbal, o meu velho kamba, António Gutierres, atestará no primeiro tribunal ou juízo de Deus a que nos convoquem.
Bob Mitchum, um rio tranquilo. Talvez, por isso, podia beber sem limites. Sidney Pollack, que o dirigiu, diz que bebia o dia todo sem que o nível de consciência e de comportamento se alterassem.

Menino bem nascido, nasceu cansado. E era esse o segredo das suas personagens: homens robustos, sólidos como armários, mas cansados, cansados demais para esconder que havia muitas outras coisas para além do que as suas palavras lentas e os gestos quase inexistentes deixavam transparecer.
Percebe-se, de Out of the Past a Angel Face, que a emoção de Robert Mitchum é uma emoção ferida. Se lhe dissessem que era inexpressivo não negaria, mas auto-explicava-se com uma teoria mais zen: “Look, I have three expressions, looking left, looking right, looking straight ahead”.

Tinha um metro e oitenta de falsa timidez, cabelos escuros e olhos azuis. Não ia ter com as mulheres porque as mulheres vinham ter com ele, mas casou um casamento de 57 anos com a namorada de juventude. Em Farewell my lovely, o personagem dele engata uma incendiária Charlotte Rampling:
– “My place?”, diz ele.
– “What for? You got everything we need with you”, sossega-o ela.
Dois anos antes de morrer, em 1995, Jim Jarmusch dirigiu-o em Dead Man. Deram-se bem. Jarmusch conta 123 histórias dele, mas a favorita é uma blague. De manhã, quando se encontravam no estúdio era sempre assim:
– “How are you this morning Mr. Mitchum?”
– “Worse.”
Basta repetir bem

Quando, em 1692, os soldados de Luis XIV invadiram Stuttgart (Estugarda, não é?), já Johann Pachelbel tinha composto o Canon para 3 violinos e um violoncelo que hoje tanto nos consola e obriga a falar dele. O organista Johann Pachelbel tinha 27 anos, mulher e filho, quando, para o casamento de um Bach em 1680, criou o tema que garantiria a imortalidade ao seu nome. Três anos depois, indiferente à celebridade futura, a peste ceifou-lhe a linda mulher e o querido filho. Casou segunda vez, passado um ano, com a mulher (seria linda como a primeira?) que, de Estugarda, o acompanharia na fuga aos franceses, para regressar à Nuremberga natal.
Pachelbel nascera em Nuremberga. Nasceu com o Barroco já bem maduro. Em 1653. Aprendera, dizem que fascinado, música italiana. Protestante, inspirava-o a música religiosa católica, que conhecera em Viena. Foi professor do irmão mais velho de Johann Sebastian Bach. De alguma maneira, como se costuma dizer quando nos pomos a adivinhar, terá influenciado, nem que tenha sido por essa via familiar, o Bach que nós achamos que é Bach.
O Canon não é o meu classic weepie favorito: ando a ver se decido entre o Für Elise, Adagio de Albinoni, duas ou três coisas de Bach que não digo o nome para não me envergonharem, Uma furtiva lágrima de Donizetti, a Manhãzinha ou a Canção de Solveig do Grieg no Peer Gynt e se calhar nem é nenhuma destas. Mas o Canon e Giga em Ré Maior para três violinos e violoncelo é uma bela massagem que se mete pelas vértebras e chega ao coração. E é uma lição de vida. Desprezando o nosso actual politicamente correcto, o Canon ensina-nos o valor da repetição.
Basta repetir bem, diz-nos suavemente cada um dos violinos. Repetir uma vez como faz o segundo violino, repetir a repetição na inultrapassável demonstração de humildade do terceiro violino. Cada violino se abre como janela para o violino que se segue, ao contrário da teoria das mónadas “que não têm janelas” sustentada G.W. Leibniz filósofo, matemático e contemporâneo alemão de Pachelbel. Pode ser, como sugeria Leibniz, que as substâncias simples e inextensas sejam as verdadeiras substâncias. Pois hoje, o Leibniz vai direitinho para a estante. Os repetidos acordes dos violinos de Pachelbel é que são a verdadeira substância.
Nesta interpretação, instrumentos, materiais e estilo tentam reproduzir as condições da época.
As duas metades de um corpo

Quem cantou o Sexo Todo Poderoso foi Edna St. Vincent Millay. Cantou-o em verso e em público, na cama e fora da cama. A mãe dela, Cora, despachou um pai impertinente e, sozinha, criou Edna e as irmãs com hinos à natureza humana. Com a franqueza e sinceridade que nenhum ministro das finanças, nem mesmo o nosso heróico Centeno, há-de ter, Cora disse isto um dia: “Sou uma slut e criei as minhas filhas para serem umas sluts.” Ora bem, a semântica do português não faz justiça à gíria americana: slut está entre puta e vadia, termos moralizantes e depreciativos, que não honram o livre gosto do impreconceituoso amor desta mãe e filha, Cora e Edna, no começo do século XX, há cem anos.
Poeta amadíssima, como é raro acontecer a poetas, e logo mulheres, Edna era pequena, linda, duas destacadas colinas ao peito, um cabelo púrpura, e deslizava pelo mel do amor como hoje os louros adolescentes surfam as águas da Nazaré, em vertigem e a bater records. Dou um exemplo: Edmund Wilson, escritor, viril divulgador de Faulkner e Hemingway, de Rimbaud e T.S.Eliot, já tinha 25 anos e só uma ejaculação a ler um livro, o que o assustara e levara a consultar o médico, quando perdeu com ela a virgindade, assim descobrindo o esplendor e luz perpétua do sexo, do qual se tornou mais fanático do que eu pelo meu glorioso SLB.
Edna deu a provar à língua de Wilson o delicado óbolo, logo lhe mostrando da moeda as duas faces. O escritor descobriu que, deitando-se com ele, Edna não deixava de se deitar com quem queria, em particular com o seu melhor amigo, outro poeta, John Peale Bishop, colega de universidade em Princeton, como ele soldado na I Grande Guerra. Terá havido estupefacção, como se chamava à surpresa em 1914, choro e ranger de dentes. Prefiro trazer aos meus leitores um momento de lânguida ternura.
Edna decidiu viajar para a Europa e despediu-se dos dois amados, a quem chamava “os meus meninos do coro do Inferno”. Com aquele mórbido gosto que todo o Casanova tem na ruptura, despediu-se deles no quarto. Deitou-se nos braços dos dois, oferecendo a Bishop o seu corpo da cintura para cima, a Wilson da cintura para baixo, pedindo que lhe prodigalizassem firmes gentilezas e a doce gota da cortesia, cada um devendo provar que tinha ficado com a melhor parte. Eis o que me parece ser um programa para um mundo melhor, pelo qual merecem erguer-se estandartes e sonhar amanhãs que cantam.
Num dos seus mais belos poemas, Edna cantou essa amorosa dissolução: “Que lábios meus lábios beijaram, e onde, e porquê, / Já não sei, nem que braços repousaram / Sob a minha cabeça até amanhecer…” Procurava amantes muito jovens, cuidando que não se encontrassem à sua porta e rifando-os depois com magnanimidade. Chamava-lhes “frescos destroços de naufrágio” quando vinham uivar à sua janela. Muito gostando, para o resto da vida, de Wilson e de Bishop, sempres lhes reprovou que, por ela, não tivessem espatifado a sua amizade masculina.
Casou com um industrial holandês de café que amou e a amava com uma liberalidade que faz espécie a este nosso tempo de assexuada vigilância raivosa. Outro poeta, George Dillon, mais novo 14 anos, foi a sua última aventura. Traduziram juntos As Flores do Mal, de Baudelaire. Não invento, foi Edna que escreveu: beijar a boca de Dillon era tão macio como beijar o mamilo de uma rapariga. Mas Dillon fez o que só Edna podia fazer: rejeitou-a. Antes dos 40, Edna via desvanecer-se o seu prodigioso poder erótico. Nos últimos 20 anos de vida, morfina, álcool e drogas vieram dormir à sua cama.

Publicado na minha coluna “Vidas de Perigo, Vidas sem Castigo”, no Jornal de Negócios
A Morte

Faltavas tu. Esta Página Negra tem estado à tua espera. Mais cedo ou mais tarde chegarias. Tu mesma, A Morte, a ceifeira, a senhora de branco. Pensa-se que sim, mas não, não és tu que matas. Somos nós que morremos em ti.
Não te invejo a dura sorte, a veste quimérica, a gadanha cruel, o rosto torcido, munchiano, o silêncio imperturbável. Não falas, sopras. Um sopro cansado. És, de certeza, alemã: Der Müde Tod*.
Descansa agora: deves estar esgotada. Trazes um cansaço labiríntico, de milénios.
És menos cruel do que se julga. Vi-te uma noite, no sono, imóvel no meu sono. Come seeling night…**, vem, vem assim, ó noite de olhos vendados. Percebi que não és tu que matas. Morremos sim do medo frio e cinza de te ver. Um medo dos diabos planta-se no meio do sono. Um medo que nunca se teve, nunca se tem, nunca mais se voltará a ter na vida. No meio do sono, um frio antárctico, o coração arrepanhado, o corpo crispado como as ruínas de uma casa. E tu olhas, olhar apócrifo, para as frágeis paredes de carne, as veias entupidas. Olhas como quem pensa, estática, dentro de um véu de desespero, as abruptas dores do sono: the pains of sleep***.
Nunca te vi na morte dos outros. Compreendo que seria um embaraço. Por cortesia, para que ninguém se mortifique, foges da melancolia dos funerais. Vi-te a cavalo, a pé, camuflada numa lenta carroça. E o que vi, vendo-te, é o espectáculo da mais triste solidão. De uma desolada fealdade. Segue-te, como banda sonora, o ímpio urro sem remorsos. Não te invejo a sorte. E menos invejo a agonia de todos irmos morrer em ti.
Chegas agora. Vens juntar-te às delicadezas e indelicadezas que já habitam esta Página Negra. Chegas, anjo nocturno, casamento único de céu e inferno. Contigo, que outra coisa pode ser a Página Negra, que não seja uma anfitriã gentil: vai sentar-te à mesa, contar-te-á sonhos, rêveries que a tua eterna e imutável insónia nunca te permitirá ter. Uneasy lies the head that wears a crown****. É essa, uneasy, intranquilíssima, a tua cabeça, cabeça-coroa-de-espinhos, em que não cabe, nem pousa, a tiara de sono ou sonho. Sobre de ti ou de ti irradia sempre e só a pálida luz bruxuleante, azulada, infeliz.
Descansa agora Müde Tod, minha cansada morte. Esquece os túmulos, os vermes, a terra. Goza um minuto, um minuto que seja, um minuto de cristal, de tempo fora do tempo. Aceita um lindo epitáfio: so shall my walk be close to Death***** ( que eu traduzo livremente por “possam os meus passos roçar a Morte“) e deixa-te levar, não recuses o doce abraço de mármore, vem tu morrer um bocadinho em cada um de nós.
* A Morte Cansada, título do filme de Fritz Lang, da fase alemã.
** Shakespeare, Macbeth III, 2
*** título de poema de Samuel Taylor Coleridge
**** Shakespeare, Henry IV, Part Two, III, 1
***** Variação sobre verso de William Cowper — So shall my walk be close to God – do poema Walking with God.
A guerra e a paz

Bica Curta servida no CM, 5.ª feira, dia 29 de Agosto
A estatística da guerra e da paz dá boas notícias ao mundo: nos últimos 28 anos, em guerras civis, guerras entre estados, guerrilhas e terrorismo, ou seja, em todas as guerras morreram pouco mais de 81 mil seres humanos por ano. Comparado com o século XX é prodigioso o progresso da humanidade: no século XX, a média foi de dois milhões e trezentos mil mortos por ano. Brutal.
A guerra era das principais causas de morte de adultos: a terceira. Hoje é a 28ª e faz 16 vezes menos mortos do que os acidentes de viação. Em 2018, os mosquitos mataram 10 vezes mais pessoas do que a guerra. Digo eu: a globalização empurra-nos para a paz.
