Porque é preciso virar a página

Peço imensa desculpa por uma certa alegria quase infantil. Mas estou mesmo contente com os livros que a Guerra e Paz editores publica em Janeiro. Apresento-os em duas linhas: com a objectividade que tento copiar desse certeiro mestre polaco que é Robert Lewandowski.
E desculpar-me-ão se eu der um abraço, de o levantar do chão, ao meu amigo Paulo Nogueira, portuguesíssimo brasileiro, que aceitou o meu desaustinado desafio, respondendo-me em tempo recorde, ou não fossem todos os lugares de fala. Que belo livro, Paulo!
Um desabafo. Passei, durante uns valentes anos, por muitas dificuldades para segurar viva esta editora, que a insolvência de um distribuidor pôs de rastos e de morte anunciada. Podia ter desistido. Hoje, sabe-me ao néctar dos deuses apresentar um alinhamento destes. Em Fevereiro, prometo que há mais.
Obrigado à equipa (Zé, Ilídio, Américo, Inês, Carla, Maria José e Mário) que se bate com a garra e o pulmão de um Renato Sanches.

Nas livrarias a 11 de Janeiro:

Estes já estão disponíveis

Atlas do Holocausto: A Execução dos Judeus da Europa, 1939-1945
Georges Bensoussan 
Esta é a História dos factos, dos locais, dos métodos: o Atlas de uma viagem aterradora ao coração do crime nazi, um crime sem precedentes. Texto e mapas de um genocídio.

A Pessoa e o Sagrado
Simone Weil

Cuidado, esta Simone é a Weil, com W e não com V. Morreu na II Guerra Mundial e era indomável. Em Portugal, teve uma epifania mística e este livro interroga as nossas ideias básicas de direitos humanos. 

Poemas Eróticos da Antiguidade Clássica: Grécia e Roma Antigas
Organização de Victor Correia

Os mais belos poemas da Grécia e da Roma antigas, pelos melhores tradutores, oferecem um panorama deslumbrante da sexualidade clássica. Que inveja, nestes tempos de novos puritanos!

História de Juliette ou As Prosperidades do Vício
Marquês de Sade

O melhor romance de Sade. Monumental, desbragado e subversivo. Sade transgride aqui todos os tabus e a sua heroína, Juliette, mergulha além dos limites, como se o corpo humano fosse inesgotável.

O Peso Perfeito para Si
Alexandre Fernandes

Sim, é um livro de dieta, uma dieta de 21 dias, mas é uma dieta com uma condição, a de uma revisão emocional: as suas emoções e sentimentos são a chave do êxito.

Nas livrarias a 25 de Janeiro:

Estes estão a caminho

Breve História da Filosofia Moderna: De Descartes a Wittgenstein
Roger Scruton

A tradição filosófica ainda é o que era e, com a apresentação de Roger Scruton, a tradição filosófica de Descartes a Wittgenstein ainda é melhor do que era. A grande filosofia ocidental explicada com clareza e fluidez.

Todos os Lugares São de Fala: Manifesto pela Liberdade de Expressão
Paulo Nogueira

Na era da cacofonia estridente das guerras culturais, este Manifesto quer ser um santuário da liberdade de expressão. Será hoje a liberdade de expressão um luxo em extinção? Não perca nem um capítulo deste livro irreverente e insolente. Escreveu-o com inteligência e brio o meu amigo Paulo.

Carta à Geração Que Vai Mudar Tudo
Raphaël Glucksmann

Que raiva! É tudo apocalíptico, o clima, o populismo, o mundo financeiro. É o fim do mundo e parece que ninguém pode fazer nada. Este é o grito de revolta, o apelo à geração que pode e vai mudar tudo. 

A Intransigente Defesa da Arte: Transcrição de Um Julgamento Sórdido
Oscar Wilde

Em tribunal, na Inglaterra vitoriana, Oscar Wilde é acusado de um crime: ser sodomita. Mais do que debater sexualidades, Wilde faz do tribunal um teatro para uma portentosa defesa da total liberdade da arte.

E, como disse o Presidente Marcelo, inspirado certamente pelo slogan da Guerra e Paz desde 2006, tudo isto porque é preciso virar a página.


Em Janeiro, nove livros e meio, por favor

Pediu-nos, por favor! Foi 2022: veio falar com a Guerra e Paz editores e pediu-nos, por favor, um grão de erotismo que espantasse as sombras da feia pandemia. Por isso, em Janeiro, trazemos aos leitores a mais bela antologia de Poemas Eróticos da Antiguidade Clássica, que Victor Correia, formado pela Pontifícia Universidade de São Tomás de Aquino (ora bem!), subtil e lascivamente organizou. Para que não fosse um acto solitário, juntámos-lhe a obra maior do mais célebre dos presidiários, o Marquês de Sade, a majestosa e carnal Juliette ou As Prosperidades do Vício, romance de potente libido que nunca ninguém lerá de um fôlego.

Outro presidiário, outro transgressor: de Oscar Wilde, na colecção Livros Negros, vão poder ler A Intransigente Defesa da Arte: Transcrição de um Julgamento Sórdido. Nunca tinha sido publicado assim em Portugal. Se calhar, no mundo. Ou de como de um pântano de acusações e intrigas surge a mais esplêndida defesa da criação artística. Arte livre contra todos os servilismos.

Dois livros vibrantes, dois manifestos contemporâneos abrem também Janeiro. Um vem de Franças e Araganças e é a Carta à Geração Que Vai Mudar Tudo, de Raphaël Glucksmann, um hino à acção. O outro é de Paulo Nogueira, jornalista do finado e saudoso O Independente: Paulo, que não é de Tarso, escreveu Todos os Lugares São de Fala – Manifesto Pela Liberdade de Expressão, um intempestivo e, por vezes, hilariante Livro Vermelho, que faz braço-de-ferro com a famigerada cultura woke.

Woke ou não, por causa de inóspitas obesidades, O Peso Perfeito para Si, de Alexandre Fernandes, é o nosso livro prático do mês.

Os mortos desafiam-nos a pensar! Ressuscitámos Simone Weil, a mística Simone Weil, publicando um inédito seu em Portugal, o belíssimo A Pessoa e o Sagrado, perturbante interrogação dos direitos do Homem. Do filósofo Roger Scruton, falecido faz agora dois anos, resgatámos, em nova edição, a sua essencial Breve História da Filosofia Moderna. E há os mortos que já ninguém ressuscitará, mas que nos educam para o futuro. Atlas do Holocausto: A Execução dos Judeus da Europa, 1939‑1945, de Georges Bensoussan, é um guia insubstituível e rigoroso do Holocausto, essa devastação nazi da II Guerra Mundial.

É assim Janeiro, várias gotas lúbricas, a turbulência de manifestos, a exaltação do grande pensamento. E íamos para o décimo livro, distendidos, puxar de um charro, mas alto lá que fica para Fevereiro, deixando Janeiro com nove livros e meio, se faz favor.

O Editor
Manuel S. Fonseca