Os piores inimigos

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Eva Kor com um dos seus torcionários, no julgamento em que testemunhou contra ele

Bica Curta servida no CM, 3.ª feira, dia 9 de Julho

Não há nenhuma ironia, só beleza na morte de Eva Kor. Judia, sobrevivente de Auschwitz, Eva veio morrer, agora, à mesma Auschwitz, aos 85 anos, na sua visita anual ao infame campo de morte nazi.

Mais do que reclamar ajoelhadas desculpas, Eva prodigalizou perdão. Vítima das experiências bárbaras do médico Mengele, Eva proclamou que devemos perdoar aos nossos piores inimigos. Criou, em Indiana, na América onde vivia, um museu para lembrar e perdoar. No amor ao inimigo encontrou, disse, a sua libertação. Explicava: para o amor não é preciso legislação, nem governos, cada um é soberano. Eva bebe agora a bica cheia da eternidade.

Stairway to heaven: de zeppelin a zappa

 

Começa como uma balada. Acaba em apocalíptico hard-rock. Primeiro romance, depois matança. Mas é uma grandessíssima canção de uns ingleses marados que davam pelo nome de Led Zeppelin. Robert Plant cantava com voz e cabelos, Jimmy Page desunhava-se no (talvez) mais mítico solo de guitarra da história do rock. À canção, tocaram-na de todas as maneiras e feitios. Ninguém melhor do que os autores. Mas gosto muito do “tribute” irónico, desconstrutivo, desarmante, que Frank Zappa lhe dedicou. De Zeppelin a Zappa, estamos a falar de gente séria, com escadinha para o paraíso.

Jonathan Demme

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Por favor, deixem-me contar-vos como é que conheci, nunca o conhecendo, Jonathan Demme. Coisas do século passado, já tinha escrito sobre ele para o “Expresso”, a propósito de um filme estimável, “Melvin e Howard”, pequena delícia monocasta, todo feitinho em cima de um único e improvável fait-divers: quem o viu sabe que é o filme de um tipo que, na highway 95, pára para dar uma aflita mijinha e encontra estatelado numa valeta, se assim se pode dizer, o ultramilionário e incógnito Howard Hughes, que espatifou a moto em que vinha a zunir. Para começo de conversa é mais do que bem caçado. Jonathan Demme caçava e bem.

Poucos depois, e não foi para dar uma aflita mijinha, vou a Los Angeles. Aboletei-me, nesses anos 80 do século XX, em Westwood, bairro selecto e universitário, todo encavalitado na UCLA. E mergulhei nas salas de cinema.

Os cine­mas de que eu mais gostava fica­vam ao lado de uma gela­ta­ria drive-in. Lembro-me: de carro em carro, as sau­dá­veis per­nas das moci­nhas gira­vam, ágeis e velo­zes, em cima de patins. Transfigurados anos 80, na irreal Los Ange­les.

Naquele tempo, via os gené­ri­cos dos fil­mes até ao fim. Nesse cinema de Westwood, ecrã cheio de nomes, últi­mos acor­des da banda sonora, de repente leio em mili­tan­tís­simo português, “A Luta Con­ti­nua”. Por cima, a figura de um velho guer­ri­lheiro ou, quem sabe, um jamai­cano cer­zido a reggae.

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Sem­pre des­con­fiei que o pas­sado se dana por nos pre­gar par­ti­das, mas nunca o ima­gi­nei a atropelar-me, em L.A., no “Something Wild”, de Jonathan Demme. O filme começa com Char­lie (Jeff Dani­els), exe­cu­tivo cer­ti­nho que esconde um grão de rebel­dia no mais acrisolado dos seus ven­trí­cu­los. Almo­çou rapi­di­nho e, revolta de menino, sai rapidinho sem pagar a conta. Lulu (Mela­nie Grif­fith) viu e gos­tou. More­nís­sima, franja negra a reiterar o nome, boca de fru­tos ver­me­lhos, Lulu vai dar guita à rebel­dia de Char­lie. Mal dá conta e Char­lie está como Deus o man­dou ao mundo, em sítio onde Deus não cos­tuma estar e se dis­pensa que esteja. Char­lie já tem um par de alge­mas a prender-lhe as mãos à cabe­ceira da cama, Lulu está de lábios e mãos livres, o indesculpável pecado das pernas, a dar-nos vontade de estar onde está, não sei se humilde ou humilhado, o rebelde Charlie. Chega de humildade e pequemos: com a guita com que estão, Charlie e Lulu voam tão alto como os papa­gaios da minha infân­cia. Coi­sas des­tas sabem bem e, depois de a lín­gua as tocar, quem é que quer saber de empre­gos e famí­lia. Char­lie já não quer e é nisto que o cinema dá vinte a zero à vida.

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“Something Wild” começa assim, ame­ri­cano, mas a grande surpresa vem no fim. A música do genérico amarra-nos o rabo à cadeira, e deixamo-nos ficar a ver os mil nomes dos técnicos até que, num por­tu­guês que nenhum americano na sala beijou, inalou ou fumou, surgiu um gigantesco “A Luta Con­ti­nua”. Onde, Demme, é que foste buscar isto, este “A Luta Continua”, que me fez chei­rar África e, de África, a more­nís­sima Angola, Lulu dos meus 20 anos? Nem emprego, nem famí­lia, lembrei-me da noite da independên­cia de Angola, 11 de Novembro de 1975, em Novo Redondo, a bater estrada, como Howard Hughes (querias, não querias?) a caminho de Luanda. Noite dor­mida em cama de estre­las, céu e mar, os miú­dos das Fapla a faze­rem das Kalaches o fes­tivo fogo-de-artifício. A luta con­ti­nua e, olha Char­lie, se aos 20 anos não fores anar­quista, aos 40 nem chefe de bombei­ros hás-de ser.

Enganei-me no sabor a África de “Something Wild”? Li, e acho que ainda anda pela Wikipé­dia, que a frase, repe­tida por Demme em “Mar­ried to the Mob”, “Silence of the Lambs” e “Phi­la­delphia”, seria tri­buto ao 25 de Abril. Estra­nhei: não parece, não é, a língua dele.

Vai daí, um dia apa­nho o Demme e o Neil Young a tro­ca­rem pra­ze­res per­ver­sos e cul­pa­dos. O Neil Young dizia os fil­mes favo­ri­tos dele, o Demme respondia-lhe com a sua lista de canções preferidas. E eis que o Demme esco­lhe o jamai­cano Big Youth e dele um álbum com título em por­tu­guês: “A Luta Con­ti­nua”. Big Youth e Demme falam o mesmo idi­oma, falam reg­gae. Ao reg­gae, a Luta Con­ti­nua che­gou de Angola e Moçam­bi­que, via Miriam Makeba. Sem África, Demme nunca teria assi­nado em por­tu­guês, mas com can­tado sotaque jamaicano, o final dos seus fil­mes.

Não me enga­nei quando, num cinema de L.A., a boca me soube a África. No fim do filme, já muda­dos, Char­lie e Lulu reencontram-se. Queixa-se ele de que ela não lhe che­gara a dizer adeus. Ela jura: “Claro, eu nunca te quis dizer adeus”. Nem eu à terra morena da luta continua, nem a ti Jonathan Demme, que nos morreu no dia 26 de Abril de 2017.

E a luta, meu kamba? Há dois anos que nos deixaste para aqui com o “Silêncio dos Inocentes”, o “Married to the Mob”, o “Philadelphia”, deixaste-nos para aqui com o intenso, leve e adorável canibalismo familiar de “Rachel Getting Married”, mas e a luta, a luta não continua?

 

Não matarás!

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Eugen em tribunal com todo o seu charme

O quinto mandamento, versão talmúdica ou católico-romana, era uma auto-estrada por onde Eugen Weidman entrava, imparável, a zunir e em contramão. Não matarás! Mas Eugen matava, matou com gosto, e mataria sempre e mais se não lhe têm posto o corpinho com dono.

Eugen nasceu na Alemanha e matou em França. Nascimento fofo, criado nas palminhas por avós que o cobriam de ternura adâmica, os pouco mais de 22 anos de Eugen depressa malham na cadeia por tentativa de rapto. Cinco anos de aturada pedagogia prisional e regressa à liberdade: está um homem de físico muito bem feito, um rosto de santo, um olhar de veludo. No calabouço fez dois amigos franceses. Em Paris, 1937, Eugen e os amigos alugam uma vivenda e apostam num negócio de lógica cafajeste: rapto e resgate.

A primeira vítima é uma bailarina nova-iorquina. Passeava uns incautos 22 anos pela adorável margem esquerda e deslumbrou-se com a desenvoltura física, a conversa de Eugen, rã saltitante de Goethe a Wagner, como de nenúfar em nenúfar. A bailarina escreverá a uma amiga, contando-lhe que ele vivia na mansão que Napoleão ofereceu a Josefina e prometera levá-la lá. Leva e, ó silêncio, já de lá não sai. As angélicas mãos de Eugen acariciam-lhe o pescoço, entusiasmam-se, ganham vida própria e sufocam-na. Antes tinham tirado fotografias inocentes, a fumar, a beber um intranquilo copo de leite. A jovem bailarina acaba enterrada no jardim da casa. Eugen tira-lhe da carteira 400 dólares em travellers cheques, se alguém ainda se lembra que raio é um traveller cheque.

Eugen rapta mais a seguir, homens e mulheres. Seduz pelas maneiras, pela graça. Em quatro meses, um tiro na nuca ou por estrangulamento, Eugen mata mais um, dois, três, quatro, cinco. Ele e os cúmplices descontam aqui mil, ali dois mil sórdidos francos, um anel mais caro.

Em Dezembro, ou não fosse Natal quando um homem quisesse, dois polícias vêm à mansão. Querem fazer uma pergunta a Eugen. Ele sorri – meu Deus, a educação deste homem, derrete-nos – vai à frente abrir a porta, mas volta-se de repente e a fusca, que trazia escondida, despeja balas. Um dos agentes tomba mas apanha do chão um providencial martelo. Arreia com ele na cabeça alemã de Eugen.

As fotos de Eugen, preso, cabeça entrapada, o sangue a perlar a magnífica camisa branca iluminam as primeiras páginas dos jornais. Os agentes só iam fazer-lhe uma pergunta, Eugen, mostrando não ser de segredos, confessa-lhes de rajada os seis assassínios. Com uma alegria despreocupada mostra-lhes os cadáveres.

O tribunal condena a duras penas os cúmplices, ao alemão matador dão de prenda a guilhotina. A 17 de Junho de 1939, a menos de dois meses da II Guerra Mundial, o sol das cinco da manhã a alumiar Paris, uma pequena multidão junta-se à volta da guilhotina, na rua à porta da prisão. A execução era pública. A multidão vibra, as mulheres gritam pelo sedutor Eugen num frisson de enlevo e excitação. Surge o belo alemão, há gritos e desmaios. O carrasco acomoda-lhe o pescoço na barra de madeira. Os 40 quilos da lâmina losangular estão lá em cima, quietos. O carrasco solta a corda que a prende e, num milésimo de segundo, a bruta lâmina viaja os dois metros e meio que a distanciam da cabeça de Eugen, separando-a do corpo criminoso. O sangue de Eugen jorra e as francesas correm a empapar lenços brancos: souvenir e, diz-se, promessa de fertilidade. Há fotografias, um filme feito da janela em frente. Foi a última execução pública em França. A civilização chegaria em 1977 com a extinção da pena de morte.

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Eugen ao ser capturado

Publicado na coluna “Vidas de Perigo, Vidas sem Castigo”, no Jornal de Negócios

 

Pontapé no traseiro

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Bica Curta servida no CM, 5.ª feira, dia 4 de Julho

Mas que grandes pontapés tem levado o traseiro do passado. Vêm os activistas sociais e chutam, vêm os identitários étnicos e lá vai pontapé, vêm o arco-íris dos géneros, os vigilantes savonarolas da linguagem correcta e zás, enfiam o elegante sapato no vetusto cu do passado. Eis o pontapé: o passado foi burro e mau como as cobras, é culpado, o passado tem de pedir desculpas.

Mentem. Devíamos era tomar mais bicas com o passado. Se nos sentamos neste sofá do presente, com menos pobreza, menos mortalidade infantil, mais conhecimento, é por estarmos sentados em cima dos ombros de gigantes do passado. Sem passado, caímos no abismo.

Nem vais acreditar

E já que estávamos aqui com a mão na deposição de Cristo no túmulo, juntemos as mãos para assistir à criação de Deus pela insatisfeita e perplexa humanidade.

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É um bocadinho estranho que haja quem acredite em Deus. Mas o que é mesmo bizarro é que possa haver quem acredite que não acredita.

Acreditar em Deus é ser um menino, ter sonhos de astrónomo que até muda a posição dos planetas, ter medo dos trovões ou de que ela, “tão linda que ela é!”, nunca vá gostar de mim, e poder dizer, “ó meu Deus, dá-ma inteirinha, toda, que eu prometo ser muito bonzinho!

Acreditar que não se acredita em Deus é uma coisa de miúdos impertinentes, que se julgam muito espertos por descobrirem que já não há Pai Natal e por andarem a dizer coisas muito feias sobre a Capuchinho Vermelho. Enfim, aquele género de miúdos que esfolam o joelho e se põem com cara de pau em vez de chorarem e já passou.

Na verdade, há um sentido de acreditar em Deus em que ninguém acredita. Nem mesmo o Papa. É o Deus homenzarrão, todo nu e só com umas barbas que parecem estar a arder. Perguntei na minha rua, na pastelaria da esquina, na oficina, nos dois cabeleireiros que não se podem ver nem mortos, e as pessoas acreditam em Deus como numa mousse de chocolate, como se fosse a afinação do motor que vai pôr esta máquina a rasgar como uma seta, como a doce massagem ao couro cabeludo. Todos me disseram que não é Deus quando atropelamos uma pessoa com o nosso carro, nem é Deus (embora pareça) que escreve a poesia de Herberto Helder. As pessoas sabem. Deus é um miminho que só se mete na nossa vida quando o chamamos. Em geral, quando andamos mais aflitos.

Estas pessoas, que são, todas, meninos bonzinhos, acreditam em Deus à confiança. Não precisam de estar a perguntar se Ele existe ou não, ou se é Ele com letra grande ou ele com letra pequena. Ouviram dizer e acreditam. Leram histórias e acreditam. Sabem, dos milagres “é verdade!”, e acreditam. Não se vão dar ao trabalho desagradável de ler Platão ou São Tomás de Aquino e fazem bem porque o que é bom é acreditar.

Por amor de Deus!”, dizem elas, as pessoas da minha rua, com orgulho por continuarem a ser como os pais deles, os pais dos pais, os pais dos pais dos pais. São, já perceberam, pessoas que não se envergonham dos pais que tiveram e que os apresentam às outras pessoas, mesmo às mais finas, sem estarem a dizer “ai, desculpem lá que eles são um bocadinho saloios e têm medo de fantasmas.” A mim dá-me uma grande alegria não se deitar fora uma família com mais de 2.500 anos. E sei que é mais, mas não consigo arranjar fotografias.

É por isso que me fazem aflição, não os que não acreditam (nem a Madre Teresa acreditava!), mas os que acreditam que não acreditam. Será que não viram que os que acreditam estão quase todos a fazer de conta? Alguns dos que não acreditam viram, mas o que querem mesmo é acabar com esse jogo da imaginação. Percebe-se. Quer dizer, é irritante. Só não se percebe que não percebam a inteligência da brincadeira e tentem fazer-nos crer que não é um lindo fazer de conta em que tanto se inspiraram os outros faz de conta que são a poesia, a pintura, o teatro, a música. Até mesmo os faz de conta que é fazer cidades, dar horários aos comboios e cozinhar como Jamie Oliver.

Para que faça algum sentido eles acreditarem que não acreditam, os que acreditam que não acreditam precisam de fazer passar os que acreditam por totós. “Olha, aquele acredita!” e apontam e é feio.

Tentam fingir que os que acreditam não sabem que acreditam no que sabem muito ter sido inventado com a imaginação delicada de uma menina que veste vestidos à boneca. Às vezes a boneca veste um vestidinho escolástico, outras vezes renascentista, às vezes despe-se com audácia iluminista.

Há uns (tenho mesmo um nome na ponta da língua, mas não digo), que não querem que se vistam mais vestidos à boneca. Temos de estar sempre a lembrar-lhes que, assim, não se tem o prazer de a despir, levantar um bocadinho o virginal manto à bonequinha cristã, tirar a burka à islâmica, desenrolar o sari sarapatel à budista.

Acreditar-se que não se acredita, mesmo que se tenha razão (mas razão em quê, se ninguém “acredita”), é a coisa mais chata e “desimaginativa” que pode haver. É como provar que a poesia não tem valor científico – “pronto, leva lá o raio da bicicleta, ó meu génio da matemática!

Ainda se os que acreditam que não acreditam, acreditassem que não acreditam de faz de conta, mas não, eles garantem que é científica a sua negação e que mesmo que um dos outros meninos seja bom cientista, bom político, bom poeta, só pelo facto de acreditar já é menos brilhante ou nem cintila de todo.

Os que acreditam, sabem que acreditam em histórias inventadas pelo tetravô grego com caos e noite e dia e que depois o trisavô judeu começou a contar uma história com milagres, espinhos, um calvário e não sei quantas bem-aventuranças. E sabem que há tetravôs chineses e indianos, árabes. E sabem sobretudo, sem se zangar e pôr a cara de pau de quem tem os joelhos esfolados, que foram estas histórias que nos fizeram amar como às vezes amamos, odiar, salvar, matar, socorrer, louvar, queimar, inventar, ou seja, conjugar os verbos regulares e irregulares, transitivos e intransitivos, na mais louca e imperfeita sinfonia, a única em que, afinal, nos soubemos e saberemos cantar.

Todo o crente é um fingidor. Finge tão completamente, que chega a fingir que é crença, a crença que deveras sente.

Sabe a cativação

 

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Foi aqui que aprendi o significado de “cativar”. Queria dizer outra coisa. Aproveito para fazer publicidade. Esta é a edição da Guerra e Paz de O Principezinho. Traduzi-a eu com o meu amigo Rui Santana Brito. É a única com capa em fundo negro, em Portugal. 

Bica Curta servida no CM, 4.ª feira, dia 3 de Julho

Reversões e reposições salariais foram a passadeira vermelha pela qual António Costa se passeou, geringoncial, dando petisquinhos à boca dos portugueses. Parecia emendar os cortes cruéis de Passos Coelho. Ora, já dizia o outro, a Terra move-se. E ao mover-se deixa a descoberto as catacumbas das cativações. Passos proclamava cortes na praça pública. As cativações, furtivos cortes de Centeno, cosem-se às paredes clandestinas.

Passos quis que o povo soubesse que estava em austeridade. A cativação fecha-se no gabinete e não toma a bica democrática com o povo. Cativado o açúcar, pode o povo não apreciar o sabor amargo do café.