Blog de escrita e de reflexão lúdicas. Um lema: chatices não!
Author: Manuel S. Fonseca
Eis a felicidade: estar sentado num fim de tarde de Verão, na mesa um fino estarrecedoramente gelado e um prato de jinguba. E Deus sentado, ali ao lado, sendo certo e sabido que Deus é Amor e só Amor.
Foram sempre uma segunda escolha, mas eram os maiores dos poetas menores. Os Ten Years After tinham Alvin Lee, o “mais rápido” dos guitarristas de qualquer banda rock. Escuso de lembrar que esmagaram Woodstock com o seu fabuloso e blueish “I’m Going Home”.
No meu estreitíssimo e serôdio imaginário entraram, em 1970, com esta canção. Em casa, na praia, nas esplanadas da Ilha, no Liceu antes dos jogos com a Escola Industrial, no carro do meu pai, onde fosse, os primeiros acordes de “Love Like a Man” vinham-me à cabeça – you rolypoly all over town — e punham-me a cabeça em fumo e fogo. When you flash those eyes to me.
Em 2001, os especialistas confirmaram-na como obra de Michelangelo. A estrutura física e as proporções de ossos e músculos deste Crucificado corresponderiam ao estilo do artista, e o estilo é a assinatura. Agora, a compra da escultura pelo estado italiano reabriu a autoral controvérsia. Mas suponhamos para o que interessa que sim, que é de Michelangelo Buonarroti.
A datação da escultura em madeira determinou que deverá ter sido criada em 1492. Michelangelo, seu presumível criador, tinha então 18 anos, mas já razoável experiência de estudo anatómico de cadáveres exumados de cemitérios e igrejas.
Na cruz, um Cristo nu. Jovem e moldado por um jovem. Nem o corpo do crucificado, nem as mãos do escultor mostram sinais de conhecer o sofrimento, a tortura da carne, o desolado abandono. A verdade é que n Evangelho de João, presumível relato de relato do apóstolo que ficou à beira da Cruz, a assistir à morte do Filho, também narra assim, em silêncios e pose branda, a crucificação no Calvário.
Era o mais jovem dos apóstolos. Só os ausentes, inspirados no relato do também ausente Mateus, introduzem as notas dramáticas e a convulsão angustiada do corpo que sofre.
Lucas fala de um grande grito e de uma exclamação de alívio: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”. Igual é o dramatismo dos relatos de Marcos e Mateus: contam ambos terem caído trevas sobre a terra, rasgando-se as cortinas do Templo enquanto se fendiam rochas e as sepulturas se abriam.
Nenhum destes sinais de martirologia é visível na madeira policroma do Cristo nu de Michelangelo. Vemos confiança na carne, na sua incorrupção, na preservação de uma harmonia eterna, tudo marcas do optimismo desabrido e orgulhoso dos 18 anos: de Michelangelo? Fosse quem fosse o escultor, desconhecia a agonia e quis negar a morte. Paradoxalmente é o mais cristão dos propósitos.
Bica Curta servida no Cm, 4.ª feira, dia 26 de Junho
Salazar despedia ministros mandando-lhes um miserável bilhete pelo motorista. The Press 87, editor inglês do escritor francês Pascal Bruckner, despediu o seu autor por e-mail curto: nem para uma bica o convidou! Bruckner escreveu “Um Racismo Imaginário” e tem opiniões desassombradas sobre o fundamentalismo islâmico.
O editor, muçulmano, jura defender a liberdade de expressão e a independência ideológica, mas escuda-se na pressão dos leitores, que terão acusado Bruckner de suposta islamofobia. E ele, claro, lava as mãos como Pilatos: em vez de ser editor é uma câmara de eco. A acústica da liberdade de expressão caiu na lama.
A quem é que Tennessee Williams terá chamado uma “sweetly vicious old lady”? É conversa de escritor. Deveria, por isso, ter como alvo outro escritor. A pérfida citação visava, creio não estar errado, um escritor rival, Truman Capote. Seria uma forma pérfida de se tratarem (ou destratarem) se o estilo, o ritmo da frase, o subtexto (ah, pois) não concedessem inescrutável transcendência a tamanho bofetão. Confesso, se os termos forem sempre estes, alguma respeitável paixão pela infâmia.
E agora que já preambulei, entro directo na matéria: os meus livros.
Há um livro de patíbulos e de piratas que a misericórdia divina cedo me colocou nas mãos e de que serei eterno e desvairado leitor. Escreveu-o, em estilo deliberadamente barroco, um escritor cego, de Buenos Aires.
Nesse livro, a que o autor chamou “História Universal da Infâmia”, o meu maior motivo de deleite é um pequeno conto de que é herói Billy the Kid, o assassino desinteressado.
Um tiro feliz e cobarde catapultou-o para a fama. Billy disparou, coberto por uma barreira de homens temerosos, contra El Diego, um odioso mexicano que entrara no saloon gritando as boas noites a todos os gringos filhos de uma cadela que estavam a beber.
Billy morreu, pouco mais do que uma criança, aos vinte e um anos, o exacto número de mortos que, “sem contar os mexicanos”, como escreveu Borges, devia à justiça dos homens. Liquidou-o, sem glória nem ódio, o xerife Pat Garrett, seu amigo.
Em Fort Summers, sentado e meio-escondido numa arcada obscura, Garrett disparou, antes de lhe fazer qualquer pergunta, acertando-lhe em cheio na barriga. Ao fim de horas de agonia, Billy the Kid morreu – os habitantes da small town fecharam-se em casa, cortinas corridas até que, e nem uma mosca se ouvia, exalasse o último e assassino suspiro. Depois, em Fort Summers e arredores os precários habitantes exibiram-lhe longamente e com ferocidade o cadáver. E Jorge Luis Borges, o escritor cego que é seu autor, com desditada ironia conclui: “Ao quarto dia enterraram-no com júbilo”.
Do que é que eu gosto – e gosto despudoradamente – nesta história? Do puro prazer narrativo com que Borges a trata, convite para a lermos como se fossemos a velhinha docemente viciosa, que era o que Tennessee Williams chamava a Truman Capote.
Sem falsos moralismos, nem desculpas, quinze vezes levada ao cinema (a penúltima foi no “I’m Not There”, onde é uma das personae de Bob Dylan; o último, “The Kid”, com Dane DeHaan e Ethan Hawke a fingirem de Kid e Pat) a história de Billy the Kid converte o abominável em sublime. O que, se estivéssemos a ler as notícias do dia ou a consumir telejornais, nos pareceria apenas torpe e hediondo, ganha na literatura (por vezes nos filmes e tantas vezes nas canções) a grandeza piedosa e épica da lenda.
Bica Curta servida no CM na 3ª feira, dia 26 de Junho
Phyllis Chesler foi violada na ONU. Proeminente feminista, buscou apoio no seu movimento e contou à líder, Gloria Steinem. Empurraram-na para o silêncio. O violador era diplomata da Serra Leoa e mulher branca não acusa homem negro: o labéu do racismo mancharia o feminismo. Só as mulheres negras beberam a bica com ela.
O feminismo caiu na armadilha de outro racismo. É anti-semita e camufla o sofrimento das mulheres islâmicas. Recomendaram a Phyllis a mordaça. O feminismo ocidental só luta se o adversário for branco, de preferência de direita. Cala-se se o caso mete minorias étnicas. É cobarde, diz Phyllis, sua heróica militante.
Aos 13 anos, Nelson começou a escrever reportagens policiais no jornal de que seu pai era director
Voltar a este texto é, para mim, como rezar pai-nossos e avé-marias quando era adolescente. Rezava-os, consolado pela remissão dos pecados a que, assim, podia voltar com redobrado vigor e de alma limpa. Eu pecador a Nelson Rodrigues me confesso. O texto sofreu, como sofriam esses pecados, refinamentos perversos. Anda a ser escrito desde que me estreei na blogosfera e até pelo velho Expresso já passou. Esta é a versão longa.
Nelson, Rodrigues, O Anjo Pornográfico
por Manuel S. Fonseca
“Ou a mulher é fria ou morde. Sem dentada não há amor possível.”
Estava no meio de um almoço e entre generalizações eu disse que gostava de ser um escritor. “Batata!” reagiram os amigos com comiseração. Não é um escritor quem quer. Só é um escritor quem a biografia ajuda.
Dou o exemplo do pernambucano Nelson Rodrigues. Biograficamente ele vai ser sempre carioca, prova ululante que só depois de vivermos muito é que devíamos decidir onde nascer. Para o que conta, para ser um escritor, Nelson nasceu no Rio, viveu carioca e carioca morreu.
É só o começo. Um escritor inventa. Nelson inventou o moderno teatro brasileiro ao escrever a peça Vestido de Noiva e ainda teve tempo para inventar, com seu irmão, jornalista desportivo, o derby de futebol do Rio, o Fla-Flu que ainda hoje, da campa onde se enerva, ele deve ver com muito distorcida paixão pó de arroz, fluminense portanto, já que, como jurava Nelson, “a morte não exime ninguém de seus deveres clubísticos”.
Mas não é isto o que quero dizer. A biografia tem de dar certo muito cedo. Nelson tinha catorze irmãos. Ter catorze irmãos, esta sim, é já uma asserção bíblica, um arranque literário. No Rio foram morar na Rua Alegre, e só o nome da rua é um facto biográfico de indisfarçável volúpia. Nelson era menino, poucos anos. Os vizinhos, naquele tempo, eram uma família. Mas um dia, a vizinha do lado, dona Caridade, entrou sem bons-dias pela casa de Nelsinho e declarou à mãe de catorze descendentes: “Todos os seus filhos podem frequentar a minha casa, dona Esther. Menos o Nelson.” O que Dona Caridade disse a seguir, é dito por quem sabe que está já a subsidiar uma vocação literária: vira Nelson aos beijos em cima dos três aninhos de sua filha Odélia. Não em pé ou de lado; em cima. E acrescentou um sublinhado pormenor, em movimento. Qualquer um dirá: imaginem o que vai ser este Rodrigues sabendo-se que, sem nunca se ter posto em cima, Fernando Pessoa é quem é.
Prenúncio da tragédia carioca de que Nelson faria a sua dramaturgia, foi a redacção com que o futuro cronista assombrou a professora e uma inteira escola primária. O menino escreveu uma história de adultério. Contou, na sua infantil redacção, como um marido, com pressa de chamar “meu anjo” à esposa amada, chega mais cedo a casa e a surpreende nua, estendida de oferecida na cama, enquanto um vulto, insolente mas só um vulto, saltava virilmente pela janela para a madrugada indiferente e cálida. Sem perder um milímetro de tanto amor, faca cega na mão, o marido mata a mulher e tomba ajoelhado aos pés da cama, a pedir-lhe “perdoa-me por me traíres”. Estava em jogo uma biografia: a escola não deixou que ninguém lesse a redacção do menino, mas concedeu-lhe um prémio, prevenindo glória futura.
Aos 13 anos, Nelson começou a escrever reportagens policiais no jornal de que seu pai era director. Num dia de Natal, final dos anos 20 do século que passou, com falta de assunto para primeira página, o pai e outros três irmãos mais velhos, todos jornalistas, decidiram que a matéria de abertura seria o desquite de um casal de pública celebridade. (Já havia jetset e “famosos” no Rio de Janeiro dos anos 20.) No dia seguinte, a dama visada avançou com toda a sua ofensa pela redacção. Não encontrando o patriarca, viu Roberto, o irmão mais velho, e puxou o gatilho do revólver novinho da compra dessa manhã. Não sei se, antecipando o estilo de Nelson, ela terá dito: “Tome o seu presente de Natal!” À frente dos olhos de Nelson, a tragédia carioca consumou-se: o irmão morreu e o pai agonizaria 67 dias depois, consumido pela dor e por uma trombose cerebral. Nesse dia, Nelson só queria uma coisa: morrer. Ferida biográfica, nunca mais sarou.
Mesmo sabendo que não se pode amar e ser feliz ao mesmo tempo, Nelson Rodrigues amou. No começo, com a maturidade dos 14 anos e numa lógica inatacável, apaixonava-se por actrizes e dormia com prostitutas. Eram amores de beijos e soluços. A bailarina argentina de olhos azuis, a estudante de Copacabana, a professora de Ipanema. Dividiu com o irmão Joffre a paixão por outra bailarina, Eros Volúsia – vejam: com nomes e factos biográficos destes é fácil ser-se escritor.
Já a Rua Alegre lhe tinha dado ajuda em matéria sentimental. Nelson sempre lembrava o sujeito de bigodinho (pode ser que não tivesse, diria ele se aqui estivesse) que a mulher xingava à vista do bairro todo. Uma humilhação multiplicada, de anos. Um dia o sujeitinho débil desamarrou a culpa e, também na rua, bem no meio dela, bateu. De cinto, até. A vizinhança correu para o espectáculo: “bate mais, bate mais” pediam as mulheres. E ele bateu com a euforia de um anjo ressentido, até se cansar. Não foi só o mulherio que aplaudiu. Ela, sofrida e orgulhosa, atirou-se-lhe aos pés e desatou a beijá-lo. “Toda mulher gosta de apanhar” filosofou o adolescente Nelson.
Sexo e morte, sublime e sórdido – que outra coisa é que pode ser uma biografia? Casou. Um dia, regressando ao jornal o Globo, depois de cura no sanatório, disseram-lhe: “Tem uma mulher na redacção, 19 anos, moradora do Estácio e dura na queda”. “Pode deixar, está no papo” disse logo o desleixado e indolente Nelson. Era Elza, meia-siciliana, com uma família que a Nelson nem vê-lo, numa rejeição que põe logo uma mancha de honra numa biografia. Casaram-se clandestinos, no horário de trabalho, comemorando a torradas e café com leite, e jurando que noite de núpcias só com o casamento religioso. Cumpriram. Descasariam muito mais tarde. Depois de outros dois casamentos dele, voltaram a casar. Quando Nelson morreu, Elza, ainda em vida, colocou como lhe prometera, o nome na lápide ao lado do nome dele, logo debaixo da inscrição: “Unidos para além da vida e da morte. É só.” Porque, como toda a sua obra reclama, amor que acaba não era amor.
“Pode deixar, está no papo” disse logo o desleixado e indolente Nelsonsira um título
Podia continuar: a biografia de Nelson Rodrigues é inultrapassável de copiosa. Angustia-me uma pequena dúvida: foi mesmo a biografia que o obrigou a ser o escritor que é, criando um imaginário de sexo punido e punitivo, traição, incesto, crueza, sentimentos torturados, ou é por ser o escritor que é, que Nelson Rodrigues teve esta biografia excessiva, auto-paródica, isenta de tédio e tão terrivelmente cheia de quotidiano?! Mas parece que não é bem assim e há muitas reservas…
Sim, mas há quem ponha reservas a Nelson, segredam-me. Por patriotismo linguístico, rejeito a mínima reserva, aviso já. Nenhuma reserva a Nelson Rodrigues é permitida, autorizada, mesmo a título de omissão presente ou intenção futura! A mínima reserva a Nelson é pecado mortal.
Reserva política? Atire a primeira pedra o que souber resolver o dilema de quem era amigo de generais e pai de guerrilheiro.
Reserva artística? O teatro, coisa e tal? Mas vejam e quem não viu porque não pode, leia que foi o que eu fiz, o “Álbum de Família”! Oh, o fim do 2º acto com Guilherme disparando o revólver sobre a irmã Glorinha – duas vezes, meus amigos, duas vezes – com ciúmes do pai. E leiam a “Engraçadinha!” e as crónicas. Desmesurado, injusto, contraditório, isso tudo e mais o que seja, o autor carioca foi sobretudo alguém que revelou — antes do tempo — algumas armadilhas do pensamento então dominante (se me permitem destaco dois dos maiores equívocos do pensamento político-mediático da altura, Sartre e Dom Hélder da Câmara, que ele tratou como duas bestas quadradas). Abençoadamente incorrecto nessa matéria, Nelson foi correctíssimo a escrever sobre o tumulto das relações familiares e amorosas. Adivinhou tudo: o dead end da classe média, o inferno dos traumas familiares, o fim de um mundo baseado na lentidão dos “bondes que não chegam nunca”.
Foi ele mesmo que disse: “O artista tem que ser génio para alguns e imbecil para outros. Se puder ser imbecil para todos, melhor ainda.” Sejamos unânimes e concedamos a Nelson o estatuto de “melhor ainda” que é o que faz dele um dos maiores prosadores da língua portuguesa do século XX. Não se me ponham a olhar para os lírios do campo: olhem mas é para cada uma das frases dele e delirem com a adjectivada justiça que as molda, rindo-se das substantivas injustiças que porventura contenham. Ah, o que ainda hoje, saudosa, a língua chora por ter perdido a desarvorada excitação e afrodisíaca surpresa de um amante assim. Faz-lhe muita falta um homem lá em casa. À língua.
a desarvorada excitação e afrodisíaca surpresa de um amante assim
Vem aí um programa de televisão que começa logo por nos sobressaltar com o título: Mil palavras não fazem uma árvore. Eu tenho, é claro, de fazer declaração de interesses: a autora do programa é minha autora na Guerra e Paz editores.
É já na próxima 5.ª feira, na RTP 2, à meia-noite em ponto. A Eugénia de Vasconcellos fará nesse dia a primeira de 13 entrevistas a personalidades ligadas à cultura portuguesa.
Falamos na 5.ª para combinarmos ver juntos.
Quando escrevi o que aqui escrevi sobre Manet e Ticiano, devia ter feito justiça ao modelo inicial, à primeira representação numa tela de larga escala (um metro e oito por um e setenta e cinco) de uma Vénus em total e abençoada nudez. Pintada por Giorgione, pintor que se funde coma Veneza do seu tempo.
Vénus adormecida
Antes de Ticiano (que terá finalizado o quadro por morte de Giorgione), por mais que a mão tape, ou porque tanto a mão tapa, o que esta adormecida Vénus reclama é o nosso olhar. Mesmo que feche os olhos ou, por isso, fecha os olhos.
É Vénus, mas de Veneza, duma cidade rica, católica e insolente. Ainda é Vénus, como poderia ser a Virgem se a Virgem pudesse ser pintada nua. Ainda é Vénus mas já é o corpo de uma mulher. Ticiano, levando-a para o interior da casa, deitando-a no leito conjugal como dama despida, completou essa lavagem do olhar.
Mas sem Veneza, sem a sensualidade e liberdade de Veneza, “cidade das mil e uma noites do catolicismo” como Sollers a chamou, não teríamos aqueles olhos fechados, aquela Vénus adormecida. Madame de Pompadour terá perguntado a Casanova, numa noite de Paris, “Você, vem lá de baixo, não é?”. E Casanova, gentil “Veneza não é lá em baixo, é lá em cima, Madame!”