Os olhos de Monica Vitti

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Não me atrevo à injustiça de clamar que já não ninguém nesta enorme sala que ainda se lembre de quem era Antonioni. Há e não só os frequentadores da Cinemateca – não sei quantos se lembram, mas pelos braços levantados parecem-me ser mais do os dedos de duas mãos. E, com sorte, lembram-se também os que, inspirados pela peregrina e longínqua ideia de eterno feminino, ainda guardam, e sempre vão guardar, naqueles olhos que a terra há-de comer, a silhueta da mais sofisticada e nórdica das italianas, Monica Vitti.

Michelangelo Antonioni e Monica Vitti encontraram-se pela primeira vez num filme perturbante, austero e escasso, que deu pelo nome de “L’Avventura”. Preto e branco, franciscanamente financiado, quanto mais não fosse porque o realizador se limitava a dizer aos produtores que era a história de uma rapariga que desaparecia numa ilha desabitada e que nunca mais ninguém encontrava. E, dito isto, não dizia, nem sob tortura, mais uma palavra.

A mais bela história da rodagem, onde não é descabido aludir, para estar de acordo com o espírito de Antonioni, a esses fantasmas da imaginação a que chamamos o Mito, o Mistério e o Eterno, aconteceu em Lisca Bianca – a tal ilha deserta – quando, no horizonte, a alguns quilómetros, surgiu uma tromba marinha, uma espécie de gigantesco cone invertido. Lá vinha ele, ameaçador, em direcção a Lisca Bianca. O cineasta decidiu incorporar a “aparição” no filme e estava disposto a tudo (danassem-se céus e infernos) para ter a imagem mais próxima que pudesse.

LAvventura

Mas a bela Vitti de olhos verdes, quando a população local que trabalhava na equipa, lhe disse que se a tromba ali chegasse os poderia arrastar a todos, entrou em pânico. “E che si fa?” perguntou. Um dos homens, Bartolo, tinha dons e sabia la parola, uma reza ritual que poderia atalhar a tromba marinha. Pode bem ser que os leitores desta breve nota sejam leitores de pouca fé, mas fé e crença era o que a Vitti mais tinha e aqueles seus esplendorosos olhos verdes logo ali imploraram a Bartolo que usasse o dom. E conta a tão bela como tremente Monica Vitti: “Ele olhou-me, seriíssimo, depois, levantou a perna esquerda e cruzou-a com a direita, fez o sinal da cruz, murmurou a fórmula e, acreditem ou não, a tromba desapareceu. Michelangelo, que era céptico quanto aos poderes de Bartolo, começou a atirar-se a ele, a insultá-lo e a ameaçá-lo de despedimento”.

 Serve o vídeo abaixo para que recordem a “incomunicável” beleza desse filme que foi o primeiro da famosa “trilogia da doença dos sentimentos” – “L’Avventura, La Notte, L’Eclisse – que Antonioni assinou.

Carta Aberta a Marcelo

Por amor aos livros, no que se deseja que não seja apenas um gesto quixotesco para conseguir que os nossos filhos e netos continuem a alimentar no livro a sua imaginação, a sua afectivdade e o seu conhecimento, um editor, que por acaso também é o dono desta Página Negra, escreveu esta Cara Aberta ao Presidente Marcelo.

loucos

 

Carta Aberta
ao Presidente da República Portuguesa

Presidente Marcelo,

Dê-nos mais bebés. O país inteiro, Senhor Presidente, pede-lhe mais bebés, e a Guerra e Paz, Editores, por razões egoístas, mas benignas, junta-se ao coro. Dê-nos mais bebés, Presidente Marcelo! Conhecendo e admirando o seu espírito voluntarioso, não lhe pedimos que seja o Presidente a fazê-los, pondo em alvoroço milhares de lares portugueses. Mas conhecendo todos, e todos admirando a sua veia inovadora e o seu azougado dinamismo, pedimos-lhe que inicie uma campanha que lance os portugueses e as portuguesas nos braços uns dos outros para que uma nuvem de mil cegonhas cubra os céus de Portugal.

Atrevemo-nos a sugerir que, a partir de agora, o Presidente Marcelo, num acto de discriminação positiva, só faça selfies com casais que apresentem sinais exteriores de estado interessante. Estamos certos de que, num salto de fé, um milhão de portugueses se apressaria a mergulhar na cálida enseada em que é preciso mergulhar-se para que nasçam bebés, com o mesmo entusiasmo e lírica graça com que já o vimos a si mergulhar nas fecundas águas de tantos rios e praias de Portugal.

Eis, senhor Presidente, o lema para a próxima fase do seu mandato: «Já se fazem, outra vez, bebés em Portugal.»

Permita-nos, Senhor Presidente, que confessemos as nossas razões particulares para o termos vindo desinquietar nestes propósitos. Vaidade de pais babosos, achamos que temos a mais bonita colecção do mundo de livros infanto-juvenis. Chama-se «Os Livros Estão Loucos» e foi feita à sua imagem e semelhança: são livros cujo exterior, pintado à mão, causa logo o mesmo oh! de espanto e alegria que o belo bronzeado do seu rosto provoca aos portugueses; por dentro, são livros tão imprevisíveis como o Senhor Presidente, nem sempre vão escritos por linhas direitas e podem até obrigar os jovens leitores a andar com a cabeça à roda se os quiserem ler, como o Senhor Presidente faz tão bem a jornalistas ou a políticos.

Mas que livros são esses, exige-nos agora saber? São clássicos, como clássicos são os melhores modelos que inspiram a sua acção política. «Os Livros Estão Loucos» são adaptações de Shakespeare ou de Cervantes, por exemplo, o Robinson Crusoé, o Romeu e Julieta, o Oliver Twist ou o último, o Dom Quixote. Tal como o Senhor Presidente tem adaptado a Portugal as lições dos grandes estadistas do passado, colorindo-as à sua maneira, nós adaptámos estes clássicos de forma a que os jovens leitores, dos oito aos 14 anos, tenham aqui a mesma sensação de frescura e aventura que o Presidente Marcelo teve, pequenino e bem antes de ser Presidente, quando se atirou pela primeira vez às bravas ondas do Guincho.

A Guerra e Paz, Editores, em pouco mais de um ano, fez nove filhos, estes livros que estão cheios de aventura, de irreverência, de cores e até de algumas provocações. E veja, estimado Presidente, com os seus próprios olhos, se não são bonitos! Há uma geração que está já a lê-los. Mas não queremos que, amanhã, estes livros fiquem tristes, na solitária estante, sem os leitores que merecem ter. Presidente Marcelo, dê-nos hoje os bebés que hão-de ler estes «Livros Loucos» amanhã.

Presidente, aconselhe o nosso Primeiro, mande recado ao Parlamento: que os portugueses se amem para que o país se encha de alegria e possamos voltar a ver as ruas cheias de risos e filas e filas de felizes catraios a cantarem «Que linda falua, / que lá vem, lá vem, / é uma falua, / que vem de Belém.»

Dê mais bebés a Portugal, Presidente. Nós já temos os livros que os hão-de encantar. «Os Livros Estão Loucos» do presente sonham com os jovens leitores do futuro, e o futuro está na sua mão.

Esquerda e direita

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Frequentei as casinhas da esquerda o bastante para dizer que muitas vezes paira por ali, entre a salinha de estar e o caótico quarto, uma enorme dificuldade para se conviver com a beleza e, sobretudo, com a felicidade.

Em muito avarandado de direita pode até acontecer que, na piscina, se dispa tudo mas, com alguma frequência, o preconceito e a rigidez na relação com o “outro” são mais inamovíveis do que os muros de um castelo.

Mas não amarmos, à esquerda e à direita, é que não é solução. Porque, como disse o poeta:

A vida é bela, sem dúvida:
sobretudo por não termos outra,
e sempre supormos que amanhã se entrega
o corpo que já ontem desejávamos.

Jorge de Sena, Exorcismos

Não se pode amar e ser feliz ao mesmo tempo

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Anaïs Nin e Henry Miller

Amor que acaba, nunca foi amor. Amor que é amor é eterno e não faz batota: amor que é amor nunca acaba.

Quem cantou a ideia de “amor único” foi Nelson Rodrigues, cronista brasileiro que, em “A Cabra Vadia” ou “O Óbvio Ululante”, escreveu com ortográfico desacordo um português querubínico. A Nelson sempre o atormentava a mesma nostalgia, a nostalgia do amor único e eterno. O amor do menino pela menina da porta ao lado, que começa aos 12 anos e dura a vida toda, o amor dos amantes que se matam, consolados pela vertigem duma paixão que os dispensa, sem cerimónias, de prestar contas ao mundo ou aos homens, a Deus ou ao Diabo, ao Céu ou ao Inferno.

Mas dito isto, pergunto: será que estamos preparados para os extremos inclementes de tanta paixão? Ou será que o amor eterno, o amor único, é apenas literatura?

E se a paixão for vil ou mentirosa, ou luminosa e efémera como um relâmpago, é menos paixão? Deixem-me dar exemplos. Literatura por literatura, basta-me como exemplo a volúpia dos encontros proibidos de alguns escritores. Anaïs Nin e Henry Miller tiveram o mais vicioso dos romances, ali mesmo, nas barbas do marido de Anaïs, sem que jamais ele suspeitasse. Era menos amor o amor deles por causa da mansa e traída fidelidade desse homem para cujos trémulos braços, no fim, a escritora voltou, acusando Miller de reduzir as mulheres à contingência biológica de “um buraco”?

Foi menos amor o desesperado e maldito “affair” em que F. Scott Fitzgerald, esquecendo a sua deprimida Zelda, se entregou a Dorothy Parker, ainda que, nessas brevíssimas e ternas noites, a Dorothy apenas a inspirasse uma profunda compaixão?

O amor que acaba não era amor, quis ensinar-nos Nelson Rodrigues. Mas também foi ele que disse “não se poder amar e ser feliz ao mesmo tempo”. Nelson, Nelson, com um veneno nos matas, com outro veneno nos curas.

ah, essa voz escondida entre as palmeiras

georges-bizet
georges bizet

Ah, parece-me ouvir outra vez, escondida entre as palmeiras, a sua voz terna e sonora como o canto dos pombos. Oh noite encantadora, excitação divina, oh memória encantadora, louca embriaguez, sonho tão doce…

Eis o que, soubessem a minha boca e a minha cabeça cantar como cantam a boca e a cabeça de Michael Spyres, eu cantaria, feito um caçador de pérolas, a mando de Georges Bizet. Não inventámos nada, não podemos inventar nada – pesa sobre nós uma beleza esmagadora, vulcânica, funda e insustentável.

Je crois entendre encore

Caché sous les palmiers

Sa voix tendre et sonore

Comme un chant de ramiers.

Oh nuit enchanteresse

Divin ravissement

Oh souvenir charmant,

Folle ivresse, doux rêve!

Aux clartés des étoiles

Je crois encore la voir

Entr’ouvrir ses longs voiles

Aux vents tièdes du soir.

Oh nuit enchanteresse

Divin ravissement

Oh souvenir charmant

Folle ivresse, doux rêve!

Charmant Souvenir!

Charmant Souvenir!

 

Nem Placido Domingo canta melhor esta ária divina (subam o som):

 

A Star is Born

star

Eu tenho 65 anos. Já tive 20. Hoje, quando me deu o bilhete a tão bonita menina dos UCI Cinemas, do El Corte Inglès (será filha de angolanos? Deus abençoado queira que seja, para que possa ser, candengue, ainda minha prima, um bocadinho irmã ou maninha), t-shirt amarela de uma qualquer festa do cinema, e uma africaníssima tiara (chamemos-lhe assim) que lhe fazia tão bonito o maravilhoso cabelo crespo, que mesmo à distância enche de saudades do amor puro quaisquer dedos artríticos da mão direita, logo o sorriso dela, tão lindos alvos dentes, a contrastar com o escuro caramelizado da pele, me avisou que devia, correr não, que ao senhor lhe pode fazer mal, mas acelerar o passo: os 15 minutos de complementos estavam a acabar e o filme a começar.

Entrei no escuro, no escuro me sentei, e mal acomodado o rabo que já pesa, uma cadeira de intervalo para o casal ao lado, nem um odor de pipocas na sala, sai-me da guitarra de Bradley Cooper a energia de um solo como só, de finais dos anos 60 ao final dos anos 70, houve solos de guitarra. Partiu-se-me em duas a alma, que coração já não tenho. Se o Filipe Mendes estivesse vivo, ele saberia, como no campo das modalidades, basquete, andebol, hóquei do  Benfica de Luanda, numa noite negra dessa pretíssima ternura que só a África tem, lhe saiu um solo assim, rock ‘n roll anti-colonial, rock ‘n roll de uma desesperada, incompreensível, bêbada, janada fraternidade universal. A Phil Mendrix devo o solo da minha vida, a antecipada visão do rock ‘n roll e da América, bem antes de ter visto a inlocalizável e mítica América.

Começa assim A Star is Born. Eu, ainda mal sentado, a ver a fatelice dos nomes e dos logos da merda das produtoras independentes, e a faca de doze notas a espetar-se-me  no peito, nas costas, no ventre e no baixo-ventre. A filha da puta da guitarra a empurrar-me de felicidade para o querido fundo dos infernos, o guitarrista já meu ídolo, barbas e cabelos como a abundante amazónia dos anos 70, a cara dele, cara de Cooper, a lembrar-me Jeff Bridges, cheia de patética vida, mais pathos do que ethos, passado bem passado, sofrimentos de Jim Morrison, Led Zeppelin e Alvin Lee.

Eis como A Star is Born começa: desespero, pessimismo, cinismo, uma guitarra raivosa a querer destruir o mundo por não ser capaz de tomar conta dele. E vem logo, em linhas paralelas e três coincidências, mas pode bem ser que sejam só duas, o amor. O amor de A Star is Born é tearjerker. E que outro amor pode o amor ser, que não seja tearjerker? Que se foda o amor que não chora, envergonha, embaraça, como chora, envergonha, embaraça o amor de A Star is Born.

Lady Gaga e Bradley Cooper, os mais improváveis actores, são belos, narizes à parte, e são verdadeiros. O nosso amor, a nossa saudade do amor, a nossa necessidade de amor, a nossa carência de amor reconhecem-se no amor deles. Porque A Star is Born é só o cantado amor deles, e dizer que o é, não é spoiler, porque nenhum amor é spoiler, nem spoiler é a vaga nudez deles, nem são spoilers os beijos quase castos em que eles se comem de boca a boca, como de boca a boca o amor um dia nos comeu, até mesmo quando, spoiler e implacável, nos anunciou, exangue e de cerrados lábios, o fim do amor.

Vamos ao que interessa, se a verdade ainda interessa alguma coisa. Chorei desalmadamente a ver a personagem de Lady Gaga tentar, cantar, conquistar esse bizarro patamar a que chamamos êxito. A Star is Born é um filme que, como certas mangas estão cheias de polpa macia e doçura, está cheio (parte dele, pelo menos) desse desejo juvenil de realização de um sonho. Reencontrar esse sabor, essa aspiração, numa fórmula ou composição quase a roçar a ingenuidade, a inocência, é reencontrar a mais primordial e selvagem das emoções.

Egon Schiele

Schiele

O titilante laço vermelho que força os quatro buracos da capa e contracapa é de bom augúrio. Falo-vos de um pequeno álbum de 16,5 por 22 centímetros, cartonado e com selo da Prestel Verlag. O livrinho faz parte da série, “Erotische Skizzen”. Dos três que sei existirem, só tenho o de Egon Schiele, mas hei-de descobrir os que foram dedicados aos “esboços eróticos” de Picasso e Rembrandt.

Abre-se este “Erotische Skizzen Egon Schiele” e o sexo surge nu, exposto e vermelho. Uma nudez que impele e repele. Percebe-se que estes corpos, a roçar o grotesco, tenham provocado alguns amargos de boca aos austríacos do começo do século XX.

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Schiele era o protegido de Klimt – herdou-lhe a amante de 17 anos – e pintou numa claustrofóbica Viena a que Freud já começar a levantar a tampa. Casou, pintou a mulher como tinha pintado a amante e antes pintara as adolescentes que levaram os juízes a acusá-lo de sedução e abuso. Absolvido pelos tribunais, a Europa das artes sentenciou-o à genialidade de que esta erótica, aqui guardada em livro, é prova cabal.

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Diz-me agora que não tens medo

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La Guerre du Feu

A paixão que é o medo! O amor, o amor, pois claro, a cálida perna nua que se roça pela nossa correspondente nudez, a diligência investigacional com que indicador e polegar tacteiam um mamilo, como se fossem crianças de seis anos a brincar às escondidas… o amor, pois claro, mas nada se compara à paixão pelo medo.

Donde vem o fascínio pelo medo, que no cinema desemboca em Dráculas, noivas de Frankenstein, poltergeists, Nosferatu, chuveiro e faca de “Psycho”, lobisomens londrinos, tubarões de fracturantes mandíbulas, demónios nunca exorcizados?

O horror começou pela boca. Pela boca de mil Homeros que cantaram a matança da guerra; que inventaram Ciclopes para depois incensarem os ardis de Ulisses; que criaram o Minotauro para mostrar que se não formos Teseu, jamais nos incendiaremos de tesão.

O que as bocas humanas cantavam, à volta da fogueira ancestral, era o medo das outras mil bocas em uivos que as cercavam. No escuro paleolítico ardia a vontade de comer dos tigres de Blake, da intratável hiena, do leão que 130 vezes emerge nos versículos da Bíblia. O medo de que esses dentes sanguinários, garras em agulha, viessem rasgar a carne humana era o fundado medo de uma espécie indefesa, sujo corpo exposto de bicho fraco e humilde.

O nosso medo, hoje, é o eco do medo daquela multidão de bocas salivantes de desejo, prontas a estraçalhar-nos, quebrar ossos, decepar-nos uma perna, a limpar-nos – limpinho, limpinho – a jugular. A nossa má-consciência meteu a adorável bicharada no Jardim Zoológico. O deplorável catecismo da boa consciência – pan-pan onde antes era pum-pum – legisla direitos carnavalescos, enfeitando o visceral mundo da bicheza com fitinha éticas e laços natalícios para todos os animais de boa vontade.

Mas é ao fechamos os olhos, nos sonhos primordiais, que a velhíssima memória nos assombra de volta com o monstro: polifemos com seu olho na testa, a pequena cobra peçonhenta, o esmigalhante abraço da boa, do mar o Adamastor e seres bestiais com orelhas do tamanho de uma mula, narizes de quatro ventas, bocas de engolir caravelas.

Eis o alimento da nossa paixão: o medo do que não é nós. Medo homérico, bíblico, alimento de poetas, crianças e mães, que o homem caçador teve de fingir não ter. O medo foi o berço de toda a arte, os filmes de terror um dos seus ninhos.

nosferatu
Nosferatu

Publicado no Expresso