Meus Kambas: o Velho

Meus Kambas é uma varanda pequenina, com porta para a cozinha, que eu arranjei aqui, na Página Negra. Todas as semanas, ou mais ou menos, conforme os amigos apareçam, virá um amigo que eu convide sentar-se à trémula mesa dessa varanda, numa das cadeiras (na outra sento-me eu), para petiscarmos o que seja, uma alheira de caça que o forno faça suar, um queijinho de Serpa ou um que o meu cunhado me traga de Pinhel. Uma taça de tinto a riscar liquidamente a linha de horizonte.

Velho com gato

Já convidei vários amigos, eis que chega o primeiro. Fernando Jorge Machado Antunes será o que ele muito bem queira e o que, numa vida rica e cheia, construiu. Para mim é só o Velho, nome de guerra com que e pelo qual o conheci, naqueles anos de brasa que foram os anos da dipanda. Somos de Luanda, se ser de Luanda foi sonhar uma Nação, um Povo que soltasse algemas. O Velho sonhou muito e sonhou alto: deu o corpo ao sonho. Tanto que podia até granada ter sido seu caixão. Há gente assim, que poderia mesmo ter morrido em Angola para não morresse nunca em Angola.

Hoje, o sonho transformado em poesia, autor de Amores em LuaLis, o Velho, meu kamba, no seu modo descalço e caluanda, deambula pelas palavras, o amor de Luanda, inexclusivo, a amar tanto Lisboa. Pedi-lhe que escrevesse um texto e o viesse aqui conversar, a esta fragilíssima mesa da Palavra Negra. Eis o que ele nos quis dizer.

Fernando

LISBOA, ESTA MENINA JÁ MOÇA
Fernando Jorge Machado Antunes ( “Velho” )  

De uma forma empírica, avessa à filosofice da definição, pode-se dizer que uma cidade é cosmopolita, ou caminhará para tal, quando transcende a(s) sua(s) qualidade(s)  de dentro e se abre ao diferente e aos diferentes de fora. Quando passa a ser uma cidade do mundo, maior ou menor, mega ou a atirar mais para o mini. Não se preocupem, nem sintam comichões com desejos de precisão filosófica da definição. Que eu também não.

Escorrendo apenas pelo “lado bom da coisa” – que é sempre “coisa boa” – digamos, então, que  Lisboa abriu-se ao cosmos, fechada aos ismos dos tempos perigosos que correm. Beneficiou, é certo, das arestas quebradas e dos alicerces roídos de outros lugares, flagelados que foram pelos ventos semeados pelos que querem caos e não sossego.

E aproveitou. É a vida… Chegou a sua vez! Tocou os sinos, sorriu, convidou para comer e beber, que a sua comida só do cheiro enfeitiça o visitante, ajudando o bom vinho à degustatividade em trânsito fluído, sem “relevés” de maus circuitos. E abraçou, como sabe fazer, incondicionalmente hospitaleira (… contando, cá para nós, que não a piquem lá no duodeno dos seus). E porque é linda, na sua luz, sons e tons, cheiros e coisas suas.

Miscigenada, a caminho, arranhem-se os puristas, da mestiçagem.

Lisboa, terra, rio e mar

  Podia-te chamar Lisrio
num calafrio
de corpo e pele
Tejo, voz e mel
nos dedos, nos lábios
sábios
de melodias
todos os dias…
como se fosse lá na canção
fado da gente fugindo do não…
cheiro a gaivotas e canoa.

Podia-te chamar de Lismar
oceano de encorajar
gentes idas
mãos sorridas
sabor a cheiro
mar inteiro
estrela aos céus
sal dos choros teus…
como se fosse lá na poesia
sul num sol de fantasia…
ao leme de uma qualquer proa.

Podia-te chamar Lisluz
sol do rio que seduz
mestiçagem, perfume
lume
de aqui e de acolá
jacarandá
dias de cores
noites de amores…
como se fosse lá no cinema
cidade branca, azul e poema…
sol amigo e lua boa.

Podia-te chamar só Lisboa…

músicas negras: love like a man

alvin lee

Foi agora, no antecipadíssimo almoço de natal da Guerra e Paz editores. Comecei a provocar o Ilídio Vasco, ex-membro, para meu desgosto, de uma tuna académica, fuga demissionista que assim me impede de o seguir por aí em desgarradas e noites de estroinice. O Ilídio tocava pandeireta e guitarra, dançava e cantava. E logo descobrimos que temos outro músico e vocalista na equipa, o jovem Mário, que acaba de ressuscitar a sua banda das cinzas.

Começámos a trocar cromos e eu desenterrei guitarristas do passado, o Jimmi Hendrix, o Robert Plant e até uma memória caluanda do Filipe Mendes. O Mário, que andaria agora na tropa se fosse no meu tempo, conhecia-os tão bem como eu. Esmerei-me e consegui arrancar à Tundavala da minha memória um que ele não conhecesse. Consegui.

Eis Alvin Lee, dos Ten Years After, inglesíssimo, o mais rápido guitarrista do rock ‘n’ roll quando a rapidez contava. A tocar assim, em Woodstock, com a “Big Red” Gibson ES-335 nas mãos, Alvin Lee ensinou-nos que a música se toca à velocidade da luz. 

Aqui, nesta canção memorável, tocada ao vivo, ele saca a mais bonita introdução de guitarra, do rock ou rock blues, de que me consiga lembrar. A este relâmpago pós-Woodstock chamou ele Love Like a Man.

António Lobo Antunes reencontra José Cardoso Pires

lobo antunes

Não sei se as portas de La Pléiade são, na literatura, as portas do céu. É o que vou perguntar a António Lobo Antunes amanhã, quando ele vier apresentar um livro que a Guerra e Paz acabou de publicar. Sei bem que as portas da Bibliothèque de la Pléiade são as portas da mais prestigiada colecção da literatura mundial. Só um número restrito de autores as pode franquear – por roçarem ombros, segundo a editora Gallimard, com a genialidade. 

Bastaria sabermos isto para amanhã invadirmos a sala a que António Lobo Antunes vem apresentar um livro que a Guerra e Paz editou. Mas os deuses, quando estão para aí virados, gostam de cumular de bençãos os seus heróis e António Lobo Antunes, há poucos dias, no México, ao entrar num anfiteatro pejado de estudantes os encontrou a todos envergando t-shirts com o seu nome, num daqueles momentos de pura alegria que não costumamos associar à literatura.

Bastaria sabermos também isto para que não se coubesse na sala do Palácio Galveias amanhã, às 18:00, quando António Lobo Antunes começar a falar. E, não obstante, há uma razão ainda maior do que a glória e a aclamação para nos juntarmos todos, às 18:00, amanhã, 2ª feira, dia 10 de Dezembro, no Palácio Galveias,

Maior do que a glória, maior do que a ovação da multidão é a amizade. E às 18:00 de 2ª feira, dia 10 de Dezembro, António Lobo Antunes vai reencontrar, num livro, o seu amigo, o amigo a que chama irmão, cujo nome é José Cardoso Pires. Em público é a primeira vez que voltam a aparecer juntos, depois de, levado para portas de outros céus, Cardoso Pires se ter despedido. 

O livro chama-se José Cardoso Pires e o Leitor Desassossegado. Escreveu-o o meu autor Marco Neves. Tem apresentação da professora Maria Fernanda de Abreu, que tão bem conhece a obra do autor de O Delfim. Mas nenhum deles se importa que eu diga que, mais do que a apresentação de um livro, vamos assistir ao momento íntimo, infinitamente gentil, que é o reencontro de dois amigos, António e José, cada um senhor das suas portas do céu. Que se abrem assim, para nós: até amanhã para ouvirmos o que António há-de, num murmúrio, dizer ao ouvido de José.

  

Os sinais de fumo da realidade

MBDTHHA EC011

Eis o que faz do cinema uma arte, o involuntário humor da realidade. Cinco histórias.

A vingança dos índios. O produtor do western “Fabulous Texan”, esganado de autenticidade, contratou índios autênticos para criarem os sinais de fumo com mensagens correctas. Os índios foram impecáveis e o produtor desfez-se em agradecimentos. Diz-lhe um: “Oh, foi fácil, aprendemos a fazer os sinais com os vossos westerns.”

Casamento proibido. O produtor de “That Hagen Girl” fez um teste com público antes da estreia. Numa cena, Ronald Reagan dizia, com voz de manteiga, à namoradinha da América, Shirley Temple: “Casas comigo?” A sala veio abaixo com um raivoso coro de “Oh, não, não, não.” A cena foi cortada do filme.

Os donos de Casablanca. Os manos Marx pensaram numa sátira ao glorioso “Casablanca”, de Bogart e Ingrid Bergman. Os manos Warner, produtores do original, inquietaram-se, ameaçando com um processo. O intelectualíssimo Groucho Marx respondeu-lhes: “Não sabia que os irmãos Warner eram os proprietários de Casablanca. Mas mesmo que decidam reexibir agora vosso filme, julgo que o espectador médio vai conseguir, com o tempo, distinguir Ingrid Bergman de Harpo Marx.”

À bomba ou a tiro? Os americanos não papam a realidade nua a que os europeus se obrigam. Vejamos. Em 1946, no atol de Bikini, fizeram o ensaio atómico que mitificou o local. Roubando o nome à personagem a que Rita Hayworth deu o corpo que a divina genética lhe desenhou, chamaram Gilda à bomba atómica. Fantasia nuclear.

Agora, o cru realismo europeu. O filme “La Bataille du Rail” homenageava a resistência francesa. Os meios eram precários, não havia acessórios, nadinha, nem balas simuladas. Os figurantes eram mesmo resistentes e, numa cena de ataque a um comboio, disparavam sobre uma carruagem com balas reais, supondo-a vazia. Lá dentro, o técnico de som, Constantin Evangelou, escapou por um triz com vida.

De onde vem a música? Hitchcock não queria música no seu “Lifeboat”. Era o filme de um minúsculo salva-vidas na vasta solidão do oceano. O espectador, irritou-se Hitchcock, vai perguntar, defraudado, de onde raio é que vem a música. David Raksin, compositor lendário de Hollywood, ripostou com lógica: “Que me diga onde raio é que, no meio do oceano, pode estar a câmara, e logo lhe direi de onde vem a música.”

bataille du rail

publicado no Expresso

Xi Jinping e os beijos de Natal

wonderfullife

Eis uma reflexão que a visita de Xi Jinping tornou mais actual e premente. Suspeito que 2018 venha a confirmar que estou a converter-me num perigoso anti-consumista. A coisa acentua-se, ano a ano. Com excepções, mas anti-consumista quand même. A suspeita agiganta-se quando se aproxima esta quadra de boa-vontade. Crescem as saudades de mais Natal e menos prendas. Para ser sincero há anos que me sabe melhor a lareira acesa do que a elástica e ubíqua generosidade do Pai Natal. Nem sequer estou a ser ingrato: as simples conversas, sem trincheiras nem terrenos minados, dos  jantares e almoços de amigos, da Guerra e Paz, o mergulho familiar, têm-me dado alegrias e consolo. Quero mais este ano.

E chegado aqui, rectifico. O anti-consumismo é uma má desculpa. O que acontece é que prevejo em cada presente uma ameaça cruel e primária. Nos que recebo e nos que ofereço. Temo não gostar e tenho medo de que não gostem. E é neste ponto que a ajuda da imensa civilização que está por trás de Xi Jinping nos mostra que há lições na alteridade.

Vejamos. Em cada presente, em cada embrulho, no colar que escolhi a pensar no aveludado decote, no alarido da gravata que me dão, há uma escolha e há um gosto que pedem aprovação. Quando se desatam os laços, se rasga o papel natalício, os livros, uma camisa, um cinto, mesmo uma garrafa de vinho ou um pijama irrompem com desconsideração na euforia da meia-noite. E nesse momento, nessa 25ª hora, aflige-me pensar que os recebam mãos desiludidas e que no rosto amado surja um esgar de inconfidente rejeição. Muito pior, temo que sejam minhas essas mãos, esse esgar.

A China tem regras de cortesia que evitam esse nosso dilema e constrangimento. Inclino-me a pensar que os chineses, nesta matéria, demonstram uma enorme superioridade civilizacional: só abrem os presentes depois de se retirar quem os ofereceu. Reconheço-lhes a civilizadíssima razão. Não fora os beijos sem fim que perdem… O ritual dos beijos pós-prendas lavam-nos a face e redimem a angústia do penalty que é abrirmos ou abrirem cada presente.

Nunca trabalharam

Lenine

Tem dias. Dias em que me apetece correr os estereótipos a pontapé. Outros dias em que beijaria o primeiro estereótipo que me saísse debaixo da pedra a que tivesse dado um pontapé. Dou um exemplo, esse lugar-comum, essa frase batida, «les beaux esprits se rencontrent», que tem uma variante portuguesa plebeia, a saber, «os extremos tocam-se». Topo com esse estereótipo e estava capaz de lhe morder a orelha com um apetite de Mike Tyson ou de o pôr KO ao primeiro gancho de esquerda, fosse eu Muhammad Ali.

Mas foi uma raiva que logo engoli quando me pus a pensar que Adolf Hitler e Vladimir Ilitch Ulianov, mais conhecido por Lenine, nunca trabalharam. Hitler viveu de pensões que lhe permitiram viver em Viena de Áustria a roçar o cu pelas paredes e Lenine às custas da mãe que o financiava, permitindo-lhe a sua carreira de revolucionário profissional. Nunca trabalharam. Une-os o elo, o festivo laço do estereótipo.

HITLER/JAEGER FILE

O livro é uma prenda de Natal perigosamente infectada de passado

Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.
Dito de outro modo, a Guerra e Paz não é Luis XIV e muito menos o Estado sou eu. Mas confesso que entre mim e a Guerra e Paz há um conflito de interesses, afectos e até mesmo de uma certa permeabilidade genética. É só por essa razão, que são três, que eu copio o email que “eles” (ou ela) mandou à Imprensa e aos amigos. 

Sugestões de Natal II

O livro é uma prenda de Natal perigosamente infectada de passado
Guerra e Paz editores

A Guerra e Paz editores não se atreveria a sugerir que no Natal se oferecessem esses anacrónicos objectos chamados livros. É uma tecnologia antiga e as pessoas que entram em contacto com ela arriscam-se a sofrer emoções fortes. As autoridades têm feito todos os esforços para erradicar pessoas atingidas por esses artefactos do passado, mas infelizmente ainda é possível verem-se vítimas agarradas a esses pedaços de folhas revestidos por uma capa rindo-se perdidamente, chorando copiosamente, enternecendo-se sem a desculpa de nenhum advérbio de modo.

Mas, por se saber que há ainda uma comunidade significativa de sinistrados, e sucedendo-nos ter recebido cerca de cem e-mails (não estamos a contar sms, nem tuíteres) a pedir conselhos na escolha de livros da Guerra e Paz para oferecer no Natal, somos forçados a meter-nos na máquina do tempo. Só não sabemos se estamos a viajar em direcção ao passado ou ao futuro.

Sublinho: os e-mails pediam-nos livros da Guerra e Paz editores. Foi o que nos pediram e nós, pelos amigos da Guerra e Paz e pelos nossos leitores, estamos disposto a arrostar com tempestades na terra, no céu e no mar.

E vamos lá ser sérios, escolher bem é escolher para alguém. As nossas sugestões foram, por isso, pensadas pessoa a pessoa, tomando em conta as idiossincrasias, que é como quem diz, o gosto e o feitiozinho de cada um.

O Luxo
A pessoa a quem quer oferecer um livro não só gosta de grandes nomes da literatura, Fernando Pessoa, Agustina, Jorge de Sena, como gosta de livros bonitos, que sejam uma festa visual, com materiais incríveis (até madeira, veja lá)? Ofereça-lhe um destes três livros: Tabacaria, Fernando Pessoa; As Meninas, de Agustina, com pintura de Paula Rego; O Físico Prodigioso, bela novela erótica de Jorge de Sena, com pintura de Mariana Viana.

Nacional, ou seja, o que é nosso
Mas se a pessoa a quem quer dar um livro privilegia o que é nosso, os nossos hábitos, costumes, as nossas tradições, nós temos uma colecção, É Nacional e É Muito Bom, da qual escolhemos estes títulos perfeitos: Almanaque Português Almanaque de Natal, Contos Tradicionais PortuguesesLendas de Amor Portuguesas. E acrescentamos-lhe, para transmontanos e nativos da beira transmontana, como é o caso do nosso editor, o Dicionário de Palavras Soltas do Povo Transmontano.

Riso, afecto e nostalgia
Mas é Natal e a pessoa de quem gosta quer é rir-se, festejar, encher o mundo de carinhos e abraços? Há três livros que são uma auto-estrada para:
a) uma noite de gargalhadas imparáveis e estamos a pensar no Pequeno Livro dos Grandes Insultos;
b) uma noite de expansões ternurentas e ai-tão-querido está já garantida com o nosso Pequeno Livro dos Cães Mais Famosos;
c) uma noite de saudades das férias grandes e das tardes livres cheias de aventura da juventude, é o que terá se ficar a ler e a folhear em família o Livro Perigoso para Rapazes.

Socialmente sério
Pois bem, mas há quem, mesmo no Natal – e, por vezes, sobretudo no Natal – esteja preocupado com o mundo em que vivemos e com o firme propósito de não cometermos no presente e no futuro os clamorosos erros do passado. Tem dois livros, o Manifesto Comunista e o Mein Kampf, livros acompanhados de textos de contextualização e muitas imagens para acertar as suas contas com a História. Não é só uma oferta séria. É uma oferta seriíssima.

Ah, os insubstituíveis clássicos
A pessoa a quem quer dar um livro, talvez dois, prefere os clássicos, os grandes autores? Estes dois títulos, inscritos no mais alto céu da literatura – Moby-Dick, de Herman Melville, e O Vermelho e o Negro, de Stendhal – são obras soberbas e infalíveis. Principezinho é, por seu lado, um clássico suave, capaz de cativar a imaginação do leitor mais distraído. E há ainda, se quiser pôr uma nota de transgressão na sua prenda, a possibilidade de oferecer uma antologia que acabou de sair, Não a ti, odeio ou menos prezo, que reúne o que Fernando Pessoa escreveu sobre Cristo, o que inclui o Menino Jesus.

E não há romance?
Não, a pessoa que quer surpreender não gosta de nada disto. Gosta é de coisas actuais, romances dos nossos dias. Bom, começamos por lhe aconselhar o que é mais do que um romance, uma viagem convulsa à relação com a mãe, espelho de todas as relações de filhos e mães, propondo-lhe que ofereça um livro que tornará inesquecível o Natal de 2018: ofereça Mãe, promete-me que lês, de Luis Osório.
É também da busca de uma mãe que trata Essa Dama Bate Bué, de Yara Monteiro, que aconselhamos a todos os que tenham conhecido, vivido em África.
Se a pessoa espera que o Pai Natal lhe traga outra literatura, mais disruptiva, como agora se diz, Adeus., de Luis Rainha, com as suas 23 narrativas de separação, pode ser a prenda ideal.
E deixem-nos sugerir – bastaria o título – o belo romance Quando Perdes Tudo Não Tens Pressa de Ir a Lado Nenhum, estreia literária de Dulce Garcia. Sem pressas, para ganhar tudo.

Um toque poético
Ah, a pessoa a quem quer dar um livro não é especial, é especialíssima, gosta do que é primordial e profundo, saboreia em cada palavra a criação do mundo? Ofereça, num pequeno livro de 56 páginas, a poesia de Eugénia de Vasconcellos, o seu Sete Degraus sempre a Descer. Um pequenino livro, um enorme presente.

Este Natal dê um livro. E leia. Não é pela sua saúde, é pela sua mente, inteligência e emoções.