Fantasmas coloniais

LUanda

Bica Curta servida no CM, 5.ª feira, dia 22 de Agosto

Esta é a minha centésima bica curta no CM. Para desbundar memórias afectivas, bebo café de Angola, dose certa de robusta misturado ao suave arábica. Bebo e leio o que disse ao “The Economist” um ex-ministro das finanças do Zimbabué, malhando no regime: “Hoje lavo-me num balde como se isto fosse a Rodésia do Sul de 1923.” As vozes livres de África não se calam. Na televisão de Luanda, o poeta e romancista angolano José Luís Mendonça foi claro: “O colonialismo hoje tem de ser repensado. Será que o colonialismo foi assim tão mau?”

A África será tanto mais livre quanto acerte contas, sem preconceitos, com os fantasmas do passado.

O novo PREC

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Há uns anos tive o prazer de subir esta escadaria: UCLA

Bica Curta servida no CM, 3.ª feira, dia 16 de Julho

O novo PREC, Polémica Racial Em Curso, tem um mérito: pôs a nu o medo na universidade. Num artigo veemente e frontal, o sociólogo Gabriel Mithá Ribeiro acusou a universidade de ostracizar quem não pensa pela cartilha de esquerda nas chamadas ciências humanas.

Mas o medo de falar – essa velha insídia salazarista – já passou da universidade à vida social. O espectro de décadas de pensamento unidimensional, a que a esquerda se rendeu, assombra cada conversa, cada bica curta. Há uma ameaça de censura e de exclusão, que não honram a liberdade de pensamento e a vontade de saber que esquerda e direita não extremistas têm de partilhar.

Angola em Guerra e Paz no Pavilhão D 48

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No Pavilhão D 48, lá em cima, no topo da Feira do Livro, a Guerra e Paz não tem propriamente dias temáticos. Ou seja, hoje, no Pavilhão D 48, não é propriamente o Dia de Angola, mas, às 17:30, virá assinar autógrafos o nosso autor, Carlos Taveira (Piri), de quem publicámos agora mesmo um romance, ASSIM ESCREVIA BENTO KISSAMA, com personagens que têm duas coisas para nos nos dizer e a quem nós gostaríamos também de dizer duas ou três coisas, o que inclui todas as nossas angústias com a Guerra Civil, com os jovens mortos em combate, com os racismos (todos), com a desilusão da política, a desilusão do amor, a ilusão até do sexo. Tomemos então a parte pelo todo e faça-se desta sexta-feira, o Dia de Angola, no Pavilhão D 48, que tem a cartela da foto que está lá em cima como uma das suas mais bonitas decorações.