Sabe a cativação

 

o-principezinho
Foi aqui que aprendi o significado de “cativar”. Queria dizer outra coisa. Aproveito para fazer publicidade. Esta é a edição da Guerra e Paz de O Principezinho. Traduzi-a eu com o meu amigo Rui Santana Brito. É a única com capa em fundo negro, em Portugal. 

Bica Curta servida no CM, 4.ª feira, dia 3 de Julho

Reversões e reposições salariais foram a passadeira vermelha pela qual António Costa se passeou, geringoncial, dando petisquinhos à boca dos portugueses. Parecia emendar os cortes cruéis de Passos Coelho. Ora, já dizia o outro, a Terra move-se. E ao mover-se deixa a descoberto as catacumbas das cativações. Passos proclamava cortes na praça pública. As cativações, furtivos cortes de Centeno, cosem-se às paredes clandestinas.

Passos quis que o povo soubesse que estava em austeridade. A cativação fecha-se no gabinete e não toma a bica democrática com o povo. Cativado o açúcar, pode o povo não apreciar o sabor amargo do café.

A baba da austeridade

labirinto
o labriritno da democracia?

Bica Curta servida no CM, 4.ª feira, dia 19 de Junho

Repetirei a cada bica curta: precisamos da direita e da esquerda. E não falo de boxe, falo da política. A democracia é um labirinto. Como a vida. A utopia sim, apregoa e vende o paraíso definitivo em que se vive feliz para sempre. O terrível preço que a humanidade já pagou por paraísos jamais cumpridos!

Desconfiemos das soluções mágicas que erradicam a insegurança, o desemprego, a dívida ou o déficit. São falsas: nenhum guindaste nos põe à porta um mundo melhor. Basta olhar para Portugal: de Vítor Gaspar a Centeno segue, lento como um caracol, o trabalho de limpeza da baba da austeridade. Dá trabalho: à esquerda ou à direita.

O preço da democracia

fish

Bica Curta bebida no CM, na 3ª feira, dia 2 de Abril

A bica, curta ou cheia, não é famosa em Londres. É pior ainda no resto do Reino Unido. Mas, por mais palatáveis razões de queixa que tenhamos do café inglês, não os podemos acusar de falta de literacia. O Reino Unido tem um povo educado. Sabe ler bem, tem bons jornais, a progressiva BBC. Todavia, votaram o que votaram no Brexit por falta de informação. Pior: paparam desinformação como se fossem fish & chips. Votaram contra os seus interesses: não sabiam o preço a pagar.

O Brexit bem pode ser o espelho da nossa democracia: o único voto consciente é o voto de quem sabe o que vai comprar e, sobretudo, de quem sabe o preço a pagar.

A multidão ululante

Bica Curta publicada no CM, na 4ª feira, dia 6 de Março

gilets jaunes

A multidão ululante

Não bater, não matar. Esse princípio unânime foi a base, justíssima, da devastadora crítica feita ao juiz Neto Moura, e é a base da democracia. Não batemos, não matamos. Por isso espanta que haja quem, dando-se aristocráticos ares de superioridade moral e arrogando-se de esquerda, venha clamar que a violência é revolucionária, sem lhes cair a cara no copo da vergonha. O populismo é, neles, o lado escondido da lua e a sua última arma é soltar a multidão em fúria.

A multidão unânime não toma a bica curta. Essa multidão é manipulável e pensa com as tripas. A multidão ululante é um péssimo decisor político: leva de refém a liberdade.