Estou num estado de espírito Jethro Tull. Estou num estado de espírito instrumental, um irreconhecível estado de espírito, batido a sopros de flauta e nostalgia. Estou num estado de espírito de Bach em plena Restinga do Lobito, com saudades vocais da Mitas e do Padre Augusto, do meu brother Rui Alves, dos alunos de quase a minha idade, Tina Leite Velho, Teresa Belo, Fernando e Semedo, o singular puto Quitos, filho de seu pai e depositário de toda a esperança, a Regina Queiroz, as queridas manas Mendonça.
As saudades são nómadas: vão da Restinga para a Ilha, para a minha igrejinha da Senhora do Cabo e dos cursos revolucionários de alfabetização, em Luanda, para os manos cristãos, mano Abílio, mana Faty, Victor Melo, as três Nandas, Cardoso, Dias e Guerra, a Tita, os ainda mais manos Mindo e Cesarito.
A Bach e a flauta, as saudades apertam-me docemente o crânio cada vez mais europeu. As saudades são como uma catedral de silêncio, luz, sombras e contemplação. Páram o tempo, expandem o passado, arrastam-nos para cordilheiras de aromas e sabores que julgávamos perdidos. As saudades que tenho até dos poucos amigos com que me zanguei. Estou num estado de espírito de tempo e silêncio, céus e beijos, voz e quebranto.
No canto inferior direito desta tela (1565), que é, cópia ou original, de Pieter Bruegel, há umas pernas que se agitam e chapinham no mar verdíssimo, numa agitação tão inócua como anónima. São as alvas pernas de Ícaro. Podiam ser as nossas. Tal como Ícaro, batemos as asas para fugir do labirinto e temos (mal seria, se não tivéssemos) a tentação de voar roçando-nos pelo sol.
Um homem, um herói, vem dos céus aos trambolhões e despenha-se nas águas, ali, junto à costa. Nem essa coisa prodigiosa de voar, nem o heroísmo da fuga, nem o splash do corpo que se despedaça nas águas sobressaltam a rotina do lavrador, a do pescador, a da nau que navega orgulhosa e indiferente.
Em 1938, já Hitler cavalgava uma onda de terror, o poeta inglês W.H. Auden escreveu sobre esse abafado silêncio em que se camuflam os mais terríveis acontecimentos. Abafa-os a minuciosa e árdua teia do nosso dia a dia, o hábito de concentrarmos o olhar no nosso jardim ou pátio, o obstinado rigor de cumprirmos as nossas obrigações. Não há, nesta ignorância do sofrimento alheio, nenhum desprezo. São os vidros duplos da nossa inocência que nos fecham num castelo interior, as high windows de que, noutro poema, nos falou Philip Larkin.
E já falei de mais. Talvez hoje tenha tombado um ou mais Ícaros no adjacente oceano das nossas vidas… Da minha ou da tua. E eu só queria que lessem o poema de Auden enquanto olham para a pintura de Bruegel.
Musee des Beaux Arts W. H. Auden
Sobre o sofrimento eles nunca se enganaram, Os velhos Mestres: que bem compreendem A sua humana posição: como tudo acontece Enquanto alguém come ou abre uma janela ou caminha apático; Como, quando os idosos esperam reverentes e apaixonados Pelo milagre do nascimento, há sempre Crianças que não se interessam particularmente, patinando Num lago no limite da floresta; Eles nunca esquecem Que mesmo o mais horrível martírio deve seguir o seu curso De algum modo numa esquina, num lugar inócuo Onde os cães prosseguem a sua vida de cães e o torturador de cavalos Coça a sua inocência atrás de uma árvore.
No Ícaro de Bruegel, por exemplo: todas as coisas viram as costas Displicentes ao desastre: o homem do arado pode Ter ouvido o estrépito, o grito desgarrado, Mas para ele não foi uma queda importante: o sol brilha Como deve ser nas pernas alvas que se afundam na verde Água, e o barco sumptuoso e delicado, que deve ter visto Essa coisa prodigiosa, um rapaz a cair do céu, Tem um rumo traçado e navega tranquilo.
tradução minha, que foi o que se arranjou.
Musee des Beaux Arts W. H. Auden
About suffering they were never wrong, The old Masters: how well they understood Its human position: how it takes place While someone else is eating or opening a window or just walking dully along; How, when the aged are reverently, passionately waiting For the miraculous birth, there always must be Children who did not specially want it to happen, skating On a pond at the edge of the wood: They never forgot That even the dreadful martyrdom must run its course Anyhow in a corner, some untidy spot Where the dogs go on with their doggy life and the torturer’s horse Scratches its innocent behind on a tree.
In Breughel’s Icarus, for instance: how everything turns away Quite leisurely from the disaster; the ploughman may Have heard the splash, the forsaken cry, But for him it was not an important failure; the sun shone As it had to on the white legs disappearing into the green Water, and the expensive delicate ship that must have seen Something amazing, a boy falling out of the sky, Had somewhere to get to and sailed calmly on.
62% dos portugueses não lêem um livro por ano. Não lêem, ponto final. Vamos Ler! de Eugénio Lisboa não tem a pretensão de resolver esse problema. Mas vai ajudar.
Há várias razões que explicam a falta de apetência portuguesa pela leitura. Uma delas passa, também, pelas nossas elites literárias, tantas vezes incapazes de seduzir para a leitura os não-iniciados.
Vamos Ler! Um Cânone para o Leitor Relutante é um livro da Guerra e Paz editores que se propõe cativar leitores relutantes e não só. O autor, Eugénio Lisboa, sem peneiras, apesar do seu prestígio e carreira, numa linguagem límpida, mostra como os livros podem ser uma aventura e como devem ser uma aventura de alegria e prazer.
Vamos Ler! é, por isso, um livro que todos nós, os que estamos na prodigiosa cadeia do livro, autores, livreiros, editores temos de saudar. Mas acima de tudo é um livro que os leitores, os mais fugidios e relutantes ou os mais assíduos e entusiastas, vão saudar e louvar. Por ser uma obra que valoriza todos os livros e dá a mão a quem tem dúvidas e está hesitante, guiando-os na visita a 50 livros e 30 autores portugueses.
Este é um livro que promove a leitura e promove os outros livros. Ajudem-nos a divulgá-lo e a defendê-lo. Passe a palavra aos amigos. Visite a sua livraria, vai encontrá-lo com facilidade: tem esta capa simples e directa que é a dos Livros Vermelhos, uma das melhores colecções da Guerra e Paz editores. Boa leitura!
O João Bénard arrancou com o ciclo completo da obra do Howard Hawks na Cinemateca e na Gulbenkian. Estávamos em Novembro de 1989, vai fazer 32 anos, e eu lá me ensaiei a escrever esta prosa hagiográfica no extinto Semanário. Foi de homem. Com um olho nas mulheres. De Rosalind Russell e Barbara Stanwick a Angie Dickinson, passando por Lauren Bacall, a mulher hawksiana assusta-me e atrai-me. E corrijo, a inaugural Louise Brooks, de tão morta, já só me atrai.
Hawks e os seus homens: Rio Bravo
Hawks: grupo de homens com mulher Manuel S. Fonseca
De homem para homem: há alguma coisa mais masculina do que os filmes de Howard Hawks? De Paul Muni e John Wayne, sem esquecer Humphrey Bogart, os heróis do artista mais americano do século parecem a coroa de glória do chauvinismo machista. Não obstante, nenhum outro cineasta tem sido mais defendido pelos críticos homossexuais. Pudera, responde alguém com voz de fadista. O que esta voz não vai ouvir do coro feminista! É com olhar litúrgico que eles vêem os filmes dele. Porque a verdade é que não há nada, em 100 anos de cinema, que se compare com as mulheres que Hawks criou nesses filmes de acção masculina: quase sempre mulheres entre dois homens, obrigadas a lutar como feras para conseguir que um deles sinta por elas o que eles, obstinadamente, parecem partilhar apenas um pelo outro.
A camisa amarela de Angie Dickinson: entre Wayne e Dean Martin
Afinidades electivas no sei de um grupo, os pares masculinos de Hawks — Kirk Douglas e Dewey Martin em Big Sky ou, mais implausível, John Wayne e Montgomery Clift em Red River — originaram deliciosas e bizarras especulações. Quando confrontado com elas, Hawks nunca deixou de abrir a boca de espanto: «Onde é que esta gente vai buscar as coisas que dizem de mim». Mas mesmo Robin Wood, crítico assumidamente gay, não resistiu a ironizar, quando lhe perguntaram se não achava que a amizade masculina em Hawks estava tintada por uma homossexualidade latente: «a goddam silly statement to make».
Com o ciclo, que agora começou, da Cinemateca e da Gulbenkian [mas que grande ciclo que o João Bénard fez, digo eu hoje, derretido em saudades], pode ser que acabem de vez essas asserções «levianas». Ou ainda haverá alguém na sala para lançar um olhar equívoco à celebração da coragem física e aos percursos de iniciação que Hawks traçou ao longo de uma carreira em que tudo o que criou teve sempre como horizonte uma réplica de Red River: «Não trouxemos nada a este mundo e, com toda a certeza, dele nada levamos».
Onde não há perigo não há acção
John Ford, na velhice, tinha alguns ciúmes de Hawks: aos 74 anos parecia que o autor de To Have and Have not tinha 50 e um sucesso imparável junto do «belo sexo». Ford chamava-lhe: «A maldita raposa de Bretwood». Joseph McBride, que levou alguns anos a entrevistá-lo, achava-o parecido com Joe DiMaggio. Ninguém o achava parecido com um artista. Mas, além dos críticos franceses (durante o Ciclo aconselho que tenham à cabeceira o celebérrimo texto de Jacques Rivette, intitulado «Génio de Howard Hawks»), Manny Faber, pintor que foi também um magnífico crítico de cinema, reconheceu o profeta na sua própria terra. Explicou aos americanos que se quisessem saber o que era «o escuro» deviam ver Scarface, matriz patética de todo o cinema de gangsters, cujos retratos no filme (achava Farber) só tinham paralelo com a pintura piedosa de Piero della Francesca, e explicou-lhes também que, em His Girl Friday, se pode ver e ouvir a velocidade pura, correndo-se o risco, tal é a vertigem dos diálogos, de se ouvir sempre a resposta antes da pergunta, tudo dito através de uma acção coreografada, sendo que (disse outra ver Farber) a coreografia é cubista. Asseguro-vos que Farber — ainda melhor pintor do que crítico — sabia do que falava.
Many Farber era mesmo hawksiano: a esta tela chamou ele “painting my budd
E nem é preciso ler Farber — basta qualquer dicionário — para saber que Hawks não falhou sequer um dos grandes géneros do cinema americano, e que, em todos, pelo menos um dos maiores filmes é sempre dele: Scarface para o filme de gangsters, Rio Bravo para o western, Bringing Up Baby para a comédia, Gentlemem Prefer Blondes para o musical, Big Sleep para o filme de detectives, Only Angels Have Wings para o filme de aviação, His Girl Friday para o jornalismo…
ez filmes sobre tudo, mas tinha um segredo: «Faço filmes sobre o que me interessa: podem ser corridas de automóveis, aviões, um drama, uma comédia, mas o melhor drama para mim é o que mostra um homem em perigo. Não há acção onde não há perigo.»
Olhem para a cara de pedra de Buster Keaton. Pode parecer uma cara irresoluta. Ou de uma inexpressiva perplexidade.
Hoje, a idade a roubar-me massa muscular às pernas, que embora curtas já chegaram a ser bonitas, sei e tenho a certeza do que digo: há uma ideia firme no rosto pré-Big-Bang de Buster Keaton. É o rosto de quem não quer ser mais importante do que o mundo em redor. A cara que ri ou a cara que chora irradiam alegria e tristeza iluminando ou escurecendo o mundo, coisas ou pessoas. Não rindo, não chorando, a cara de pedra de Keaton recusa-se a explicar, influenciar ou interferir no movimento, sentimento ou ideia da cara do mundo.
Vêem-se as mais geniais cenas de filmes geniais, como “Steamboat Bill Jr.” ou “Seven Chances”, e a aparente inexpressividade de Keaton obriga o espectador a procurar o sentido, a comicidade alegre ou sofrida, na totalidade da cena, na sua irrepreensível geometria ou na massa apocalíptica em que o mundo dessa cena se transforma.
Nestes anos que me põem à porta da terceira-idade, a solidão inexpressiva de Keaton tem sido uma lição mais útil e inteligível do que a leitura do tão lógico e místico filósofo que é Wittgenstein. Keaton ensina-nos que o mundo organiza o seu sentido sem precisar da nossa explicação ou mesmo da nossa acção. Melhor, ele não ensina, ele aponta, como escreveu esse tal Wittgenstein, sem nunca ter visto, que se saiba, um filme dele.
Keaton é um anti-revolucionário: confia no mundo que existe e no mundo que há-de existir. Não precisa nem quer, por isso, mudá-lo. A confiança dele no Ser e no Devir começou, sabe-se, aos três anos. Os pais meteram-no no número de vaudeville que faziam. Keaton desenvolveu um talento: caía sem se magoar. Buster, o seu nome, queria então dizer trambolhão, e parece que foi o mágico Houdini que lho deu. Nos espectáculos, os pais atiravam-no escada abaixo, vinha a polícia acusá-los de abuso e exploração de trabalho infantil e o miúdo não tinha ossos partidos, nem sequer nódoas negras, tal a confiança com que o corpo dele ia bater nas arestas e obstáculos do mundo.
Fazem-nos falta mais trambolhões. Só temos de aprender a cair. Estaremos no caminho certo quando disserem: “Olha para este desgraçado. Ai, meu Deus!” Era o que Keaton queria que os espectadores dissessem das cenas dele.
E aqui fica, fora de ordem, sem respeito pela cronologia, outra Bica Curta que bebi em tempos no CM. Ainda me parece pertinente e ainda não encontrei a resposta?
O mundo é cada vez mais centrífugo. Tudo foge do centro. A informação pulverizou-se, disseminada por inenarráveis e abomináveis focos nas redes sociais. As artes explodiram em estilhaços, filmes feitos em telemóveis, livros digitais em edição de autor aos milhares na Amazon, música TikTok viral que nenhuma regra estética comanda. Os países foram fracturados e baleados por discursos identitários, cada clã, rácico, regional ou religioso, rasgando a sua parte da manta. A economia virtualiza-se: da empresa passou para milhares de casas, em teletrabalho.
Pode a democracia resistir a tanto descentramento? Que eco-sistema a vai substituir?
Morreriam à fome os economistas se só pudessem comer por cada previsão que acertam. Agora, para Portugal, os mais lúcidos prevêem um futuro que nem Hamlet, príncipe da Dinamarca, desejou ao tio, nos cinco actos da sua torturada existência. Não serei eu, sentado no vasto trono da minha ignorância económica, a negar-lhes razão: a quebra do PIB, que este triste trimestre de abertura de 2021 acentuará, reclama vingança shakespeariana; o grávido peso das moratórias encerra mais frustrados desejos do que os de Ophelia – como ela, acabarão famílias e empresas na loucura e no afogamento. Portugal está condenado.
Eis onde as profecias luciferinas dos economistas falham: na imprevisibilidade do humano. Indiferentes à clemência ou inclemência das adivinhações especializadas, os humanos comem, beijam-se, dão na cama, e tantas vezes fora dela, entrada e saída aos seus mais rijos impulsos, trabalham até, compram e vendem. Tocados por estranhas musas, os humanos criam as micro e pequenas empresas que encantam o lúbrico olhar anti-económico de Jerónimo de Sousa e dos seus jovens sete anões, ou arrancam para start-ups depois de desenjoarem do Bloco de Esquerda. E já me calo sobre o improvável investimento estrangeiro, agora que Angola secou e o fluxo chinês 5G e de alto débito é tão mal visto e censurado por Biden, como o era pelo inefável Trump.
É unânime: o factor humano deprime e exalta. Um simples peidinho pode encharcar de aroma uma sala? Assim, o factor humano pode atulhar de euforia a mais raquítica economia. Mesmo o mais empedernido economista vive na nostalgia do factor humano. Harvard, o MIT, Stanford choram lágrimas enternecidas pelo doce factor humano. E eu, de xi-coração ao factor humano, quero acrescentar outras duas vias dramáticas de salvação de Portugal: o milagre e a inspiração de Jesse e Frank James.
O milagre, o solitário e selectivo milagre, é uma vocação portuguesa. De Lourdes a La Salette ou Campinas, a Virgem Maria sacudiu rosas do seu manto em vários lugares, mas é implícita, mesmo se não declarada, por óbvia sensibilidade político-diplomática, a sua preferência por Fátima, por pastorinhos e por portugueses. Faço notar que neste século XXI a Virgem, católica, ainda não apareceu em lugar nenhum, descontando inopinada visita ao Egipto, numa aparição a milhares de ortodoxos, num claro endosso da Primavera árabe.
E minto. Talvez a Virgem tenha aparecido a Mário Centeno, o que explica que ao milagre das aparições do século passado se tenha sucedido, neste nosso tempo cruel, o milagre das cativações. Onde os cépticos, ateus incréus e quejandos viam a autocrática solidão de uma austeridade de gabinete, de joelhos no chão, mãos postas e olhos em bico, jovens do BE e novos estalinistas do PêCê viam uma quase heteronímia pessoana: a austeridade convertida em cativação, Mário Centeno feito Álvaro de Campos e engenheiro naval, a cantar-nos, “à dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas” a Ode Triunfal.
E basta, sejamos proactivos: assaltemos os bancos. Lembro os irmãos James, Jesse e Frank. Revoltados com a hipoteca bancária sobre a quinta da mãe, converteram o assalto ao banco num resgate político, antecipando, de mais de um século, a revolta contra o capitalismo financeiro. Como dois irmãos, Costa e Rio talvez devam assaltar o BCE e distribuir, quais Robin dos Bosques, o dinheiro pelos pobres, ou seja, pelos nossos bancos exauridos. E tudo isto, como bem nos ensinam os economistas do começo desta crónica, antes que os bancos nos assaltem a nós.
Deve ser no final de Maio ou começo de Junho. É inapelável. Serei avô. Numa Bica Curta, no CM, fiz, como quem reza, os meus votos.
Que nasça para este céu, estas nuvens em fio
Vou ser avô. Faltam 4 meses. Eis o que quero para esse neto que há-de vir.
Que nasça num país com a coragem de enfrentar os seus dramas, não escondendo o vendaval de mortos que renunciaram aos hospitais, assombrados pela onda de pavor do pregão diário dos números da covid. Que encontre um país limpo, decidido a não repetir a barbárie que matou o ucraniano Ihor, ou os reles golpes das vacinas. Que nasça num país que não proíba o ensino e que não cerceie, por bloqueio ideológico, a plenitude da iniciativa privada e pública. Que nasça, intrépido, num país em que a venda do livro, fonte de emoção e inteligência, não esteja proibida.