Começou a contagem decrescente. Vem aí o livro que trata o palavrão e o insulto nacionais como eles merecem. Digo eu, que sou o autor, logo o pior juiz que pode haver para este livro talvez controverso. Só posso, como bem entenderão, falar de intenções. Eis então a boa intenção que anima este livro infernal: ser útil, sistematizando a recolha de insultos e palavrões – os verdadeiramente grandes, comecem eles por «c», «f» ou »p», ainda que alguns comecem por «b», o que significa que não estaremos propriamente a falar de alfinetes de peito.
Dia 16, chega às livrarias o “Pequeno Livro dos Grandes Insultos” e eu tenho encontro marcado com os amigos de Lisboa a 15 e com os do Porto a 24. Mas há mais notícias aqui. Oh, que semana.
Escrever tem de ser ir para os cornos do touro, caso contrário vai-te despindo que já te atendo
Eu andava com um pé nos 17 e outro nos 18 quando comprei, na livraria ABC, na baixa de Luanda, a “Idade de Homem”, de Michel Leiris. Hoje, não há já um português que se dê ao trabalho de ler um francês como este. Era Luanda, sobrava tempo e li as 222 páginas. Deixaram marcas. O livro de Leiris, poeta, surrealista, mas sobretudo etnólogo e amigo do Georges Bataille de “L’Erotisme”, era um livro de exposição pessoal. O autor oferecia de si mesmo um retrato implacável, arriscando por vezes uma auto-flagelação que ainda hoje me faz pensar se o verdadeiro rito de passagem para a viril idade não é a lúcida capacidade de nos auto-examinarmos e, com calculada injustiça, nos desvalorizarmos ao ponto de um certo escárnio.
É com esse exercício cruel que Leiris começa o livro, fazendo a sua descrição física: “…detesto ver-me de repente num espelho porque, não estando preparado para isso, acho-me sempre de uma fealdade humilhante”. Picasso, que era amigo dele, leu e disse-lhe com todas as letras: “Votre pire (ou meilleur) ennemi n’aurait pas fait mieux !” Outro pintor, outro amigo, Bacon, confirmou-o com este retrato que não mostra o que pintor via, mas o que Leiris catastroficamente era.
O propósito de Michel Leiris era o de desvendar como “a partir do caos miraculoso da infância se chega à ordem cruel da idade de homem”. Queria fazê-lo, afirmou, dizendo toda a verdade, um pouco mais até do que a irrisória verdade. Foi a primeira vez que vi, ou li, a literatura como uma forma (ou será mesmo um teatro) de exposição pessoal. O que, dito nestes lamentáveis termos, é a mesma coisa do que estar calado. Leiris jogava um jogo de alto risco e oferecia-se cristicamente: tomai e comei todos, este é o meu corpo. Ou, como o autor explicava, era esta a única forma de introduzir numa obra literária um risco aproximado à ameaça dos cornos do touro que os homens de lantejoulas enfrentam na arena. Escreves, arriscas-te — mostras-te, tens de ousar mostrar-te, na exterior e interior dimensão que, a um tempo, o lírico retrato de Bacon exibe.
Esta visão “da literatura como uma forma de tauromaquia” fascinou-me sem remédio. Ou se escrevia para nos pormos em causa, correndo-se o risco do equilibrista no circo, ou não valia a pena, o que me liquidou qualquer veleidade lírica ou outros arroubos sinfónico-literários. Ou seja, se andam a usar a pobre gramática, verbos, adjectivos e alguns advérbios de modo, para jogos florais, então é melhor deixarem-se sodomizar-se piedosamente em doméstico remanso. Não precisa de se saber e não há cá maçadas para ninguém.
Mas será possível escrevermos e descrevermo-nos da forma desapiedada que Leiris propunha? Basta lê-lo para perceber que os segredos, os mitos (tão tocantes, o de Lucrécia, a mulher que se mata, e o de Judite, a mulher que mata), a encenação teatralizada são, mais do que os factos verdadeiros, a matéria da “Idade de Homem”. Neste livro catártico, no qual Leiris percorre família, mulheres, masturbação, sadismo, sagrado e suicídio, para mencionar apenas alguns dos temas da sua vida, acabamos por descobrir que, por mais verdade que se queira pôr no retrato falado de nós, só conseguimos dizer-nos e contar-nos por símbolos, por mitos e por alegorias. O romance é o fio de Ariana do romance “autêntico” que quero (Leiris queria) tornar comunicável a outro. Romance é o que põe a nu o coração.
Para que conste, aqui fica a ficha do livro: “L’Age d’Homme” foi publicado em 1939, a pedido de Georges Bataille, numa colecção erótica. A edição portuguesa surgiu em 1971, na Editorial Estampa, e a tradução (excelente prosa) é de Maria Helena e Manuel Gusmão.
Curiosidade final, Leiris, no exemplar do livro que deu à mãe, assinou uma dedicatória reveladora: “À ma chère maman, qui lira dans ce livre des choses qui lui seront peut-être pénibles, mais qui comprendra — j’en suis sûr — qu’il ne s’agit là que d’injustices d’enfant, n’engageant pas la tendresse de l’âge adulte. Michel” Ou seja: “À minha querida mãe, que vai ler neste livro coisas que serão talvez penosas, mas que compreenderá — estou seguro — que se trata apenas de injustiças de infância, em nada comprometendo a ternura da idade adulta.”
Pode alguém ter saudades e memórias ternas e queridas da guerra? Aposta arriscada, mas vamos já à destrunfa: eu nunca conheci Hitler, mas Bill um miúdo inglês que bem podia ter crescido na velha Luanda dos anos 60, se não fosse um puto londrino dos anos 40, quer dizer duas coisas ao alemão de curto bigode e vai explicar-nos tudo.
inenarráveis prazeres de um mundo em ruínas
Os escombros são o paraíso da infância. Coitadinha da infância asséptica! Nunca me engasguei tão bem a tentar travar o fumo, que nunca aprendi a travar, como na casa em ruínas. O bando em que sempre andávamos aventurava-se pelas precárias paredes, partíamos os últimos vidros, levantávamos com um pau um resto de vestido, a perna que sobrara de um par de calças.
Eis a casa destruída, com o cheiro tropical do abandono, capim que cresce, os lagartos ou a medrosa cobra que se escondem. Onde os adultos viam e cheiravam os apossépticos odores de um drama, nós víamos e cheirávamos o cabo da boa esperança dos nossos descobrimentos.
Víamos nós e via Bill, o herói de “Hope and Glory”, filme de John Boorman, pequeno e verdadeiro como só os pequenos filmes podem ser verdadeiros. Bill, o miúdo londrino, fomos nós, os exploradores de casas em ruínas da Luanda colonial, que o emprestámos a John Boorman. A sorte que Bill teve. Foi viver em guerra, para o que nós já o tínhamos preparado. E sou, de inveja, obrigado a repetir-me: a sorte que ele teve. Londres era bombardeada forte e feito pelos nazis, enquanto nós, em Luanda, só tínhamos as notícias em surdina dos nossos terroristas libertadores. Nem um eco de um morteiro, sequer o silvo anacrónico de um tiro de canhangulo.
Oh, que longe que era a guerra. Que raio de progressista era Che Guevara, que nem sequer ousara um passo a sul do rio Zaire, um pezinho que fosse no capim de Angola. A muito mais se atrevera, cinco séculos antes, o intrépido reaccionário Diogo Cão. Os nossos 10 anos já tinham saudades do 4 de Fevereiro de 61, que nos obrigara a passar as noites de dois meses em apartamentos da Baixa, colchões estendidos no chão, mulheres e crianças de um lado, homens do outro.
Às noites londrinas de Bill, vinham os bombardeiros da Luftwaffe rasgar a escuridão e o silêncio. Os dias seguintes, como se a vida em guerra fosse férias eternas, eram de alegria pirata nas ruas destroçadas. Até que chega o tempo de voltar às aulas. Bill e os amigos sentem a dura garra da escravidão e do dever aproximar-se. Chateado de morte, Bill volta à escola. Descobre que uma bomba perdida a arrasou essa noite. É o êxtase, o delírio entre os miúdos. Um deles grita, à espera que se ouça em Berlim: “Obrigado, Adolf.”
Youth Without Youth, um filme de Francis Ford Coppola, do que me atrevo a chamar a sua fase tardia, narra a história de um homem de 70 anos que, por acidente, recupera a sua juventude e se descobre dotado de poderes e conhecimentos extraordinários. É um filme de Coppola, e é – vou ser mariquinhas – muito lindo.
Adaptado de uma história do admirável romeno Mircea Eliade, Youth Without Youth é um filme um tudo nada elitista, que tem escrito à entrada, “reservado o direito de admissão”. A entrada no coração, no coração tão vermelho como uma rosa, deste filme de Coppola, só é autorizada se já se for um bocadinho velho, um bocado velhinho.
Como é que eu vou explicar isto? Nem é uma questão de idade. O envelhecimento prematuro também serve. É preciso ter-se perdido uma coisa, qualquer coisa que nunca mais voltaremos a ter. Se em cada centímetro de pele, se nas mãos que já não conseguimos fechar, se lá mais abaixo, e delicadamente escuso-me a apontar, nos passar pela cabeça (pelo coração, sempre pelo coração) que, por exemplo ela, ela que tanto amámos, ela que tanto parecia amar-nos, nunca mais voltará (ou nunca mais a voltaremos a ter), é provável que estejamos autorizados a ver Youth Without Youth. A agonia, a agonia do amor, a agonia do desejo, a agonia da criação; é esse o tema, por vezes demasiado denso, do filme que Coppola pagou com os lucros dos seus vinhos de Napa Valley.
O filme de Francis Ford Coppola é desiquilibrado, delirante (nem sempre no melhor sentido), implausível. Mas é arrebatadoramente nostálgico. E tem o plano, a cena, mais bonita dos últimos anos: Tim Roth /Dominic é um velho curvado ao peso de setenta maus anos. A chuva começa a cair nos cem metros de rua de Bucarest onde veio, talvez, suicidar-se. Dominic tenta abrir um céptico e renitente guarda-chuva. De repente, num desses planos que a timidez me impede de qualificar, um raio vermelho e eléctrico rompe o ecrã e levanta Dominic do chão, transformando-o num anjo a arder. O que depois, logo a seguir, cai no asfalto, são arames incandescentes e um corpo carbonizado. Toda a cena, mas sobretudo a surpresa fulgurante desse plano de um corpo arrebatado que arde e voa, resgata-nos de anos de mau cinema.
Um só plano não faz um bom filme, mas a euforia desses dez segundos de agónica beleza não ma roubam – e faço raccord com a metafísica desta adaptação de Mircea Eliade – nem Deus nem o Diabo.
A notícia da morte de Deus era, convenhamos, francamente exagerada. Hoje, a cada minuto, em cada esquina, ou Ele irrompe ou O reclamam. Provavelmente menos sexy do que o “Deus é Amor” dos anos 60, o facto é que não só Deus não morreu como Ele se multiplica em aparições, umas discreta mas socialmente solidárias, outras mais explosivamente fundamentalistas, outras ainda espiritualmente descalças e carmelitas.
Certo também é que os médicos marxistas, freudianos e afins que lhe decretaram o óbito foram objecto de processo disciplinar e expulsão da Ordem, para não falar de Nietzsche que se viu despromovido a maqueiro.
Não sei se Deus, nos anos 70, entrou em clandestinidade, nem sei se nos anos 80 requisitou licença sem vencimento. Sei que hoje a Sua actividade é transbordante. Como são ínvios e misteriosos os Seus caminhos, não é certo que sempre que reclamam a Sua presença ou levantem como estandarte a Sua intervenção, Deus (passe embora a idiossincrática ubiquidade) esteja efectivamente presente.
Mas para nós, agnósticos ou ateus, que O recusámos e recusamos, para nós que nos regulamos pela escassa razão e por um prosaico empirismo, para nós que renunciámos à eternidade pelo secular spleen do presente, essa deveria ser, a meu ver, a questão menor.
A questão maior é que, mesmo que Ele esteja de facto morto (e é até bem possível que nunca tenha nascido), Deus é o único toque de transcendência que acaricia a mente, o corpo e a delicada pele de alguns mil milhões de seres humanos.
Por favor, não invoquem a literatura, a música, ou outras sete ou oito artes, a filosofia ou a pobre sociologia. Deus é, em certas noites de festa, a única jóia que brilha no bico do desejado decote. Jóia roubada, como na letra de Carlos T que Rui Veloso canta, mas a única que retira a amada de um quotidiano alienado (ó palavra esquecida e enterrada), a única pérola que inspira o sonho para o qual nós, laicos e iluministas, não conseguimos, por mais utopias que tenhamos já ensaiado, encontrar substituto que se Lhe aproxime em transcendência e em elegância.
Ao lado do esplendor de Deus, as nossas científicas utopias geram um imaginário que, comparativamente com o apelo transcendente que dEle emana, estão como o prêt à porter para a hautecouture. Sendo que, num caso como noutro, o costureiro sempre foi e é só o Homem.
Já não sei quando, como ou quem, mas sei que um dia me perguntaram, com uma ligeira inflexão irónica de voz, se eu tinha alguma receita especial para estrelar ovos. Pois bem, por acaso até tenho e tem os seus requintes. Ponto parágrafo e aí vai ela.
Coloque uma noz de irredutível e incomparável manteiga na frigideira, a aquecer. Cá fora, separe a gema da clara – sempre fui a favor da fusão, mas há momentos em que é absolutamente necessário separar. Quando a manteiga estiver com aquele doce calor de quem já pede outro corpo fresco, deite a clara – só a clara – na frigideira e deixe fritar até que a fímbria da nimbada clara se exiba ostensivamente dourada. Nessa altura, com aquele módico de ternura que qualquer cozinha exige, e num um gesto prenhe de doçura e delicadeza, ponha a solitária gema em cima da clara, polvilhando com duas pedrinhas de sal e três singelos grãos de pimenta. Sim, o que então verá, no momento em que gema e clara se tocam, é mesmo um pas de deux da gema, antes de, rendida, se fixar na já não gelatinosa clara.
E a partir de agora mergulhe no puro artesanato: com uma colher, verta a manteiga douradinha (já castanha, se nos deixarmos de lirismos) sobre a gema. Quando a dita mostrar sinais de algum bronzeado (em boa verdade a clara estará igual ao tom de pele da Tais Araújo ou da Halle Berry e a gema assumirá a política incandescência de uma Pocahontas) retire o ovo da frigideira e sirva. Melhor, trinque: hmmm, é em momentos como este que percebemos como o sexo anda tão sobrevalorizado como a transcendência. Trinque intranscendente, obscena, pantagruelicamente. O sabor de pasto selvagem da líquida gema combina-se com o crocante da clara. O palato exulta, invadido por uma alegria animal, terrestre. Ah, os prazeres de boca.
E a estas meninas, o que as ilumina? A aristocrática luz elitista ou o farol do proletariado. (As apanhadoras de nozes de William Bourguereau
Quantas machadadas dialécticas dilaceraram já a minha vida? Leitor e admirador de um filósofo conservador inglês, Roger Scruton, preparo-me para publicar em breve “Como Ser um Conservador”, um livro que considero um hino à vida, ao amor à comunidade e à cultura que nos dá identidade, à saudável relação com a natureza, plantas e animais que nos viram nascer e vimos florir e crescer, um livro que põe a direita no sítio de racionalidade onde ela deve estar e exige à esquerda que seja capaz de pensar fora dos ferrados sapatos ideológicos que tantas vezes a tolhem.
Criticado pela esquerda, Scruton, filho de uma família trabalhista, não se livra da crítica à direita. Há, e também em Portugal, uma direita pretensamente aristocrática, tauromáquica, cega pelo nascimento, movida pelo preconceito. Para essa direita, Roger Scruton terá sempre uma falta: não nasceu bem e não pode, por isso, elevar-se a essa plataforma nefelibata a que só o nascimento nas alturas dá direito.
Riam-se, mas o motor imóvel da tese dessa arqui-direita não dá margem a discussões: Scruton tem mesmo um problema congénito. Plebeu como é, falta-lhe a elevação de vistas que só pode ter quem nasceu nas alturas. A fulgurante validade sociológica, filosófica e científica deste autêntico “motor imóvel”, emudece qualquer discussão.
Confesso que aquele impensado classista me recorda, mutatis mutandis, alguns deliciosos e gloriosos episódios dos tempos dos “amanhãs que cantam”. Coisas do meu esquinado passado esquerdista. Lembro-me de que a introdução de algum módico de racionalidade no desvario ditatorial do proletariado era sempre contrariado com essa incapacidade de “elevação de vistas” que a burguesíssima origem de classe me bloqueava e a que só os operários de todo o mundo (e os camponeses na China) poderiam alcandorar-se.
Teses, a de elitistas e proletários, justificadas, bem entendido, por um berço, o berço elitista ou o berço proletário. Ou de como as teorias da direita elitista e a marxizante visão da luta de classes são bons espíritos dispostos a alguma carnal convivialidade… A cada um a sua ficção se, bem feitas as contas, não fosse evidente que têm, ambos, uma única e mesma ficção.
Quando se comparam classes, raças, sexos, passe embora o direito que a todos assiste de escreverem as ficções que muito bem entendam, tenho para mim que há uma obrigação mínima para uma teoria ser galante e aristocrática de espírito: a de fugir à fácil muleta da generalização.
Para as ficções que cultivamos, cada um escolhe também o pathos que muito bem entende. O de Scruton quer ser elegíaco e elitista, ilegítimo no berço dirão os autênticos filhos de família. Mas a verdade é que os livros de Scruton, e também este “Como Ser Conservador” que está a chegar às livrarias, vertem o seu pensamento numa prosa irrepreensível, de um bom gosto limpo de inanidades sobranceiras.
Ainda assim, a ser-me dado escolher, nestes dias de um infindável sol de Verão que continua a aquecer o nosso estranho Outono, prefiro deixar-me levar pela interioridade estóica e desencantada que emana destes versos de W.B. Yeats. Elitismo? Ou plebeísmo?
An Irish Airman Foresees His Death I know that I shall meet my fate
Somewhere among the clouds above;
Those that I fight I do not hate,
Those that I guard I do not love;
My country is Kiltartan Cross,
My countrymen Kiltartan’s poor,
No likely end could bring them loss
Or leave them happier than before.
Nor law, nor duty bade me fight,
Nor public men, nor cheering crowds,
A lonely impulse of delight
Drove to this tumult in the clouds;
I balanced all, brought all to mind,
The years to come seemed waste of breath,
A waste of breath the years behind
In balance with this life, this death.
Um Aviador Irlandês Prevê A Sua Morte Eu sei que encontrarei o meu destino
Algures, no céu, entre as nuvens;
Não odeio aqueles que combato,
Não amo quem defendo;
O meu país é Kiltartan Cross
Os pobres de Kiltartan, o meu povo,
Desgraça, fim algum lhes trará,
Nem mais felizes os fará.
Nenhuma lei ou dever me obrigam a lutar
Nem políticos, nem o aplauso da multidão,
Um arrepio de prazer apenas
Lançou-me no tumulto entre as nuvens;
Pesei tudo, tudo me veio à mente.
Os anos a vir pareceram-me em vão,
Em vão os anos passados.
Espelho desta vida, esta morte.
O insulto chega a Lisboa. Numa sessão que se antecipa memorável, um poeta, um emérito jornalista e dois autores e professores de grandes universidades europeias vão debater e dissecar os insultos. Manipulá-los, porventura, como se fossem as espadas de laser da Guerra das Estrelas.
O evento terá lugar daqui a duas semanas, na 2ª feira, dia 15 de Outubro, às 18:30 e o ringue do combate é a Fnac Chiado. Quem ficará KO?
Eis os oradores e os respectivos temas:
Fernando Jorge Antunes – O Verdadeiro Insulto é o Insulto Caluanda;
Marco Neves – A Insidiosa Geografia do Insulto;
Henrique Monteiro – Insulto Quem Me Apetece com Palavras Desconhecidas;
Fernando Venâncio – O Povo Que Baniu o Insulto.