E depois digam que não é bom comprar livros

E cá estou eu a fazer de veículo. Pela boca da Página Negra fala a boca da Guerra e Paz. Só sei que se ganham livros.

A Guerra e Paz vai oferecer dois Grandes Prémios aos seus leitores. Os nossos leitores têm sido generosos connosco, comprando livros no nosso site. Vamos retribuir, criando um Prémio Mensal e um Prémio Anual.

Ora, vejamos. Todos os meses vamos dar o Prémio Melhor Comprador do Mês ao leitor que venha comprar aqui mais livros. Começamos já em Junho e o vencedor receberá em sua casa, como oferta, os cinco livros na imagem acima.

De mês para mês, mudaremos os títulos a oferecer ao melhor comprador do mês. Os 5 livros a oferecer em Junho são:

Contradança, Cartas e Poemas de Camões, de Luís de Camões.
Da colecção Livros Amarelos, Pessimismo Nacional Portugal, um Povo Suicida, textos da autoria de Manuel Laranjeira e de Miguel de Unamuno.
O Primo Basílio, de Eça de Queiroz.
Orgulho e Preconceito, de Jane Austen.
Tenho Medo de Partir, antologia de textos de Fernando Pessoa.

Eis o regulamento:

PRÉMIO MELHOR COMPRADOR DO MÊS

  1.       O prémio é atribuído ao leitor que, em cada mês, neste caso de 1 a 30 Junho de 2020, atinja o montante mais alto de compras no site da Guerra e Paz.
  2.       O montante mínimo para que o prémio seja atribuído é 75€. Se esse montante não for atingido, o prémio não será atribuído.
  3.       Aquele montante tanto pode resultar de uma só compra do leitor, como da soma de várias compras que o mesmo leitor faça ao longo do mês.
  4.       Daremos notícia no nosso site e redes sociais da atribuição do prémio e do montante atingido, mas não do nome do vencedor, mantendo-se essa informação reservada, a não ser que o leitor queira revelar a sua identidade.

PRÉMIO MELHOR COMPRADOR DO ANO

Mas temos ainda uma segunda novidade: a atribuição de um Prémio de Melhor Comprador do Ano. Ao melhor comprador do ano vamos oferecer um prémio extraordinário: uma selecção de 50 livros a anunciar mais perto do final do ano. O regulamento é, nesse caso o seguinte:

  1.       O prémio é atribuído ao leitor que, de 1 de Janeiro a 31 de Dezembro de 2020, atinja o montante mais alto de compras no site da Guerra e Paz.
  2.       O montante mínimo para que o prémio seja atribuído é 450€. Se esse montante não for atingido, o prémio não será atribuído.
  3.       Aquele montante tanto pode resultar de uma só compra do leitor, como da soma de várias compras que o mesmo leitor faça ao longo do ano.
  4.       Daremos notícia no nosso site e redes sociais da atribuição do prémio e o montante atingido, mas não do nome do vencedor, mantendo-se essa informação reservada, a não ser que o leitor queira revelar a sua identidade.

De uma coisa estamos certos, quer em Junho, quer para o Prémio Melhor Comprador do Ano, vamos mesmo entregar os prémios: em Junho, já temos um leitor com aquisição elegível para o Prémio do Mês, como temos também uma leitora, em 2020, com compras a atingir o valor mínimo para o Prémio Anual.

Quem compra livros merece ganhar livros.

Os dentes de Bakunine

Bakunin
O próprio

O russo Mikhail Aleksandrovitch Bakunine ainda tinha dentes quando se encontrou, em Paris, com o alemão Karl Marx. Faço gosto em lembrar que a revolução não estava então de quarentena: era globalizante e viajava que se fartava. Reescreva-se a história: não foi o capitalismo, foi a revolução, as internacionais socialistas, com os seus eslavos, alemães, franceses, Garibaldi e os primos dele, que inventaram a globalização. E, digo eu, fizeram-no na peugada dos nossos navegadores, como escreve en passant Marx, no Manifesto Comunista, nesse tempo em que, mesmo Marx, podia chamar “descobertas” às navegações dos desdentados lusitanos.

Já se viu que, com a minha técnica de crochet, não dou ponto sem nó: eis o que une o anarquista Bakunine aos descobrimentos, o escorbuto. Em Paris, Bakunine bem podia ter beijado Marx, ainda tinha os dentes todos. Bastaria a Bakunine inclinar-se um bocadinho dos seus quase dois metros para o metro e setenta de Marx. O colossal Bakunine, no ano de 1848 em que as bocas das nações europeias regurgitavam revoluções, arrastou o imenso armário que era o seu corpo pelas capitais em que houvesse barricadas, fogo, sangue e gritos. Diga-se, os furúnculos de Marx – chegou a ter três em simultânea impiedade, um na virilha, outro na omoplata, e o terceiro na inquieta nádega – não o ajudaram, forçando-o a uma vida doméstica preenchida por excitantes fugas aos merceeiros, alfaiates e outros credores.

 Mas vejam, as execráveis autocracias europeias, o nefasto suíço, a insidiosa França, o espúrio belga, a torpe Alemanha, uniram-se para encostar Bakunine à parede e condenam-o à morte. Ora, o Czar da imensa e pungente Rússia reclama para si aquele pedaço de homem. Quere-o em prisão perpétua.

Antes já o Czar expropriara Bakunine do seu belo património. Como qualquer grande revolucionário, Bakunine era rico e aristocrata, o que os espanhóis chamariam um señorito. Marx era de família burguesa e casou com uma condessa, a estóica Jenny von Westphalen. Mas se continuo nesta deriva, ainda acabo a dizer que Álvaro Cunhal ou esse grande educador que foi Arnaldo de Matos eram operários metalúrgicos do Barreiro…

O Czar enfiou o aristocrata Bakunine numa minúscula cela da Fortaleza de São Pedro e São Paulo: três anos para a sossega, a que logo se somaram mais quatro nas caves sórdidas do castelo de Shlisselburg. Não sei se a dieta que deram a Bakunine era ou não vegan, mas num sofrimento atroz caíram-lhe todos os dentes. Chegou a pedir ao irmão veneno para se matar. Diz-se que resistiu rememorando dia a dia o mito de Prometeu, esse infeliz Titã que Zeus amarrou a uma rocha, todos os dias uma águia lhe vindo debicar o fígado que se regenerava durante a noite.

Mas eis que morto um Czar, logo outro nasce e o novo Czar o manda para a Sibéria. Os governadores, administradores, não havia um que não fosse primo de Bakunine, no que me atrevo a imaginar uma espécie de tributo avant la lettre à nossa burguesia em tempos de salazarismo. Facilitaram o primo, como até a Pide, em certos casos primos, facilitava. E Bakunine convence o capitão de um libertador barco americano, esconde-se no porão e viaja, primeiro para o Japão, depois para San Francisco, aonde chega um século antes do libertário movimento hippie.

Bakunine foi gigantesco, expansivo, arrebatador, inimigo radical de toda a forma de autoridade, a do estado, a de Deus, e a que Marx vendia sob o nome de ditadura do proletariado, como se fosse um caramelo de Badajoz. Bakunine sabia o mal que isso faz aos dentes.

Crónica publicada no Jornal de Negócios

Os Mais Vendidos de Maio

Uma lista dos mais vendidos diz duas coisas: quem são os leitores e o que é a casa editora

Mas que lista tão bonita a do nosso top de melhores vendas no site da Guerra & Paz no primaveril mês de Maio.

À cabeça os dois livros que lançámos nesse mês, dois livros que floresceram como os jacarandás. Um Mundo Aflito, com texto de José Jorge Letria e as imagens pungentes de Inácio Ludgero, fotografias magníficas de um insidioso vazio, de uma aterradora solidão. Em segundo lugar, o polémico, frontal, Combates pela Verdade, Portugal e os Escravos, do historiador João Pedro Marques, um livro exemplar de racionalidade e clareza argumentativa.

Depois, dois blocos, os livros que dominaram a nossa Feira da Língua Portuguesa, este Almanaque e o Dicionário de Erros Falsos, do professor Marco Neves, o Português se Faz Favor, de Helder Guégués, de novo Marco Neves com a sua excelente Gramática para Todos, e um dos nossos campeões de vendas 2019/20220, o fabuloso Assim Nasceu uma Língua, do professor Fernando Venâncio.

O último bloco tem três clássicos, resultado ainda da nossa campanha Os Clássico Contra-Atacam: dois livros de Eça, a antologia de contos Adão e Eva no Paraíso, e o tão gentil A Cidade e as Serras. Júlio Dinis e a Morgadinha dos Canaviais está em 10º, prova de que o autor reconquistou uma popularidade que se diria perdida.

Ainda está a tempo de levar para casa qualquer um destes livros. Estão aqui três correntes que cada vez mais têm marcado o caminho que a Guerra e Paz quer seguir: um confronto com a história mais recente ou mais remota, uma ligação forte à língua portuguesa – com promessa de novos livros de Marco Neves e Fernando Venâncio ainda este ano – e a continuidade da nossa colecção de clássicos.

Um Mundo Aflito é o número um

A emoção irrompeu pelo top semanal de vendas no nosso site. Um Mundo Aflito, livro de José Jorge Letria, em que brilham, a preto e branco, mais de 60 fotografias de Inácio Ludgero entrou directo para o primeiro lugar. É, como os nossos leitores já sabem, um retrato pungente das nossas ruas, dos nossos jardins, das nossas praças, num tempo de ausência e de vazio causados pelo covid-19.

Depois, cinco clássicos, dois livros de Júlio Dinis, Morgadinha dos Canaviais e  As Pupilas do Senhor Reitor, outros dois de Eça, Adão e Eva no Paraíso A Cidade e as Serras e ainda um livro de António José da Silva, o Judeu, O Diabinho da Mão Furada, dominam um painel em que que se intromete O Pequeno Livro Vermelho de Mao Tsé-tung, em edição precedida por um texto fortemente crítico do editor da obra. Estaremos à beira de uma vaga neo-maoista?

Fecham a lista dos dez mais vendidos a edição de luxo de Tabacaria, de Álvaro de Campos em cinco línguas, o precioso estudo do recentemente falecido Roger Scruton, Como Ser Conservador, e outra novidade, número um na semana passada, Combates pela Verdade, Portugal e os Escravos, do historiador João Pedro Marques.

Eu, como editor, estou rendido ao gosto e às escolhas dos nossos leitores. E amanhã já voltamos a falar de vendas quando fecharmos o top 10 das vendas deste Maio do nosso tão tímido desconfinamento.