Os Mais Vendidos de Maio

Uma lista dos mais vendidos diz duas coisas: quem são os leitores e o que é a casa editora

Mas que lista tão bonita a do nosso top de melhores vendas no site da Guerra & Paz no primaveril mês de Maio.

À cabeça os dois livros que lançámos nesse mês, dois livros que floresceram como os jacarandás. Um Mundo Aflito, com texto de José Jorge Letria e as imagens pungentes de Inácio Ludgero, fotografias magníficas de um insidioso vazio, de uma aterradora solidão. Em segundo lugar, o polémico, frontal, Combates pela Verdade, Portugal e os Escravos, do historiador João Pedro Marques, um livro exemplar de racionalidade e clareza argumentativa.

Depois, dois blocos, os livros que dominaram a nossa Feira da Língua Portuguesa, este Almanaque e o Dicionário de Erros Falsos, do professor Marco Neves, o Português se Faz Favor, de Helder Guégués, de novo Marco Neves com a sua excelente Gramática para Todos, e um dos nossos campeões de vendas 2019/20220, o fabuloso Assim Nasceu uma Língua, do professor Fernando Venâncio.

O último bloco tem três clássicos, resultado ainda da nossa campanha Os Clássico Contra-Atacam: dois livros de Eça, a antologia de contos Adão e Eva no Paraíso, e o tão gentil A Cidade e as Serras. Júlio Dinis e a Morgadinha dos Canaviais está em 10º, prova de que o autor reconquistou uma popularidade que se diria perdida.

Ainda está a tempo de levar para casa qualquer um destes livros. Estão aqui três correntes que cada vez mais têm marcado o caminho que a Guerra e Paz quer seguir: um confronto com a história mais recente ou mais remota, uma ligação forte à língua portuguesa – com promessa de novos livros de Marco Neves e Fernando Venâncio ainda este ano – e a continuidade da nossa colecção de clássicos.

Um Mundo Aflito é o número um

A emoção irrompeu pelo top semanal de vendas no nosso site. Um Mundo Aflito, livro de José Jorge Letria, em que brilham, a preto e branco, mais de 60 fotografias de Inácio Ludgero entrou directo para o primeiro lugar. É, como os nossos leitores já sabem, um retrato pungente das nossas ruas, dos nossos jardins, das nossas praças, num tempo de ausência e de vazio causados pelo covid-19.

Depois, cinco clássicos, dois livros de Júlio Dinis, Morgadinha dos Canaviais e  As Pupilas do Senhor Reitor, outros dois de Eça, Adão e Eva no Paraíso A Cidade e as Serras e ainda um livro de António José da Silva, o Judeu, O Diabinho da Mão Furada, dominam um painel em que que se intromete O Pequeno Livro Vermelho de Mao Tsé-tung, em edição precedida por um texto fortemente crítico do editor da obra. Estaremos à beira de uma vaga neo-maoista?

Fecham a lista dos dez mais vendidos a edição de luxo de Tabacaria, de Álvaro de Campos em cinco línguas, o precioso estudo do recentemente falecido Roger Scruton, Como Ser Conservador, e outra novidade, número um na semana passada, Combates pela Verdade, Portugal e os Escravos, do historiador João Pedro Marques.

Eu, como editor, estou rendido ao gosto e às escolhas dos nossos leitores. E amanhã já voltamos a falar de vendas quando fecharmos o top 10 das vendas deste Maio do nosso tão tímido desconfinamento.

O top de Abril: livros, a ténue vida

For Ezra Pound, Il Miglior Fabbro

 I. The Burial of the Dead
April is the cruellest month, breeding
Lilacs out of the dead land, mixing
Memory and desire, stirring
Dull roots with spring rain.
Winter kept us warm, covering
Earth in forgetful snow, feeding
A little life with dried tubers.

Para Ezra Pound, il miglior fabbro

I. O Enterro dos Mortos
Abril é o mais cruel dos meses, arrancando
lilases à terra morta, misturando
memória e desejo, atiçando
raízes entorpecidas com a chuva da Primavera.
O Inverno manteve-nos quentes, cobrindo
a Terra de neve desvanecida, alimentando
a ténue vida com tubérculos secos.

Nunca o mês de Abril fez tanta justiça ao começo do poderoso Waste LandTerra Devastada, de T. S. Eliot, que me atrevi a traduzir assim, ali em cima. Foi, este nosso mês de Abril de 2020, o mais cruel dos meses, mês do nosso desconcerto e tão fundo descontentamento, deixando-nos impotentes perante a morte, o ténue fio da vida quase a despedir-se das ruas, das estradas, da nossas casas e cidades.

Aqueceu-nos, neste gélido mês de medo e de ausência, o calor dos livros. E nós, na Guerra e Paz, sentimos esse pequeno orgulho de ter ajudado. Batemos à porta dos nossos leitores e entregámos-lhes livros. É com muito gosto que vos trazemos o top 12 dos livros que os nossos leitores mais pediram no nosso site:

Moby-Dick, de Herman Melville (tradução de Maria João Madeira)
Antologia de Poesia Romena Contemporânea
Gramática Para Todos, de Marco Neves
Madame Bovary, de Gustave Flaubert (tradução de Helder Guégués)
Lord Jim, de Joseph Conrad (tradução de João Moita)
Orgulho e Preconceito, de Jane Austen (tradução de Diogo Ourique)
As Meninas, de Agustina Bessa Luis
Assim Nasceu uma Língua, de Fernando Venâncio
Correspondência 1949-1978: Jorge de Sena e Eugénio de Andrade
Correspondência 1959-1978: Jorge de Sena e João Sarmento Pimentel
Fama E Segredo na História de Portugal, de Agustina Bessa Luís
São Paulo, Prisão de Luanda, de Carlos Taveira (Piri)

A sofisticação das escolhas dos nossos leitores deixa-nos felizes. Em primeiro lugar, porque esta lista realça os grandes valores da literatura mundial, de Herman Melville a Joseph Conrad, com traduções novas em que a Guerra e Paz investiu, e da literatura portuguesa, de Agustina a Sena, passando por Eugénio de Andrade. É também uma escolha atenta aos excelentes trabalhos de dois linguistas ligados à Guerra e Paz, Fernando Venâncio e Marco Neves. E há esse sinal de atenção ao mundo, à história recente que é o caso específico do livro de prisão de Carlos Taveira. O nosso orgulho é termos publicado estes livros e tê-los no nosso catálogo.

Esta é uma bela lista: a lista com que os leitores nos mostram o que esperam da Guerra e Paz editores.