Massajar o ambiente

Bica servida no CM, 3.ª feira, dia 4 de Junho

painel-paisagem-verde

Direita e esquerda democráticas, as alternativas à gestão do bom e abençoado capitalismo, deviam sorver dia a dia a causa ecológica como quem saboreia a bica cheia. Se procuramos uma mão invisível, que massaje com natural ternura o ambiente, essa mão é a da economia de mercado, da livre iniciativa e a da inovação tecnológica.

E não é por pensamento mágico. Vejamos: a oferta e a procura obrigam o mercado a satisfazer o consumidor e o consumidor quer limpo e verde. Depois, a competição exige um desenvolvimento que só a ciência e a tecnologia sustentam. E há essa coisa da propriedade: querermos limpo e a brilhar o que é nosso.

Tigres e bambus

JADAV

Cinco dias e cinco noites, sozinho na selva, e eu estaria morto e enterrado. Nós, homens da cidade e da bica curta, já não somos senhores da natureza. Digam isso a Jadav Payeng, cidadão indiano. Aos 16 anos, voltou à ilha da sua tribo numa acção de reflorestamento. Plantaram umas árvores e ala que se faz tarde. Mas a Payeng roeu-lhe a alma ver deserta a ilha dos antepassados. Sozinho, ficou 30 anos a plantar arbustos, árvores, bambus. Criou uma floresta de 550 hectares, onde há, hoje, tigres, rinocerontes, cobras, milhares de aves. Elefantes de visita.

Não somos senhores da natureza, mas há homens que são senhores de si mesmos.

Bica Curta publicada no CM, a 12 de Março