Homem na Lua

Neil-Armstrong

 

Eu devia ter publicado este post no dia em que se comemoraram os 50 anos da ida do homem à Lua. Mas a história tem um final meio amargo e não quis estragar o enlevo a ninguém. Vai agora, que os festejos já passaram.

Quando Neil Armstrong pisou pela primeira vez a lua, além da famosa frase “one small step for a man, one giant leap for mankind”, o astronauta acrescentou, quase em surdina, como se falasse só para o vizinho do lado: “Good luck, Mr. Gorsky!

E estava mesmo a falar com o vizinho. Quando era miúdo, Neil ouvira Mr. Gorsky implorar à senhora Gorsky um estranho favor que a senhora rejeitou, sem apelo, com um “sexo oral? queres? só quando o miúdo aqui do lado for à lua”.

Seria glorioso, se a história tivesse acabado aqui. Mas era boa de mais para ser verdadeira. Vivi anos na crença sólida de que a história era verdadeira e que Armstrong a contara num encontro com jornalistas em Tampa Bay. Mas descobre, depois, que tudo fora magnificamente forjado, com pormenores de conferência de imprensa, datas, nomes de vizinhos e afins, por “net con-artists”, ou seja, e em razoável português, por “manipuladores da rede”. Odiei saber a verdade. Já não volto, nunca mais, a olhar para a lua com a mesma sonhadora ternura.

 

A sórdida fama

Bica Curta servida no CM, 4.ª, dia 31 de Julho

carl-beech-defence

Carl Beech foi violado pelo seu padrasto, um militar, conluiado com outras altas figuras da finança e da política britânicas. Alguns jornalistas e a polícia levaram-no ao colo. Beech arrasou reputações de gente da alta, acusou até um ex-primeiro-ministro e as suas emotivas aparições levaram os ingleses às lágrimas.

Descobriu-se agora que da boca do justiceiro Beech só saíram mentiras descaradas: o tribunal provou que não foi vítima coisa nenhuma e condenou-o a 18 anos de prisão. Assustador é, hoje, ser o estatuto de vítima a dar os famosos 15 minutos de fama de Andy Warhol. Terrível para a justiça e para as vítimas verdadeiras.

Partilhas e likes

multidão
A mesma multidão: esta é de Fury, filme de Fritz Lang

Há sempre uma multidão em pulgas para partilhar o horror. No dia do crime em directo do supremacista branco na Nova Zelândia, 1,5 milhões de cópias foram carregadas pelos “amigos” do facebook em todo o mundo. No You Tube, nas horas após o atentado, surgia um vídeo por segundo com as imagens, apesar da batalha informática dos responsáveis para eliminar o filme.

É sempre a mesma multidão. Essa multidão já estava em Lisboa a espancar e queimar judeus no massacre de 1506, já estava a ver enforcar negros nas árvores do sul dos Estados Unidos há menos de um século. Estranha e mesma multidão! Hoje, mata com uploads, likes e partilhas.

Bica Curta servida no CM, no passado dia 21