Pala ku nu abesa ô muxima

Hoje, se fosse vivo, o Artur faria 97 anos. Talvez por agora o Carlos Lamartine andar pelos 73, a idade em que o Artur me deixou, lembrei-me de o ouvir. Ouço-o a cantar a mais lírica das suas canções, Pala ka nu abesa ô Muxima, lembrando o dia em que, vindo da recruta na EAMA, encontrei a casa do Bairro Popular vazia. Fui ao musseque em frente e, numa boda, a Alice e o Artur dançavam. Que música? O Jesus Dialla ua Kidi, dos Águias Reais ou este som do kota Lamartine? A Alice e o Artur tinham essa particular característica de serem minha mãe e meu pai.