O que é o fogo no rabo de um editor? É pôr livros nas mãos dos leitores. Vendê-los, claro, esse verbo proibido e temido no vocabulário português: os livros como os bebés é uma cegonha que os traz no bico. A economia como o sexo, em Portugal, só lá vai de eufemismo: é tudo um bico.
A Guerra e Paz quer vender os seus livros e não pode. Alguém escreveu num despacho a palavra “proibido”. Agarrámos, por isso, nos nossos livros e pusemo-los na boca de uma baleia. Já nos disseram que ficou bonita a baleia – e o vídeo que o Mário Borges fez. Os livros, então, ficaram ao preço de jaquinzinhos: frescos e saborosos.
É um vício português. Não vou dizer que seja só nosso, até por nada ser já nosso. Mas é também um vício português. É este o vício: temos a nossa cabeça cheia de gavetas e a novidade inclassificável assusta-nos.
Um romance de Pedro Bidarra é uma novidade inclassificável. Não sabemos o que fazer com ele. Sobretudo, ofendidos pela ousadia, sabemos que não o vamos ler. Que desaforo, aparecer-nos, assim, uma novidade inclassificável, quando já trazemos a vida semeada de dúvidas. E se lemos? E se gostamos? E se, depois, os que sabem e sabem muito, nos dizem que é mau e temos de desgostar? Ou vice-versa, que também é um sarilho!
Azulejos Pretos, o romance de Pedro Bidarra, não é, de facto, um livro autorizado, nem recomendado. Não vem com bula. Experimente lê-lo: sem bússola, na noite escura, quando tudo é preto, as memórias, a melancolia, a música, o sarcasmo, o horizonte.
Quase a terminar o ano de 2020, publiquei este livro, Azul de Lisboa, Azur de Lisabona. Mas os verdadeiros editores foram os meus amigo romenos, Iona Bivolaru, Embaixadora da Roménia em Lisboa, e o Daniel e o Gelu, meus amigos do Instituto Cultural. Eles tiveram a ideia de juntar escritores, artistas, diplomatas romenos com vivência de Lisboa, pedindo-lhes um testemunho: que Lisboa viram os olhos deles? Estava tudo a ir muito bem, quando me pregaram um susto: pediram que eu escrevesse também. Desse susto nasceu esta confissão.
Um doce anseio de pecado Manuel S. Fonseca, editor
Na formatura, nas saídas nocturnas, na carreira de tiro, nas marchas finais, fazia eu a minha recruta de aspirante a oficial, na Escola de Aplicação Militar de Angola, e havia um peso romeno a atafulhar o bolso da farda feijão-verde regular ou a do camuflado. O peso romeno, uns cem gramas, era o livro de um escritor, Mircea Eliade. Entre uivos e explosões corria 1974 e, naqueles tempos de acelerada marxização de Angola e de Portugal, a contrabalançar a minha inclinação maoísta, lia ou devorava-lhe as teses de O Sagrado e o Profano, a Essência das Religiões. A G3 numa mão, Mircea na outra, diria, se quisesse vender de mim a imagem do guerreiro que não sou nem nunca fui, mesmo se algum dia cheguei a pensar que o poder estava na ponta de um fuzil.
Mas se em vez de maoista eu fosse bruxo, teria visto, nesse livro delgado, que ia jurar ser em papel bíblia, um signo. Nesse pé coxinho entre sagrado e profano a que Eliade me obrigava, teria antecipado que a minha vida descambaria nesta via sacra a que se dá o nome de edição. Eterno retorno ou não, seria eu próprio, uns crísticos trinta e três anos depois, editor de Mircea Eliade, publicando-lhe o Diário Português. E penso agora que se o metesse no bolso do velho camuflado iria já em 400 gramas de estranho, exógeno, peso romeno.
Foi António Lobo Antunes quem fez desaguar este adventício peso no estuário de amizade com que hoje alguns escritores, e este Instituto de Cultura Romena, de Lisboa, dos amigos Daniel e Gelu, me agraciam. Numa bélica e estratégica barragem de telefonemas – belíssima, por isso – António e o seu amigo Dinu Flamand agarraram em mim ao colo (não é difícil que não sou pesado), e sentaram-me na contemporaneidade romena. Ao Dinu, publiquei as suas tão evocativas Sombras e Falésias, de que é antecâmara um prefácio de António Lobo Antunes. E logo, por sugestão do Dinu, a Antologia de Poesia Romena Contemporânea, viagem pelos últimos 50 anos com os 27 mais representativos poetas da nação romena. Tudo com assombrosas traduções de Corneliu Popa.
Chego agora a este Azul de Lisboa, de que serei imerecidamente editor, livro em que me sinto deliciosamente perdido. Onde estava esta Lisboa que olhos romenos me revelam? Para meu espanto e vergonha, descubro que até com os pés estes romenos vêem Lisboa, evitando pisá-la, levitando, para descobrirem nas calçadas negras e brancas os desenhos de pássaros e insectos, de naus e ondas do mar.
Os olhos dos romenos são iguais aos olhos do Cervantes que escreveu os Trabajos de Persiles y Sigismunda, no livro terceiro cantando a sublime entrada em Lisboa pelo estuário do Tejo, “terra que ao Céu presta santo e generosíssimo tributo”.
Eu sei bem, tardio habitante desta cidade, a que cheguei já com idade de homem, que em certos dias límpidos de Outono, a luz de Lisboa é a mais bonita luz do mundo. Essa luz deixa-se dormir durante a manhã e, como certas mulheres que prezam o brilho juvenil da sua pele, acorda, esplêndida e ociosa, pelo meio-dia. É uma luz fina, discretamente resplandecente, luz em papel bíblia, deslumbrante e intacta, que cria a ilusão da harmonia do mundo.
Neste Azul de Lisboa, olhos e vozes romenas desdobram-se em vagas de elogios às colinas, rio ou Bairro Alto, fado ou a encalhada Torre de Belém. Bebi, talvez no seio materno, o embaraço perante o elogio – é da minha Lisboa que falam! Torço-me e logo deslizo para a autodepreciação. Mas por mais que deteste os elogios, sei reconhecer o amor. E a Lisboa, a este Tejo que é um mar a fingir de rio, é amor o que os olhos e as vozes dos romenos de Azul de Lisboa confessam, mostram ou cantam. O mesmo amor que cintila nos olhos azuis de António Lobo Antunes quando me conta e reconta o seu fascínio pela Roménia, pelos seus poetas ou, com doce anseio de pecado, pela beleza das suas mulheres. É esse doce anseio de pecado que também este livro, Azul de Lisboa, celebra.
Nancy Cunard despia-se de noiva para toda a literatura. Sem os seus lençóis livres e generosos talvez nem tivesse havido modernismo. E digo já nomes, antes mesmo que me torturem: Eliot ou Ezra Pond, mas também Hemingway e Orwell, sem esquecer Louis Aragon, Tristan Tzara, Joyce, Man Ray, William Carlos Williams ou Langston Hughes.
Se foram todos seus amantes? Ia dar a cândida resposta, não fora ulular-me aos ouvidos a óbvia pergunta: quem era Nancy Cunard?
Era a neta e herdeira do dono da Cunard, a mais majestosa e imperial companhia de navegação, flâmula que erguida e hasteada numa centena de transatlânticos esvoaçou sobre todos águas do mundo, mares ou oceanos. O pai inglês, deitado em sumaúmas de libras, só queria jogar pólo e caçar raposas. A mãe, americana, rendida ao esplendor das artes, dava festas arrebatadoras e classistas em Londres, tendo por amante o escritor George Moore, que foi, como até as pedras da calçada juram, pai espiritual de Nancy.
Nancy casou cedo. Casou-se ao pequeno almoço e ao lanche já estava divorciada. Depois apaixonou-se por Peter Broughton-Adderley. Era capitão do 1.º batalhão dos Scots Guards e, a um mês do armistício, a comandar um assalto às trincheiras inimigas, foi abatido por uma inclemente bala boche. Diz-se que a ironia trágica dessa bala traçou o destino inquieto e insaciável de Nancy.
Mas vejamos e concordemos: esses factos só são factos por causa dos factos que se seguem. Nancy despreza a colossal herança e esfregará os futuros actos no rosto oligárquico do distraído papá e, sobretudo, da atenta mamã.
E vejamos outra vez: Nancy Cunard é ela mesma poeta e escritora, com uma relação leal e verdadeira com a literatura e as artes. Em Veneza, onde está com o amante de já dois anos, o poeta Louis Aragon, conhece um pianista de jazz, Henry Crowder. Nas costas ou à frente de Aragon, que a liberdade de Nancy era holística, deita-se com Crowder, menino paupérrimo nascido na Georgia esclavagista. Aragon quase se suicida em verso num dos eróticos canais de Veneza.
Ora, mais do que Aragon, é a horrorizada mãe que Nancy tem de enfrentar. “Mas a minha filha conhece um negro?” pergunta aos jornais ingleses a mãe ultrajada. Nancy há de acusá-la de ter assistido a um linchamento na América e escreve um panfleto, “O Homem Negro e a Branca Dama dos Barcos”, em que ironiza sobre preconceitos e despedaça tabus rácicos.
Nos sete anos que se seguem, Nancy e Henry Crowder vivem juntos. Na Normandia, ela funda a Hours Press. Ali publica Eliot, Joyce, Beckett, Pond, Hemingway. A Crowder mima-o com um livro, “Henry, Music”, mistura das composições dele e poemas que poetas, como Beckett, escreveram para ele musicar. E com a ajuda de Crowder, arma uma homérica “Negro: an Anthology” com mais de mil páginas, reunindo poesia, contos, arte africana. Vai com Crowder conhecer Harlem e envolve-se no apoio às mães dos Scottsboro Boys, os jovens negros acusados falsamente da violação de duas jovens brancas.
Nancy Cunard, difamada ontem pela reacção, seria (será!) difamada hoje pelos progressistas: ela incarna a abjuração moderna, a apropriação cultural. Mesmo Crowder, nas suas memórias, recrimina-a. Livre como era, dormindo com ele, continuou a dormir com quem queria, talvez mesmo Greta Garbo. Tal como o ateu Aragon, ferido na sua virilidade, Crowder, de rígida moral cristã negra, sofreu com ressentimento essa liberdade. A mulher de lençóis livres e generosos está sempre à frente do seu tempo – de todos os tempos.
Nos meus anos 60 coloniais, eu vestia americano. Comprava jeans nos barcos de Mark Twain, que batiam o cais de Luanda, onde o meu pai trabalhava, às vezes da meia-noite às seis da matina. Ou chegava, essa roupa americana, nos fardos que as organizações democráticas de John Kennedy nos mandavam.
Ressuscito essa adolescência. Basta-me olhar para o escritor belga Georges Simenon. Vejam, Simenon começou a escrever um novo romance e enverga uma camisa de flanela Abercrombie & Fitch. Não há elegância mais desportiva: quadrados vermelhos e pretos e botões que podem apertar-se do colarinho até cá abaixo.
Nos onze dias seguintes, a umas inumanas quatro e meia da manhã, antes do primeiro raio de sol, a americana Abercrombie & Fitch, sempre a mesma camisa, preside ao ritual do escritor mais rápido do mundo, mais rápido do que Billy the Kid a sacar o colt e bang-bang, tão rápido como Jimi Hendrix e Alvin Lee a rasgarem delirantes solos de guitarra. Rock ‘n rol! Seis horas depois, pelas 10 da manhã, Simenon fechará o dia: já tem mais um capítulo escrito, a umas torrenciais 92 palavras por minuto. Só em 1928, terá escrito 44 novelas.
Se Simenon suava a Abercrombie & Fitch? Só sei que o elegante belga, também dos melhores clientes de Louis Vuitton, despia a camisa às 10 em ponto, para que a lavassem e passassem a ferro, pronta para as quatro da manhã do dia e do capítulo seguintes. Em onze dias, o editor teria na mão um dos 350 romances que assinou com o seu nome, para não falar das 1200 histórias que distribuiu por heterónimos tão impertinentes e impenitentes como Germain D’ Antibes ou mesmo La Deshabilleuse.
Truman Capote afiava cerca de 500 lápis antes de começar o primeiro esboço de nova obra. Noel Coward abria, diariamente, o obituário do Times e só passava a escrever, depois de se certificar que o seu nome não constava e, por isso, ainda esta vivo.
Simenon escrevia do fundo do túmulo. Telefone da casa desligado, porta com um “Não incomodar” pendurado. Nesse silêncio de santo sepulcro, nem sequer a distracção de um dicionário se autorizava.
Como Proust e ao contrário de Proust. Também Proust queria e comprava o silêncio para escrever: se havia obras nos apartamentos vizinhos, Proust pagava aos operários para fazerem gazeta e abandonarem os trabalhos. A diferença está na elaboradíssima e torturada edição a que Proust submetia cada página. Simenon escrevia como John Ford filmava: directo para a página, como Ford directo para a câmara.
Corre a lenda de que se fechou numa jaula de vidro, no exterior do Moulin Rouge, em Paris, e escreveu uma novela em três dias e três noites, aceitando sugestões de um público em delírio. É verdade e é mentira. Simenon estava pronto, mas a construtora da jaula de vidro falhou a entrega, embora parisienses de 1927 jurem ter visto e aplaudido o escritor, tal qual os lisboetas viram, e viram mesmo, no dia 31 de Julho de 1977, o poeta Alberto Pimenta expor-se numa jaula do Palácio dos Chimpanzés do Jardim Zoológico de Lisboa. Na porta da jaula, uma placa, “Homo sapiens”; na gaiola ao lado dois perplexos chimpanzés põem os olhos metafísicos em Alberto Pimenta.
E eis que são dez da manhã, e já Simenon despe a camisa Abercombrie & Fitch, deixando em sossego a sua IBM eléctrica. Simenon ressuscita do seu santo sepulcro e passa a ser outro homem, o homem sátiro. No meio da avalanche de dez mil casos de infidelidade, Simenon regista dois casamentos oficiais. Confessa uma decepção: ter escrito tanto e, afinal, ter conhecido tão poucas mulheres.
Que Inverno! Que descontentamento! Que saudades de sol e marés, digo eu, que não sei o que digo.
A nossa cabeça é geográfica. A nossa alma também. A praia é um lençol azul marinho dobrado sobre uma almofada de marfim e areia. A praia é a maré vazia da nossa cabeça. A praia é a maré cheia da nossa alma, digo eu e, por uma vez, talvez saiba o que digo.
Até aos cinco anos, só tinha visto um rio. O rio Côa, rio da minha aldeia, como disse o Nandinho da Ofélia, que sabia sempre o que dizia. Um rio aperta-nos a cabeça entre as margens. Um rio são duas violentas pernas geográficas que descem montanhas e atravessam vales.
Houve um dia, aos cinco anos, em que acordei no mar. Vi o mar antes de ver a praia – há tanta gente, eu mesmo, que julga ter visto a floresta, sem nunca ter visto uma árvore! Vi, repito, o mar.
O mundo desaparecera, substituído por um inacabável oceano com o gordo sol a cavalo. Estava num barco, o Vera Cruz, gémeo do Santa Maria, que um Mortágua assaltaria, e julguei que, por terem roubado a terra, nele viveria eternamente. Durou oito dias a minha salgada eternidade. Manhãs de baleias, tardes de golfinhos, noites de zodíaco, como deve ser qualquer eternidade.
Só em Luanda, onde o Vera Cruz me largou, vi pela primeira vez a praia. Aos cinco anos, nas calemas adamastoras da Praia do São Jorge, soube o que era ser um príncipe. O verdadeiro príncipe, pilinha a abanar nos largos calções, corre de pés nus e molhados. O verdadeiro príncipe está todo no ar para a fotografia, guarda-redes em voos estilosos e brinca na areia, n’areia. O verdadeiro príncipe chora a ver o mar e não sabe nadar, yo, não sabe nadar, ye: e sei lá eu se sei ou não sei o que digo.
Há outros príncipes. De palácios e coches, gravata e alguns até de kilt. Vê-se pelas gravatas que um dia deixarão de ser príncipes e passarão a ser reis. Mais tarde do que cedo, que nem a mãe nem o pai lhes morrem, e nunca mais no trono almoçam. É o que murmuram, sabendo bem o que dizem.
O príncipe de praia recusa ceptro e coroa. O verdadeiro príncipe da praia abdica, porque abdicar é a sua condição. Na mágica praia da nossa infância, o mundo de todos os dias desaparece, rejeitado pela nossa cabeça. Ora, não se tira tudo da cabeça – o mata-leão da dívida soberana; o alarvismo bilionário de Trump; a intimidação que cancela a cultura; o desinteligente debate presidencial de Marisa & Ventura; o pesadelo pandémico da ladainha de infectados, internados e mortos; a metafísica e a contabilidade; Deus e o Ministério das Finanças; o horror vazio do SEF; a inútil e agitada panóplia do incertíssimo quotidiano – para depois se pôr na mesmíssima cabeça o ferro de uma coroa.
O geográfico príncipe da praia tem a alma cheia, eróticas ondas da alegria de coisa nenhuma, na pele o poético sal de um tempo sem tempo, os olhos iluminados pela preguiça tórrida de uma tarde que não mexe nem o mais escondido dos seus principescos pelinhos. Coitados é dos príncipes que vão ser reis; Coitado do Charles, que fala com as plantas; do jovem William, estacionado em segunda fila; da loira sueca Victoria, que para amenizar a espera se casou com o seu personal trainer: que marés cheias e vazias terão na cabeça e na alma?
Eis o que, sem o fúlgido sol brinca na areia, sem praia, sem ondas, o mundo de 2020 nos fez: sitiou-nos como se fossemos príncipes reféns de ceptro e coroa. Queremos de volta a praia da infância, a liberdade de abdicar, a alma em maré cheia: ninguém quer ser o rei nu que vem, de vírus, morrer à praia.
– Bom, outra razão que conta muito, e logo no bolso, é a oferta de descontos do outro mundo.
– Vá lá, não sejas tão economicista e dá-me uma razão mais humana, outra razão?
– Já sei, é a entrega de livros em casa. É rápida e é segura, neste tempo de confinamento.
– Não duvido, mas não estás a tocar no coração e o coração é que nos move e move o mundo.
– Desisto. Explica-me lá tu que secreta razão é a tua!
– Não é secreta, é a mais banal: a verdadeira razão é o amor, o amor ao livro. Já viste o bem que o livro nos faz? Mete-nos em aventuras tremendas, arrasta-nos para viagens que nunca de outro modo faríamos, faz-nos sentir, e não fingidamente, paixões avassaladoras.
– Olha, é verdade, metade do que somos, somos porque lemos: ninguém, numa só vida, conseguiria viver e experimentar tudo o que um só livro nos oferece.
– Nem mais, e é por isso que o amor do livro é a razão para não sairmos do site da Guerra e Paz…
Estava com fome de paradoxo e música. Que é como quem diz: tinha vontade de ouvir o desassombro de Tom Zé. Ora, ninguém ouve Tom Zé sozinho. Peço-vos o favor de cantarem alto o refrão: o amor é velho, velho, velho, velho e menina.