O meu maximbas

maximbombo

Komé então! Olha só aí, meu irmão, o maximbas lá da banda. Carreira 8, Vila Alice-Mutamba, Mutamba-Vila Alice, o meu maximbombo, que me dava colo, levava e trazia, quando ia à Lello, na Baixa, à caixa de correio do meu pai nos Correios em frente, ao Estúdio do Restauração ver a Faca na Água, do Polanski, a Mouchette, Amor e Morte, do Bresson, ou quando ia a um quarto de cassata ao Baleizão, ou à Emissora Católica, Rádio Ecclésia falar com o senhor Brandão Lucas.

Mas olha só a banga desse verde engraxado, rutilante! Matrícula DD-56-73, o povo lá dentro no rés do chão, candengues lá em cima, na janela da frente, vista panorâmica sobre essa nossa lua, luanda, cidade colonial africana, cidade de já tanto asfalto como a norte em África não havia mais nenhuma, um casco central arquitectónico de sobrados, e novos prédios lindos, lá no cimo da colina o kinaxixe moderníssimo, que se estivesse ainda estoicamente de pé seria património universal. De pé, esse meu maximbas, linha 8, Vila Alice, minha pátria.

ps – agora a foto é aldrabada. Foi um velho kamba que me endrominou (practical joke à inglesa). E eu aguento-me com boa cara, está claro. Sim, os maximbas de Luanda eram azuis  e a matrícula é a de Portugal e não a de Angola. Fui bem comido! Mas o texto é meu e é verdadeiro e fica aqui na mesma.

 

4 thoughts on “O meu maximbas”

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