Os maximbas lá da Lua também eram verdes?

Esse é o problema que estou com ele: qual era então a cor dos maximbas lá da Lua no tempo do caparandanda?

Tudo começou quando me mandaram já essa imagem candongueira:

maximbombo
Esse aqui é mentira

Essa imagem é mentira, então. Esse é um autocarro do Puto. Lisboeta. E um muadié, só para me uatobar, aldrabou o letreiro Vila Alice, linha 8. Eu que lhe trouxe aqui, fiquei já como mujimbeiro. Não vou lhe admitir. Esse meu avilo me uatabou bem! Me fez de zuzuto, mas também não vou lhe ameaçar de kilunza. Foi brincadeira, mesmo.

E vieram já aí os outros avilos, “Hmm, komé meu, lá na banda maximbombo era azul!” E tem já uns kotas que através do esquecimento juram sangue de Cristo que só tinha maximbas rés-de-chão. Vamos então parar de esbucular e falar a verdade sem mais curibotas.

Este é o maximbas azul de sobe já no primeiro andar.

Maximbas

E agora, para a desbunda mesmo, desconsegui essas três à la minuta, prova então que os maximbas também foram verdes e verdes se kazukutavam por Luanda  até pelo menos 1964.

Essa foto chegou da diáspora canadiana, via meu kamba e kota Abilio Nunes:

Luanda_verde

Nessa aqui tem maximbas verde de dois andares bem estacionado. Será que vai para a Vila Alice?

_Luanda

E aqui se pode ver que até conviveram as duas cores numa intercolorização de selo de povoamento.

Luanda_

E dou por encerrada a minha contribuição para o desvendamento do mistério do Maximbas Verde, na  Lua dos anos 60.

O meu maximbas

maximbombo

Komé então! Olha só aí, meu irmão, o maximbas lá da banda. Carreira 8, Vila Alice-Mutamba, Mutamba-Vila Alice, o meu maximbombo, que me dava colo, levava e trazia, quando ia à Lello, na Baixa, à caixa de correio do meu pai nos Correios em frente, ao Estúdio do Restauração ver a Faca na Água, do Polanski, a Mouchette, Amor e Morte, do Bresson, ou quando ia a um quarto de cassata ao Baleizão, ou à Emissora Católica, Rádio Ecclésia falar com o senhor Brandão Lucas.

Mas olha só a banga desse verde engraxado, rutilante! Matrícula DD-56-73, o povo lá dentro no rés do chão, candengues lá em cima, na janela da frente, vista panorâmica sobre essa nossa lua, luanda, cidade colonial africana, cidade de já tanto asfalto como a norte em África não havia mais nenhuma, um casco central arquitectónico de sobrados, e novos prédios lindos, lá no cimo da colina o kinaxixe moderníssimo, que se estivesse ainda estoicamente de pé seria património universal. De pé, esse meu maximbas, linha 8, Vila Alice, minha pátria.

ps – agora a foto é aldrabada. Foi um velho kamba que me endrominou (practical joke à inglesa). E eu aguento-me com boa cara, está claro. Sim, os maximbas de Luanda eram azuis  e a matrícula é a de Portugal e não a de Angola. Fui bem comido! Mas o texto é meu e é verdadeiro e fica aqui na mesma.