Deixem-me ler-vos a sina

Temos um futuro inteiro à nossa frente. É da sua natureza ser desconhecido. Porém, queremos saber. Queremos adivinhá-lo, antecipá-lo, controlá-lo. É um momento patético e inocente, mas a verdade é que ninguém resiste a tentar adivinhar o futuro e sobretudo um futuro menos punitivo.

La tour

No tarot, nos búzios, no mais simples horóscopo. Somos como o cavaleiro que Georges de La Tour pintou nesta cena diurna e realista, nos antípodas da mínima luz das velas com que, noutros quadros, iluminou as mais negras noites.

Também nós, como o jovem nobre desta pintura de La Tour, nos entregamos, confiantes, à “diseuse de la bonne aventure”. Tudo, no quadro, parece tão claro. E nada poderia ser mais obscuro. Basta passar do geral ao particular.

Há olhos que vigiam.

La diseuse

Há mãos engenhosas que trabalham.

les mains

Há mãos que desenham a subtil arte de furtar

Les_Mains

Falso ou verdadeiro, discussão que entretém os especialistas, poderá um quadro de 1632 continuar a ser a parábola feroz de um futuro que, de tão vigiado, a nós mesmo roubamos?