Stairway to heaven: de zeppelin a zappa

 

Começa como uma balada. Acaba em apocalíptico hard-rock. Primeiro romance, depois matança. Mas é uma grandessíssima canção de uns ingleses marados que davam pelo nome de Led Zeppelin. Robert Plant cantava com voz e cabelos, Jimmy Page desunhava-se no (talvez) mais mítico solo de guitarra da história do rock. À canção, tocaram-na de todas as maneiras e feitios. Ninguém melhor do que os autores. Mas gosto muito do “tribute” irónico, desconstrutivo, desarmante, que Frank Zappa lhe dedicou. De Zeppelin a Zappa, estamos a falar de gente séria, com escadinha para o paraíso.

Frank Zappa

zappa

Do que eu gostava em Frank Zappa, além da música – e o que prezo e estimo os meus velhos vinis do The Grand Wazoo e do Waka Jawacca – era das afirmações cabais.

Desta sobre o comunismo:

O comunismo não funciona porque as pessoas gostam de ter coisas.

Desta sobre a América:

Os Estados Unidos é uma nação de leis: mal escritas  e aplicadas ao acaso.

Estas duas frases copiei-as de um livro, W. C. Privy’s Original Bathroom Companion (2003) de Jack Mingo and Erin Barrett. As frases cintilam como estrelas. A música era cósmica. Separei-me de muita coisa. Nunca do inteligente caos de Cletus Awreetus-Awrightus.