Saudades do Escrever é Triste

Um dia destes, na RTP 2, há de aparecer um programa sobre o Escrever é Triste. Com a ágil e emotiva realização do Ricardo Espírito Santo. O Escrever é Triste é, como sabem, um blog. Que se prolonga na página homónima do facebook e, por simpatia, nesta minha Página Negra. Antecipo as saudades que nesse programa evoquei. Ah, où sont-ils les amis d’antan?

hiperbole

A Amizade 

A amizade não é nenhum fogo que arda sem se ver. A amizade que juntou os Tristes do Escrever é Triste é um lume brando, lareira que nunca se apaga. Não estamos à espera de ser todos raptados pelo Daesh e virem os nossos Pedros, Norton ou Bidarra, de kalashnikovs na mão, à Schwarzenegger, salvar-nos o pêlo. A amizade não tem, nem precisa, desse heroísmo, porque a amizade é constante e rotineira, como o primeiro café da manhã.

A amizade não é excepcional. Excepcionais são os superpoderes da Wonder Woman. Não queremos que as nossas Vasconcellos, a Eugénia e a Rita, saltem de prédios, mergulhem da Ponte 25 de Abril e persigam à espada os fantasmas que nos ameaçam.

A amizade é melosa e preguiçosa. Não tem pressa, vem a pé e, às vezes, nem sequer vem, basta-lhe telefonar ou mandar uma sms. A amizade farta-se de desejar. Cada Triste do Escrever é Triste deseja silenciosamente o bem dos outros. A amizade é um quieto e sossegado ficar feliz com a felicidade de cada Triste.