Estamos em Outubro. Logo que Outubro venha, prepara a lenha é um dos provérbios que acompanha este mês. E se a lenha for para a lareira, os livros da Guerra e Paz querem fazer-lhe companhia. Temos como sempre prémios para os nossos leitores. O Melhor Comprador do Mês vai regalar-se em casa com estes cinco livros, um clássico de Júlio Verne, um Livro Amarelos que junta Unamuno ao português Manuel Laranjeira, uma antologia de textos de Fernando Pessoa à volta de Cristo, o polémico ensaio de Paul Johnson sobre intelectuais como Marx, Tolstoi ou Hemingway, e a Revolução de Outubro emn visão crítica. É uma boa safra.
O prémio é para o Melhor Comprador do Mês. Em paralelo continua a corrida para o Melhor Comprador do Ano. Lembramos que já há três leitores candidatos, por terem ultrapassado o valor mínimo, o que quer dizer que a fasquia está alta. O regulamento dos dois prémios pode ler-se aqui.
Eugénio Lisboa, ensaísta, escritor, poeta, do remanso dos seus 90 anos dirige-se aos seus contemporâneos, ou seja, a nós. Fá-lo com uma alacridade e uma agilidade que nos convidam a sorrir e a desarmar a tenda da chata seriedade e do ensimesmamento. Pede-nos que que encaremos a vida com um sorriso irreverente. A ler os Poemas em Tempo de Peste sentimo-nos todos como uns bons malandros. Já estávamos a precisar de um mimo destes.
Chegou às livrarias e pô-las entre o riso e o sorriso. É um livro de poemas. Escreveu-o, agora, aos 90 anos, Eugénio Lisboa. São Poemas em Tempo de Peste: para desanuviar da pandemia.
Não acredita que um livro de poemas lhe arranque gargalhadas? Culpa ou engano seu. Precisa de ler estes Poemas em Tempo de Peste. O livrinho torce o pescoço ao covid-19 e troca uns alegres diálogos com a senhor Christine Lagarde, com Pinto da Costa, com deputados e escritores famosos. Que bem disposta sai daqui a língua portuguesa.
Um conselho: sente-se a conversar com este livro de Eugénio Lisboa. De Trump ao Chega, de Fernando Pessoa a Jorge Nuno Pinto da Costa, a conversa vai ser como as cerejas. Garantimos-lhe sobressaltos, riso e uma desatada polémica.
Nem uma coisa nem outra. Este Setembro pandémico nem secou as fontes, nem levou as pontes. Como foi um mês de Feira do Livro, os nossos leitores preferiram vir comprar livros ao vivo, ao nosso pavilhão no Parque ou nos jardins do Porto – e se compraram livros.
Mesmo assim, aqui no site, tivemos muitas visitas e o nosso melhor leitor do mês levou livros no valor de 166,87€, de uma assentada só. É, até agora, o melhor comprador do mês e levará, por isso, se não vier ninguém arrebatar-lhe o Prémio, os cinco livros da imagem junta: é uma bela colecção que teremos todo o gosto em oferecer-lhe.
Para o melhor comprador do ano temos reservados 50 livros de Prémio. Já temos dois leitores a ultrapassar o objectivo de compras no valor igual ou superior a 450€.
Merda para esta vida de paz, diria, se fosse escritor naturalista: porque, já agora, tanto me faz comer um bife ou simplesmente alpista.
Com esta desembaraçada franqueza, o poeta Eugénio Lisboa enfrenta, desabafa, ri-se e faz-nos rir deste perigoso mundo em que um vírus nos pôs a viver. Poemas em Tempo de Peste não é só um livro de poemas, é uma aventura em que se fundem literatura e vida. Ah, mas fundem-se com um grande sentido lúdico e um melancólico langor, que tanto toca em Camões, Eliot ou Almada, como no sabor a paraíso de uma África que já foi, porque «o passado sempre conta / quando o vírus já desponta!»
À mesa destes Poemas em Tempo de Peste, são chamados a sentar-se os grandes do mundo. De um Trump «fodido», diz Eugénio Lisboa, «Que chatice se ele ficasse / no governo e nos lixasse», para logo se espantar com a nossa presidente do Banco Central Europeu:
A Senhora Christine Lagarde acha que os velhos vivem demais; pra que a economia se resguarde há que apressar os ritos finais.
A política nacional merece outros mimos a Eugénio Lisboa. Como este aceno a um deputado:
O Nuno Melo tem medo de tudo que não conhece e tornou-se, muito cedo, activo no Cê Dê Esse.
Ou este mimo escatológico a um partido exuberante:
Fala o CHEGA como bufa, não conhece outro falar: quando tenta uma chufa, fá-lo como a evacuar!
Os Poemas em Tempo de Peste de Eugénio Lisboa tanto cantam o admirável Pinto da Costa em decassílabos (não murchos) «com umas rimas do caraças», como exaltam em redondilha maior o génio singular de Gonçalo M. Tavares:
Ele diz coisas geniais e diz coisas pessoais, mas as coisas pessoais não são nunca geniais e as coisas geniais mais parecem de jograis!
Poemas em Tempo de Peste não é só um livro, é a ressurreição da sátira, e é um reencontro da poesia com o riso libérrimo. Poesia clara que nos sacode da letargia destes dias e nos convida à plenitude da vida:
Lixe-se a melancolia, refúgio de quem não luta, e combata-se, de dia, o vírus filho da puta!
Lê-se com sofreguidão e gosto: em confinamento ou na rua, em silêncio ou em voz alta. Há quanto tempo já não lhe falavam de um livro assim? Chama-se Poemas em Tempo de Peste. Eugénio Lisboa é o seu autor. Uma edição da Guerra e Paz, para ler já a partir do dia 29 de Setembro, numa livraria perto de si ou no site da editora.
Já tínhamos saudades de apresentar novos livros aos nossos leitores. Dois deles ainda puseram um pezinho na Feira do Livro de Lisboa.
Pontuação em Português é mais uma obra de serviço público de Marco Neves: vai ajudar-nos a escrever melhor, ensinando-nos – há livros que sabem ensinar! – a pôr vírgulas e pontos e vírgulas. Estávamos a precisar, vírgula, e ponto final.
Na outra ponta da imagem, está este belo África no Mundo Livre das Imposturas Identitárias. É um livro de combate de Jonuel Gonçalves, nosso autor de mais três livros e comentador regular do Público e da RDP. Jonuel traz-nos uma África revoltadas que recusa as hoje tão cantadas e radicalizadas teorias identitárias, acusando-as de serem inimigas da cidadania. Eis a revolta de África contra tudo o que legitime políticas de atraso e obste à integração africana no mundo.
Por fim, regressa a prosa viva e límpida de António Graça de Abreu. No seu quarto livro para a Guerra e Paz, Odisseia Magnífica, leva-nos de viagem, repetindo – quase! quase! – o périplo de Fernão de Magalhães. Literatura de viagem em muito bom português.
Língua, viagem e pensamento em três livros que fazem mais forte a não-ficção da Guerra e Paz.