O livro contra o vírus

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Esta foi uma das minhas Bicas Curtas da semana passada no CM. É uma das medidas que defendo para salvar o livro. Para quem esteja mais distraído – compreensivelmente, tantas são as angústias e os problemas destes dias em que reina um vírus traiçoeiro – o livro, e com ele os autores, editores e livreiros, está ameaçado de morte. Não é alarmismo é a realidade. Esta é uma primeira medida para salvar o livro, sector estratégico para o futuro dos portugueses. Partilhem, por favor.

 

O livro contra o vírus

O vírus mata portugueses. E mata a economia. Matará o conhecimento se deixarmos que mate o livro. Livro e leitura são a mais sólida forma de adquirirmos saber, ciência e identidade. Mas as livrarias fecharam e os editores não publicam.

Perder o livro é abdicar do futuro. Empresas e Estado têm de salvá-lo. As livrarias, sobretudo Bertrand, FNAC, Sonae, mal voltem, têm de ser apoiadas para não esmagarem os editores com devoluções. Uma medida: em 2020, permitir a cada contribuinte, após apuramento final do IRS, ser ainda ressarcido do valor de 100€ contra factura de compra de livros em livraria. 100€ que matem o vírus da ignorância.

16 thoughts on “O livro contra o vírus”

    1. Bea, Era bom que fosse. Sou eu a propô-la. Tenho esta ideia do cheque-livro há algum tempo. Esta é a forma mais simples de o concretizar. Seria uma extraordinária ajuda à leitura em Portugal.

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  1. Acho extraordinária esta luta diária do Manuel, pela sobrevivência do livro e do conhecimento.

    Saber que uma boa parte dos políticos de hoje são os maiores inimigos do conhecimento, e insistir, vale mais que o nosso aplauso. Vale comprar livros (esses mesmo, que ainda nos faltam…).

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  2. O grande problema a resolver é como fazer com que as pessoas tenham prazer em ler coisas escritas em papel

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    1. Bom, temos uma relação de séculos com o papel e com o livro e essa relação foi alimentada exactamente pelo prazer, pela curiosidade, pela emoção. São biliões de livros lidos com prazer. E sim, estamos a falar de uma mudança de paradigma em que “não há tempo”, por ter sido o tempo “roubado” por outras ofertas mais fáceis, instantâneas, aparentemente gratuitas. A maioria dessas ofertas oferece muito menos prazer, muito menos sofisticação, muito menos emoção.

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  3. Boa!
    Irrita-me que as sonae’s vendam livros pois também não vou comprar alcatra ou legumes à livraria. Em França as fnac’s fazem 5% de desconto, metade de cá. Subscrevo tudo o que dê vida a editores e livreiros.
    Mas a montante tem de haver gente com hábito de leitura…

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    1. Meu Caro Gonçalo, o mundo do livro é multifacetado e ainda bem. Abrange a tão nobre poesia e romance dos grandes escritores, como abrange o livro prático e do mais simples divertimento. E é essa a força do livro. Se começarmos a cortar dedos, esse corpo definha. Conversa para um belo fim de tarde com um prato de presunto ou só tremoços e uns belos finos. Que haja leitores sejam eles quais forem.

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  4. Eu sou por tudo o que apoie os livros. Mas tenho uma pergunta: o que é que se passa com as edições de bolso? É só impressão minha ou desapareceram? Em França, compro os clássicos por 6 euros. Em Portugal, as edições têm capas bonitas, mas custam no mínimo 15 euros e são parcamente anotadas (para ser simpático). É espantoso, especialmente tendo em conta a diferença do poder de compra médio. Engano-me? Se não, o que é que aconteceu e o que é que pode/deve ser feito? Poder-se-á invocar a pequena dimensão do mercado; só que há umas décadas a literacia média era mais fraca, o poder de compra também, mas as editoras tinham colecções de bolso a preços acessíveis.
    Eu ainda tenho em casa livros de bolso (Porto Editora, por exemplo) e ainda no outro dia eu e o meu filho percorríamos pensativos os títulos da comprida colecção. Ele ainda é novinho e eu leio-lhe «A Ilha do Tesouro», «O Apelo da Selva», «O último dos moicanos», e outros do mesmo género, em (não tão) antigas edições de bolso.

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    1. Obrigado Miguel pela reflexão. As vendas médias por título em Portugal são tão baixas que raramente dá para diversificar as edições. Os ingleses tê, a hardcover e o paperback, os franceses as edições de bolso. Agora veja, quando dos 12 mil títulos publicados por ano só mil vendem mil ou mais exemplares, sabendo-se que o breakeven anda nos 600/700, já vê que não há margem para diversificar a chamada edição única. Por essa razão se frustram as tentativa (várias) feitas na última década.

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  5. Queria escrever Europa-América, escrevi Porto Editora por engano.

    Já agora, sou um daqueles que deram por bem empregues os «quinze euros» pelo livro do Fernando Venâncio. Bravo!

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