Uma saia em família

Já são Bicas de Outubro. Foram servidas no CM na passada semana, a última semana de mês que já marchou, de 3.ª, 29, a 5.ª, 31. Uma saia, o Bem e o Mal, a solidão das famílias monoparentais. Achei que não seriam más bicas, se fossem acompanhadas por esta canção de Martinho da Vila.

Uma saia é uma saia
Uma saia é só uma saia. Aprendi com o cineasta americano Samuel Fuller que, mais do que a ridícula roupa que alguém use, o que é ridículo é preocuparmo-nos com isso. Eu mesmo, prometo um dia vir de linda saia tomar a bica curta.

O que não é ridículo é ver a inquisitorial agenda rácica que se anuncia e de que é símbolo o episódio da bandeira portuguesa, acusada de esclavagismo e dois pingos de imperialismo à porta da Assembleia. Juntos, o que o enxovalho da bandeira e a saia anunciam é uma agenda que se vai servir das minorias negras como estandarte, carne para canhão de lutas que não as servem nem lhes melhoram o presente ou o futuro.

O Mal e o Bem
Por muito que custe às virgens há uma extrema-esquerda em Portugal que bebe com a extrema-direita a bica comum do ressentimento. Os extremos, à esquerda e à direita, incentivam a vitimização permanente, separando de um projecto de pátria as minorias, puxando-as para fora e para baixo. Há mais de um século que vemos a catástrofe em que acabam esses estandartes ao vento: não há uma única sociedade justa e de igualdade que essa turbulência tenha criado. Diz-se que há uma diferença entre o nazismo e o comunismo. O nazismo faz o Mal em nome do Mal. O comunismo faz o Mal em nome do Bem. A trágica semelhança é que ambos fazem o Mal.

A solidão afectiva
Se as estatísticas estão certinhas, de 200 mil famílias monoparentais em 1992, Portugal saltou em 2018 para 460 mil. Caramba, mais de 125% é um salto maluco. E é aflitivo ver tantos seres humanos a viver sozinhos, muitos a beberem sempre a bica, curta ou cheia, num desamparo afectivo que até dói.

Em muito países já se tenta reconstituir famílias. Em Singapura, organizam-se encontros de celibatários. Além do consolo emocional, as recomposições de famílias não só diminuem a pobreza, o que as medidas de Bill Clinton provaram na América, como baixam a despesa pública, o que deveria fazer pular de alegria o coração de Mário Centeno.