Longa lista dos meus gostos

Esta lista tem mais de 10 anos. Mas é que não mudo quase nada. Sem prejuízo dessas ruminações em que os velhos são tão insistentes.

charlize
Charlize

Longa lista de gosto tanto

Permito-me fazer aqui a cândida lista das coisas de que, diletante e descomprometido, gostava muito e gostava sem vergonha. Passaram dez anos. Tenho, por vezes, de comentar à frente de alguns “gostos” – e em bold rouge –  para não encher tudo de notas de rodapé. E então, por razão nenhuma e com toda a razão, gosto:

De olhar para ti – ainda hoje, sempre;
Das “Palmeiras Bravas” de Faulkner;
Do “Ces Petits Riens” do Serge Gainsbourg;
De Deus nos seus momentos de volúpia;
De decotes;
Da “Estrutura das Revolução Científicas” de Thomas S. Kuhn;
De ficção, de Philip Roth – rip;
Da simplicidade gastronómica do Fiorde – que pena, o Senhor Armindo foi servir o Senhor;
Das pernas das raparigas quando chega a Primavera – ah, nunca mais chega;
Da “Carmen”;
De acácias e jacarandás;
Da língua portuguesa e das variações brasileiras e angolanas dela;
De Werner Heisenberg – cada vez mais;
Da Debra Winger nos anos 90 – da Charlize Teron maintenant;
De sopa da panela com carne de borrego;
Dos Estados Unidos da América – que sempre teve o seu pato Donald;
De 20 minutos à Benfica – João Félix, só tu para eu voltar a acreditar no eterno retorno;
De Anna Karina no “Pierrot le Fou”;
Do atiçador na mão de Wittgenstein;
De beijar;
De quem ama sem ressentimentos;
De Picasso, Modigliani e Matisse;
Do brilho do rio quando, entre Caxias e Paço de Arcos, reflecte a luz de inverno – já lá passo tão pouco;
Do “Für Elise”;
De caramanchões e pérgulas;
De um mundo com ricos e pobres, pretos e brancos (todos diferentes, todos diferentes) – e anda por aí so much ado about nothing;
Dos filmes de Rob Reiner – hmm, venha de lá o Manick de cada ano;
De golos de bandeira;
De ouvir cantar o “Auld Lang Syne”;
De um dry martini ao fim de tarde no Shutters on the Beach – e do tinto do Douro de cada dia.
E cada vez mais do oceano, o grande mar e o medo do mar.

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Sea Fury, foto de Edgar Laureano, com a devida vénia