Alain e Myriam

Outro ciclo de um então incontornável cineasta foi o que, na Cinemateca, dedicámos ao suíço Alain Tanner. Eram tempos de cidade branca. Alain trouxe com ele uma das suas actrizes favoritas, Myriam Mézières. Eu consegui pô-los a olhar para o alto.

Há no palacete da Cinemateca uma inscrição em árabe, que o director da Cinemateca do Egipto (ou de Marrocos?) em visita, me disse ser o começo da primeira sura do Corão: “Em nome de Deus, Clemente, Misericordioso, todos os louvores são para Deus, o Senhor de todos os Mundos.” É isso o que lhes estou a dizer e eles a gostar de ouvir.

Depois, Tanner, que hoje tem 91 anos, assinou o livro de honra, e Myriam beijou-o deixando numa página a indelével marca do batom dos seus lábios: um beijo perfeito. Na sessão que se seguiu, Myriam, que agora tem 71 anos, fez um número extraordinário: não me lembro se uma esparregata, se um flic-flac, pondo em delírio a sala esgotada que os veio ver. O mundo já teve dias divertidos. E há de voltar a tê-los.

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