A página negra de Manuel S. Fonseca

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Esta é uma página bebé, como o Louis, o meu pré-neto, por ser o neto da Faty e do Abilio, meus irmãos de guerra. Já posso pôr aqui a foto dele, que o Louis já está grande e toca piano.

Esta é, a partir de hoje, a minha página na web. Não substitui o Escrever é Triste – que nada substitui o Escrever é Triste, como nada substituiu o É Tudo Gente Morta. Nem substitui a minha futura participação num projecto colectivo, mas não colectivizante, em que hão-de estar a Eugénia de Vasconcellos, o Pedro Norton, o Pedro Bidarra, o Henrique Monteiro, a Rita Vasconcelos, a Teresa Conceição, muitos outros Tristes e outros não-e- nunca-Tristes.

Esta página é uma página de outro tipo. É uma página narcisista, de um narcisismo negro, porventura, mas é sabido que eu entretenho com o negro um romance caravaggiano.

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Eis uma foto de puro e filosófico espanto tirada na amada costa ocidental de África, na casa do Sambizanga, a três passos das alcantiladas barrocas sobre o meu irmão oceano

Vou reunir nesta Página Negra artigos, divagações, entrevistas, jeremíadas, manifestos tonitruantes do passado, acrescentando-lhes sempre alguma coisa de novo, alterações que talvez venham a ser muito mais do que de rodapé.
E nesta Página Negra vão também surgir novos artigos, algumas prosas mais íntimas e confessionais. Dizia o esquecido e afogado Michel Leiris, que a escrita ou era uma arte tauromáquica ou não era nada. Escrever sem que o escrevente se exponha aos nus e afiados cornos do touro não é escrita. E chega de promessas. Passemos aos actos ou não seja esta a Página Negra de Manuel S. Fonseca.

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Este não sou eu. Bateu-me em cheio a arte de Alfredo Cunha

22 thoughts on “A página negra de Manuel S. Fonseca”

  1. O que torna tudo ainda mais negro é aquela foto em que o menino Manuel empunha um revólver, que não acredito que não seja real, e que, surpreendido pelo disparo — da máquina fotográfica, claro está — se faz tombar da cadeira: pé direito à frente como já então era hábito, e quase derruba a bonita jarra por cima do rádio, por onde anos mais tarde ouvirá Amália e os relatos do seu Benfica. É coisa bonita de se ver, mas de uma negritude narcisista que nem o próprio Caravaggio o safa, meu caro.
    Seja bem-vindo, já tínhamos saudades.

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  2. Como “ESCREVER É TRISTE”, a “PÁGINA NEGRA” certamente irá dar um toque de irreverência na capacidade de escrever de “MANUEL S. FONSECA”, não fosse a “PÁGINA” um Labirinto de sensações tomadas por cada uma das sensações interpretadas pelos Leitores… Um abração desde o LALA no COMPÃO, até LAGOS numa profunda Reunião… BEM HAJA…

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    1. Reinaldo, baixe-me lá essa fasquia, caso contrário espalho-me de certeza. Um abraço e vai ver que apareço por aí um dia destes..

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  3. Porque acredito e sei que só joga com a fasquia bem alta, nada retiro e quando vier a este “Retiro”, apite, não precisa três vezes, basta apitar, que África lá estará… Abração daqueles…

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