A buzina leve de Bombaim

Estas foram as bicas curtas que bebi com os leitores do CM na primeira semana de Fevereiro, nos dias 4, 5 e 6.

family

Na 3.ª feira, feira da ladra

Precariedade populista

Do meio-dia à meia-noite, andam militantes identitários a gritar racismo na praça pública e a rasgar vestes em defesa das minorias, chantageando o cidadão comum, tentando meter-lhe na cabeça mais culpas do que as trovejadas por um possesso monge medieval para ameaçar com as profundas do inferno o cristão de carne fraca.

Salvem-se desses falsos profetas! As minorias precisam de se integrar, os seus filhos de estudar, de ser cientistas, professores, empresários, exercer direitos e assumir deveres. Têm de pertencer ao projecto comum que é ser-se português. Fujam à precariedade de ser carne para canhão da militância populista.

confronto

Na 4.ª é de estar alerta

No fim, a miséria

Na Europa, o populismo de direita usa mentiras e enormidades incendiárias que dramatizam traços minoritários da realidade. Lançam baboseiras catastrofistas sobre a imigração, a criminalidade e insegurança, explorando os nossos medos mais viscerais.  A direita democrática tem tido a coragem de fazer o cordão sanitário.

Está a esquerda democrática pronta a fazer o cordão sanitário a um populismo de esquerda – Livre ou BE – que contrabandeia para Portugal as baboseiras do discurso identitário que faz das minorias étnicas reféns, explorando os seus medos ancestrais? Extrema esquerda ou direita são gémeas: onde triunfam, geram miséria.

lights

Na 5.ª, não confirme nem desminta

Sinal vermelho

Bombaim inventou o semáforo moralista. Os automobilistas de Bombaim têm buzina leve e mão pesada. A doida cacofonia que assombra a cidade faz do condutor lisboeta um anjo. Quando é que o automobilista de Bombaim apita? Sempre. Há cem carros parados? Apita-se. Está vermelho no cruzamento? Buzina-se.

As ruas de Bombaim são as mais ruidosas do mundo. Não há tímpanos nem corações que aguentem. As autoridades criaram, por isso, um semáforo que não sai do vermelho logo que o desaustinado chinfrim atinge o volume de 85 decibéis. Quanto mais buzinas, mais esperas. O semáforo já não regula só o trânsito. Também castiga, educa e moraliza.

Viva a mistura

Kopenhagen.jpg

Bica Curta servida no CM, na 5.ª feira, dia 5 de Dezembro

Um gueto é uma fábrica de crime. Fechar, ou deixar que se fechem minorias étnicas em bairros monolíticos é assobiar à catástrofe. Imigrantes e minorias étnicas têm de beber a bica com os locais. É o que faz o governo dinamarquês. Nesses bairros, renovam e vendem apartamentos para que os dinamarqueses se misturem com os imigrantes, pondo estes em contacto com melhores oportunidades de emprego e cultura. Cria-se uma solidariedade nacional e os miúdos têm lições para conhecer os valores dinamarqueses.

O gueto é uma bala no coração do imigrante: segrega-o, corta-lhe as pernas no emprego, na cultura, na integração. Viva a mistura!