Feira do Livro, making of

Vou dizer-vos isto ao ouvido: façam as vossas listas! Vai ser uma Feira do Livro quase tão esplendorosa como a Vénus de Botticelli, quase tão intrigante como a Gioconda de Da Vinci.

Ponto de encontro: estes três pavilhões, A46, 48, 50. São os da Guerra e Paz. Para mim, que sou imparcialíssimo, os mais bonitos da feira. E isto é só o making of. Até 5.ª feira.

Vamos fazer grandes coisas juntos

A cativa de Picasso: Marie-Thérèse

Ela foi a cativa que Picasso manteve cativa. Mas deixem-me começar por ser exacto: naquele tempo não havia em Paris quem não conhecesse as Galerias Lafayette. Nem toda a gente, porém, conhecia Picasso. Era um dia de Inverno, o dia 8 de Janeiro de 1926, e Picasso viu, atrás das grandes janelas das famosas galerias, um rosto. Foi como se toda a Paris, num átimo, se eclipsasse: já só havia esse rosto de menina a pairar no ar, a encher o céu gelado, o crepúsculo a derreter-se sobre a cidade.

Picasso interpelou a muito jovem mulher, mal ela pôs a sola do sapato na rua: “Mademoiselle, tem uma cara tão invulgar. Deixe-me pintar a sua cara.” E disse quem era: “Sou Picasso.” Os 17 aninhos de Marie-Thérèse Walter ignoravam olimpicamente o que fosse ou quem fosse esse Picasso de 45 anos, taurino. Ele mostrou-lhe um livro japonês; na capa, a fotografia dele. E marcou encontro para as 11 horas, da 2.ª feira seguinte, na estação do metro de Saint-Lazare. A cara oval e luminosa de Marie-Thérèse acenou que sim e Picasso rematou: “Tenho a certeza de que vamos fazer grandes coisas juntos.”

Fizeram. E o que eu queria dizer, antecipando a colossal e silenciosa história de amor deles, é que muito mais tarde, quando se separaram, Marie-Thérèse lhe havia de escrever uma carta por dia até ao dia da morte de Picasso. Quem escreve, hoje, uma carta de amor por dia?

Quase nada sei de Marie-Thérèse. Sei só que Picasso lhe dedicou o que hoje seria um amor pedófilo. Picasso tinha já um filho, Pablo, e era casado com uma também bela bailarina ucraniana, Olga Khokhlova. O que Olga tinha de impulsivo e de ansioso, Marie-Thérèse tinha de doçura, passividade e submissão. Foram logo amantes, ela e Picasso, e mantiveram a luxúria e o desejo na incendiada prisão do amor deles, sem janelas nem portas para a rua. E o que eu quis dizer é que ninguém sabia desse amor que duraria até ao dia, sombrio, em que Marie-Thérèse descobriu a nova amante de Picasso.

Picasso pintou, retratou, esculpiu muitas mulheres. Nenhuma foi, na pintura dele, tão solar, de rosto e corpo tão luminosos, como a Marie-Thérèse que hoje podemos ver em telas tão célebres como O Sonho, ou O Retrato de Marie-Thérèse com Boina Vermelha. São célebres, valem fortunas, mas o que logo nos desatina, enerva e seduz é que neles, a pintura de Picasso se deixa impregnar por um desejo clássico de beleza, em que a deformação se ajoelha e reza aos pés de um doce lirismo.

E Marie-Thérèse engravidou. Foi em 1935, tinha ela 26 e ele 54 anos, o dia mais feliz da vida de Picasso. Quis divorciar-se da bailarina Olga, mãe do seu Pablo. Olga recusou o fustigante estatuto de divorciada: talvez revoltada com a forma perversa como, durante 9 anos, Picasso tivera Marie-Thérèse a viver em apartamentos quase ao lado ou em frente à casa do casal legítimo.

O obstinado ego de Picasso não desistiu. Divórcio impossível na Espanha franquista, conseguiu a separação e foi viver com Marie-Thérèse. Lenda ou não, pintava ele a Guernica, Marie-Thérèse descobre no estúdio a fotógrafa de vanguarda Dora Maar. Logo percebe as faíscas desse desejo que dilata os corpos. A submissa Marie-Thérèse, que confessou oferecer-se às mais escuras fantasias de Picasso, recusou o triângulo. Separaram-se. Marie-Thérèse teve sempre ao seu lado, como se guardasse as relíquias de um mártir, os cabelos de Picasso, as unhas que lhe tinha cortado, e escreveu-lhe uma carta, dia após dia, ao longo de 30 anos. Picasso morreu. Quatro anos depois, inconsolável, Marie-Thérèse suicidou-se.

Publicado no Jornal de Negócios, Weekend

O Vidente de Étampes

Aleluia. Este romance merecia. Está em 4.º lugar no top de Ficção do El Corte Inglês. É um romance que merece ser lido. Chama-se “O Vidente de Étampes”. Autor: Abel Quentin. Ganhou já meia-dúzia de prémios em França. Mas o que quero é que ganhe um “prémio no coração dos leitores portugueses”.

E desculpem se eu hoje me deu para o foleiro sentimental, mas para que este romance seja lido, direi o que for preciso. É elegante, é divertido, é polémico. O começo da história: um escritor assina um ensaio sobre um poeta negro americano que morre prematuramente em França. O escritor é um cinquentão, progressista, anti-racista, mas as fatais redes-sociais activistas caem-lhe em cima com delírios de apropriação cultural. Enfim, as loucuras que por aí campeiam.

Abel Quentin faz desse parti-pris o gancho para criar emoção, literatura, personagens e intriga.

Façam o favor de ir comprar: vão ver que ficam de consciência cultural mais tranquila e que, por pouquinho dinheiro, vão ter uma alegria tremenda e sem preço.

ps – e se ainda não o têm, levem também O Longo Braço do Passado, de Rui De Azevedo Teixeira. Merece ser o romance português de 2022.

O apocalipse em família

Esta é uma crónica familiar que devo à bravura ímpar da minha primeira sobrinha e à inocência, impar também, da minha segunda sobrinha.

Sim, pode. Pode morar-se no Apocalipse, digo eu que já lá morei. Havia quatro anjos a segurar os quatro ventos da Terra, para que nem uma brisa perturbasse os cavaleiros da peste, e dos pés dos anjos saíam colunas de lume e as suas bocas exalavam fogo, fumo e enxofre. E talvez eu, na minha boa-fé, estivesse confundido, talvez fossem só os Migs céleres a segurar os quatro ventos de Angola, a pequena boca de fogo do singelo monacaxito e as estrondosas crateras de enxofre e fumo dos órgãos de Estaline.

Mas essas são as minhas memórias da guerra civil de Angola, problema que eu ainda estou e morrerei com ele. Quem também lá esteve foi a minha primeira sobrinha, filha da minha irmã. Teria então três anos, se tanto, e sabia lançar-se ao solo como um comando, quando as Akás começavam a tricotar e a cantar o Kalinka, Kalinka. Oyé, mangolé.

Quando, sobrevivente a obuses e morteiros, a G3 e Kalashes, a minha primeira sobrinha retornou, blusinhas leves tropicais, todas seda e terylene, espantava as feiras, os andores dos santos e as romarias lusíadas ao lançar-se ao solo, em impecável estilo, logo que começavam a crepitar foguetes. Era o comando mais bonito que Portugal conheceu.

E falo agora da minha segunda sobrinha, filha dos meus cunhados por parte da Antónia, minha mulher, a que meio Bairro Azul insiste em chamar “menina Antónia”, o que me deixa, atendendo à minha já branca e provecta barba, na desconfortável posição de suspeito de inconfessável e tirânico rapto e abuso.

Ora não era da menina Antónia, mas sim da minha segunda sobrinha que eu queria falar, para dizer que nunca esta sobrinha, ao contrário da primeira, tinha roçado o seu pequenino ombro, nem mesmo em forma inadvertida, pelo apocalipse.

Vinha ela, seis aninhos, mão na mão com a mamã, quando, no hall de entrada mesmo ao lado dos elevadores, se lhes dirigem duas simpáticas senhoras, com aquela simpatia de ventre amargo que recusa provar o mel. Traziam na mão uns sub-reptícios folhetos e logo ali, na placidez interclassista de Benfica, lhes dizem “bom dia”, e sem parar garantem “que vem aí o Apocalipse”. E explicam, com uma brevidade que João de Patmos não se autorizou, o que é o apocalipse, esse fim do mundo em que Deus Vosso Senhor corta a direito, com fogos do inferno à mistura. “Estamos aqui para vos alertar e salvar”, juram.

Tremem as perninhas de bailarina da minha sobrinha? Não, não, nem pensar, como agora diz o meu primeiro neto. Os olhos na mãe, a minha segunda sobrinha observa cada reacção e o que vê? Uma mãe serena, impávida. Uma mãe que não morde, nem sopra. E julgo que escapou aos seis aninhos da minha sobrinha o leve trejeito irónico que aflorou os lábios dessa mãe que desmedidamente a enche todos os dias e todas as noites de beijos.

E as duas velhas senhoras, de trombetas na boca, continuam a encher de música tonitruante o átrio, mesmo ao lado dos dois elevadores: “Vem aí o apocalipse. É o fim do mundo: amanhã, se não for já hoje. Está um fim do mundo a levantar-se das campas do cemitério aqui ao lado. E nós estamos aqui para vos avisar e para vos salvar!”

Serpentes, bestas e chifres insinuam-se por Benfica, mas a minha cunhada, com recato, escapa a tudo e entra no elevador já só com a minha sobrinha pela mão, talvez um folheto na outra. A serenidade da mãe comunicou-se à filha. E, num módico de exemplar reflexão, a menininha vira-se para a mãe e diz-lhe: “Já viste, mãe, tanta gente no mundo, e estas senhoras escolheram-nos a nós para nos salvar. A sorte que nós tivemos, mãe!”

Os chorizos de Melanie

Cancelados, os aviões deixaram de alimentar de sonhos os olhos dos meninos que esquadrinhavam os céus à procura do messiânico futuro e de outros mundos longínquos. Os aeroportos são hoje uma paisagem crispada, atafulhada, tensa, de multidões furiosas: canceladas e furiosas. Eu quero pedir desculpa ao avião e ao aeroporto do meu tempo. E evoco, desse tempo, oito coi­sas singelas:

  1. Quando eu era um monan­den­gue, cal­ções pobres e sonhos de luxo, e isso foi em Angola, tinha dias em que ia para a varanda do aero­porto de Luanda ver os aviões levan­tar vôo. O baru­lho ator­do­ava e a gaso­lina chei­rava a vitória.
  2. Que­ria ter asas e voar, mas aprendi: não é Ícaro quem quer e não é qualquer um que é Jardel para voar sobre os centrais.
  3. Já ves­tia um fati­nho executivo, o pes­coço aper­tado por uma gra­vata e a cabeça ata­fu­lhada de excel e logís­tica, quando, na SIC, apoiá­mos um docu­men­tá­rio em que dois monan­den­gues moçam­bi­ca­nos, i­guai­zi­nhos (ou desiguaizinhos?) ao meu “mim” do aeroporto de Luanda, pas­sa­vam os dias no aero­porto de Maputo a ver aviões levan­tar e ater­rar. Um deles expli­cou ao outro como é que era voar de avião: “Quando o avião sobe no ar, as pes­soas des­maiam lá den­tro, então! Via­jam já des­mai­a­das e acor­dam quando o avião aterra.”
  4. A pri­meira vez que via­jei de avião – ou des­maiei, então – foi num Fri­endship da velha DTA, de Luanda ao Lubango. Des­maiei, sim: íamos no meio das nuvens de algo­dão doce, a terra era um cho­co­late cá em baixo, rios de cho­co­late líquido, uma fenda cha­mada Tun­da­vala, aberta pela colher de um menino na quen­tís­sima mousse angolana.
  5. Lembro-me, lembro-me. Foi a primeira vez que sobrevoei a outra África. A janela de um Boeing, onde eu por acaso ia, cho­rou uma lágrima a ver o nas­cer do sol sobre o Sahara. O dedo do avião lim­pou a gota que caía, com ver­go­nha que o céu visse.
  6. Já era outro Boeing. Da British Airways, de Londres para Los Angeles. Estava lá em baixo o quase Pólo Norte, a doer de branco, a tiri­tar de frio e, em aque­ci­mento glo­bal, ia ali, deitada a uma cadeira de mim, a Mela­nie Grif­fith, loura, num sos­sego e sono que um Blo­ody Mary embalara. Quando chegámos, os cães detectives snifaram-lhe coisas na mala. Os fiscais puxaram os cães para trás: “É a Melanie Griifth, disseram”, cheios de respeito e distância. E eu tenho a certeza de que – vinha ela de Espanha, de casa do Banderas – na mala eram só chorizos e manchegos, mimos e amuse-bouche andaluzes.
  7. Foi em 1967, julgo. O adolescente que eu era estava na pista do aeroporto de Luanda – nesse tempo ainda se podia ir à pista – e o avião de Lisboa trazia o Benfica. Na noite tro­pi­cal de Luanda, um bruto capa­cete de humi­dade em cima, des­cendo a escada do avião, emer­giram os astros: pri­meiro o senhor Otto Gló­ria, depois o senhor Coluna, o senhor José Augusto e, logo, os miú­dos Eusé­bio e Simões. E eu na pista, a ter agora a cer­teza de que, se há estre­las no céu, podem sem­pre des­cer à terra. O que não sabia é que as estrelas cheiravam. Antes de aterrarem, tinham ido todos perfumar-se. O aeroporto de Luanda rescendia a Guerlain, Aramis, Opium e Azzaro. Cheirava bem, cheirava a Benfica.
  8. Foi um estalo. O estalo do mundo a partir-se. Lembro-me desse dia, de 1975, desse começo de tarde, em Luanda, quando um Mig, sou capaz de jurar que mesmo por cima da Vila Alice, rom­peu a bar­reira do som. Um estalo super­só­nico e, uau, os ouvi­dos rotos de infi­nito. Como se andassem bisontes no ar, foi o estam­pido do céu e toda a gente a gri­tar em terra: “A vitó­ria é certa!”

Um comunista na Disneylândia

Queriam ver o comunistazinho. Veio Hollywood em peso. “Respeite os leitores, comece pelo principio”, exige Lúcia Crespo, minha editora, e eu travo a fundo. As primeiras coisas, primeiro.

O presidente da América, Eisenhower, convidou Nikita Khrushchev, presidente da gigantesca União Soviética, a visitar a pátria do capitalismo. O redondo Nikita não se limitou a aceitar. Queria viajar pelo país: viria por 15 dias. Siderado, Eisenhower aceitou.

E agora que a minha editora se distraiu, volto já a Hollywood. Era onde Khrushchev mais queria ir. A 20th Century Fox, o estúdio que tinha Marilyn sob contrato, convidou-o. Chegaria a L.A. e almoçaria no Café de Paris, a luxuosa cantina do estúdio. Sei do que falo: almocei lá mais vezes do que Nikita Khruschev, se não me levam a mal a bazófia.

A mim, não veio ninguém ver-me, mas para ver Nikita havia mais de mil candidatos às 400 cadeiras do Café de Paris. Spyros Skouras, o presidente, só autorizou actores e realizadores: não podiam trazer os cônjuges. Entra Nikita e a mulher. Hollywood, de pé, aplaude-os. Com mais cortesia do que veemência. A pequena Liz Taylor subiu para cima de uma cadeira para ver o “funny old guy”. Henry Fonda tem um ouvido atafulhado com um indiscreto auscultador: está o ouvir o relato do jogo de basebol entre os Dodgers e os Giants.

Frank Sinatra e Bob Hope fazem companhia à senhora Khrushchev, Nina. Ela, enternecida também com Gary Cooper, diz-lhes que gostava de visitar a Disneylândia. Dali a pouco são os discursos e um sobressaltado chefe de polícia diz ao embaixador americano que Disneylândia nem pensar! Não garante a segurança. No percurso para o Café de Paris alguém atirara um tomate à limusina do soviético. Sem acertar, embora, mas em campo aberto seria um perigo. Não há segurança, não há visita, lamenta o embaixador, o que os soviéticos ouvem e logo passam a Nikita.

Discursa o anfitrião. O grego Skouras faz o elogio da América. Chegou ali sem um chavo, suou, lutou e é hoje, graças ao sistema de mérito, presidente de uma grande companhia. Khrushchev interrompe-o: “Comecei a trabalhar mal aprendi a andar. Nas minas para capitalistas franceses e alemães, mas com a revolução sou hoje presidente da URSS!” A sala ri. Skouras não desarma: “Sim, mas como eu há milhares de presidentes na América. Quantos presidentes como o senhor tem a URSS?” Ainda a sala não parou de aplaudir, já Khrushchev responde: “Temos 15 países na URSS, cada um tem um presidente como eu. Quantos há na América?”

Vejam Marilyn Monroe deliciada. Foi a primeira vez que chegou a horas ao estúdio. Chegou, não viu ninguém, pensou que se atrasara como sempre e já se tinham ido todos embora. Ouve a conversa amena, cheia de risos e não adivinha que Khrushchev se vai zangar.

“Dizem-me agora que não podemos ir à Disneylândia, que não é seguro. Têm lá rockets nucleares? Há uma epidemia de cólera? Os gangsteres tomaram conta daquilo? Então e os vossos polícias, capazes de levantar um touro pelos cornos, não podem ir lá expulsá-los?”

O desânimo invade a sala. Nina diz a David Niven que é uma frustração: “Como explicaremos isso ao nosso povo?”. Sinatra vira-se para Niven: “David, foda-se a polícia! Diga à velha que nós dois os vamos lá levar esta tarde!”  

Khrushchev acalmou-se. “Ah, fiquei de cabeça quente. A culpa é deste amigo grego, que me picou!” E já os dois, carecas, baixinhos, gordos, dão valentes palmadas nas costas. Khrushchev, um metro e sessenta, 100 quilos, um império na mão, e se com alguma coisa sonhava era ver a Disneylândia.

Fios de prata

Gosto destas tardes. Um calor denso, horas presas por quentíssimos fios de prata. A única fuga é direitinha ao céu. Deitado na areia, andam pela minha cabeça restos de infância, a inocente motorizada NSU do meu pai a atravessar o musseque Sambizanga, eu à frente, quase ao colo dele, a minha irmã atrás, a caminho da escola da Missão de São Paulo. Eu, devagarinho e menino, a deixar de ser português, devagarinho e menino a balbuciar Luanda, Angola. Dor e prazer que sempre trago e com que morrerei, a de querer ser, ao mesmo tempo, essas impossíveis duas coisas.

Ah, este é um bilhete postal para a Alice, que hoje faria 96 anos. E faz, nesta minha cabeça de palmeiras e Sambizanga.