infeliz é quem não tem argumentos

Argumento

Infeliz é quem não tem argumentos. Não seja infeliz, e não se queixe de Deus ou do Menino Jesus: eles já tinham posto à sua disposição 159 argumentos. Agora, mesmo antes do Natal, só não está na sua mão o Argumento nº 160 se não quiser. Custo, é quase de borla, o que para um Argumento 160 é uma coisa capaz de comover mesmo um cativacional Mário Centeno.

E é tão fácil de encontrar: tropeça-se neste Argumento logo à entrada do Cine Clube de Viseu. Se, como uns nómadas de cabeça perdida, deambularem pelo país, este Argumento entra-vos pelos olhos dentro na Cinemateca Portuguesa, no Cineclube do Porto, nas livrarias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e da Universidade Católica do Porto.

E vejam agora, as premissas (ou, dito de outro modo, as sentenças declarativas deste Argumento, 160, cuja fotografia está lá em cima:

KAMINHOS MAGNÉTYCOS diários de um filme de Edgar Pêra
I DON’T BELONG HERE – DELETE Hélio T sobre o documentário de Paulo Abreu
O HITLER EM NÓS o filme de Hans-Jürgen Syberberg, na retina de Manuel S. Fonseca
JOSÉ LUIS GUERIN uma transcrição da passagem do realizador pelo vistacurta 2018, numa aula de cinema/entrevista guiada por Daniel Ribas
LETTER TO JANE Fausto Cruchinho investiga um still em conjunto com Godard e Gorin
CAMINHOS MAGNÉTYKOS x2 o novo filme de Edgar Pêra, ilustrado por Luís Manuel Gaspar
E AINDA Livros do Trimestre, What’s Up CCV?

A sentença declarativa com que participo neste Argumento começa assim:

“Hitler, um filme da Alemanha, filme realizado por Hans-Jürgen Syberberg, em 1977, é o quê? Sim, é um filme de sete horas, extravagância que não casa com as programações de cinematecas, festivais e cineclubes contemporâneos. Ou será que não casa, sobretudo, com o Homem contemporâneo – e deixem-me vir já armado de maiúscula, para que neste H caibam homens e mulheres e o mais que de géneros se convoque e legitime.

Será Hitler uma evocação fascinada de terríveis fantasmas do passado? Um libelo contra a moral e a estética do mundo contemporâneo? Um relato, simultaneamente em tom hagiográfico e de farsa, à volta da vida do homem de anacrónico bigode que presidiu do terceiro Reich? Ou será uma invocação e uma diatribe contra o cinema e a sua história? Talvez seja, e confirmá-lo-ia Angela Merkel, se o tivesse visto, a devassa do inconsciente colectivo da Alemanha.”

 Se forem a correr comprar a revista prometo que trago, mais semana, menos semana, esse artigo que escrevi a pedido do Cineclube de Viseu, cujo espírito voluntarioso e criativo merece o nosso aplauso e a vénia da nossa carteira.

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